Ainda no ano passado, escrevi sobre a força das mulheres nos quadrinhos – como autoras e produtoras. Hoje é a vez de voltar a falar de mulher nos quadrinhos – mas de uma que vem de dentro deles: a Mulher Hulk, que completa neste mês de março seus 30 anos de existência. Foi criada no mesmo ano da fundação do National Woman History Project, uma organização educacional que traz como tema em 2010 “Writing Women Back into History”. Guardem bem isso.
Jennifer Walters, uma advogada idealista (com um histórico de defesa dos direitos de minoria, liberdades civis, e de proteção a indivíduos vitimados por corporações pouco éticas) é baleada e quase perde a vida, se não fosse seu primo Bruce Banner (isso mesmo, o Hulk) realizar uma transfusão de sangue improvisada que a salva – e infesta seu organismo com radiação gama. Essa alteração em seu sangue a transforma em uma forma de vida feminina superforte e esverdeada, tal qual seu monstruoso primo, mas com a grande diferença (e vantagem) de manter sua inteligência e autocontrole após a transformação. A tendência é essa até fora dos quadrinhos: quando o poder sobe à cabeça de alguns homens, ficam irracionais e selvagens.
Todo o carisma da personagem se deveu a isso. Não era uma descerebrada movida pelo instinto de destruir tudo o que via pela frente. Vamos combinar que os roteiros da maioria dos quadrinhos da década de 80 não eram lá geniais, mas o humor da Mulher Hulk era cativante. No entanto, o título próprio da Mulher Hulk durou só 20 edições na época. Depois disso, levou a vida como integrante dos Vingadores, Quarteto Fantástico, e até chegou a fazer dupla com o amigão da vizinhança. Passou muito tempo levando uma vida errante, mas depois do sucesso do último filme de Hulk , essa grande personagem (grande mesmo) pode dar a volta por cima e figurar em uma adaptação para o cinema.

Oh! E agora, quem poderá nos defender?
Mas não é porque ela é grande, verde e ESMAGA que a vida seria mais fácil. Ainda que seja uma mulher de personalidade, inteligente, espirituosa, advogada competente e heroína poderosa, o atributo que é levado em consideração pelos outros em primeiro lugar acaba sendo seus seios, e o resto de seu corpão que preenche as roupas minúsculas e provocativas das quais os desenhistas gostam de abusar. É como uma fã da heroína disse aqui: a objetificação da personagem através de capas hiper-sexualizadas fez com que a She-Hulk fosse vista bem mais como uma personagem que o público gostaria de levar para a cama, do que como uma personagem que o público admirasse pela personalidade. E não é o que acontece sempre? Agora imagine se o mesmo critério valesse para os homens: o Superman, com aquela cara de paisagem e jeitão sem-graça, seria um fracasso absoluto. E você também, leitor homem, que apesar de não usar cueca por cima da calça está bem longe de ser um sex symbol, teria dificuldades em ser bem-sucedido ou até mesmo manter seu emprego se seus atributos físicos valessem mais do que seu potencial e competência.
Mas nem com os superpoderes da She-Hulk metade dos problemas das mulheres estariam resolvidos. Talvez aqueles engraçadinhos, que acreditam que o ponto alto do dia de uma mulher é quando eles resolvem nos abordar no meio da rua, pensassem duas vezes antes de invadir nosso espaço com comentários abusivos sobre nosso corpo, se não quisessem ter o crânio esmagado ali mesmo (eu pelo menos, esmagaria sem dó). Agora, se mesmo com todas as conquistas da mulher em relação a seu espaço no mercado de trabalho, ainda existe uma grande desigualdade de salários e postos ocupados (ou acha que é pura coincidência que a profissão mais mal-remunerada, a de empregada doméstica, seja ocupada quase totalmente por mulheres?), não seria com os poderes da She-Hulk que seria possível reverter essa situação. Ela mesma sabe a dificuldade que é galgar degraus em uma carreira quando se usa salto alto.

And justice for us
E por isso o mês de março é tão importante, não só para a She Hulk, mas para todas as mulheres. Não para ganhar flores e mensagens dizendo o quantos somos fortes, especiais, que o mundo não seria nada sem a nossa beleza, e toda essa baboseira sem sentido. O dia 8 de março não é uma data de comemoração. É uma data de protesto. Uma data que hoje resgata o centenário da luta das mulheres trabalhadoras por uma sociedade com condições mais iguais.
Em 1910, Lena Lewis, uma das principais representantes do movimento feminista norte-americano, declarou que não era uma época para celebrar nada, mas um dia para antecipar as lutas que viriam, “quando poderemos eventualmente e para sempre erradicar o último vestígio do egotismo masculino e seu desejo de dominar as mulheres”.
Hoje é o dia em que lembramos o mundo de escrever as mulheres de volta em sua história. E que, se algum poder for concedido a nós, mulheres, que não seja o da invisibilidade. Mas, como a She Hulk, o da força.
Este meu humilde bloguinho é equipado com uma ferramenta bem bacana que uso desde o Histórias Esquecidas: o Google Analytics. Ele oferece relatórios bem completos e elucidativos sobre a visitação do site/blog. Número de visitas, quais as páginas mais lidas, quanto tempo as pessoas gastam lendo cada página, e como encontraram o blog. No meu caso, a maioria das visitas vêm através do Twitter e das pessoas que passam pelo meu formspring. Além disso, há um grande número de visitas Direct Traffic, de pessoas que já vem direto ao meu blog por já o acompanharem sempre (o que me deixa muito feliz). Mas há um número cada vez mais expressivo de pessoas que encontram o meu blog através de mecanismos de busca (o que também é ótimo, já que o blog vai subindo no ranking desses mecanismos).

O melhor de tudo, porém, é poder ver o que a pessoa estava digitando no Google quando achou meu blog no meio do caminho. Em alguns casos, acho que a pessoa tropeçou nele. São as buscas mais insanas e improváveis que – contrariando toda a lógica – vieram parar aqui!
Eu me divertia horrores quando a Lola resolvia dedicar um post a essas estranhas buscas do Google, e então resolvi compartilhar algumas pérolas – as mais bizarras – com vocês. Abaixo, em itálico, tudo sic.
“assistir o filme em que uma mulher tem um amigo imaginario que é um menino” – Não consigo lembrar de nenhum filme com essa sinopse, mas pelo menos esse disbravador(a) do Google encontrou o post em que falo do filme em que um menino tem monstros como amigos imaginários. Que é muito mais legal. Mais um cliente satisfeito.
“caractere para orkut raio” – O que raios essa pessoa estava esperando encontrar? Seja o que for, passou bem longe. Aliás, o que teve de gente atrás de coisas para orkut e caiu aqui de paraquedas não está no gibi.
“como posso começar a destribuir a minha criação publicitária para o país” – Genial. Simplesmente genial. Você pode começar assim: primeiro, pare de perguntar coisas para o Google como se fosse um atendente de guichê. Depois procure saber – e o mais importante, entender – o que é uma agência de publicidade. Já ouviu falar? Boa sorte.
“e-mail falso no dia do seu anivesario” – Juro que não entendi. Mas acho que é mais provável receber um e-mail de parabéns verdadeiro no dia do seu aniversário de mentirinha, do que receber um e-mail de mentirinha no dia do seu aniversário verdadeiro. Sério, eu já testei isso.
“como se vestir de lobo” – A pergunta é: pra quê você vai se vestir de lobo?
“ilustracao de criancas que tenha haver com a musica velha infancia” – Um belo exemplo de como muita gente definitivamente não sabe fazer uma simples busca no Google. Ou elas fazem perguntas como se o Google fosse o tiozinho do balcão de informações, ou jogam termos absolutamente sem noção porque não devem fazer a mínima ideia do que estão procurando. Isso é ainda pior do que não saber fritar um ovo. É praticamente uma nova modalidade de analfabetismo funcional. Mas buscar uma informação na internet pode ser um processo penoso para quem não fala nem seu próprio idioma. Por isso o Google trouxe essa busca pra cá. Para me fazer sofrer com tanto erro de português. Só pode.
“mulheres negra gtalk” - Esse sujeito acha que Google é tipo o quê? Bate-papo do UOL? “Oi, estou procurando mulheres negras, altas, saradas, com gtalk e webcam. Alguém quer tc?” Não é assim que funciona, querido. O máximo que encontrou aqui foi uma usuária de gtalk meio encardidinha.
“o nome aline escrito para colocar no perfil do orkut” - Nossa, sério mesmo que isso foi tão difícil a ponto de levar essa criatura a recorrer ao Google? Aí vai: Aline. Pronto, mais um cliente satisfeito.
“o que eu faço quando os caracteres não conferem” - Depois de uma dessas, não sei nem mais o que dizer. Sério, como faz? Peço ajuda aos universitários.

ESQUILO!
“o que significa esquilo no filme up” – Se você não viu UP, está pedindo ao Google o spoiler de um dos moment… ESQUILO!… mais geniais do filme.
“o que significa inativo no orkut” - Simples. Significa sem atividade. No orkut e onde mais usar a língua portuguesa.
“obrigado por ter lembrado do meu aniversario-mensagem para orkut” - De nada, mas eu não lembrei. Eu não lembro o aniversário de ninguém. Mas o que me deixa impressionada é a total falta de capacidade dos usuários do orkut em redigir um simples “obrigado”. Se quiser algo diferente, experimente “valeu”. Funciona também.
“odeio a vida academica” – Acontece. Especialmente quando alguns professores entram na sua vida acadêmica dispostos a fazer com que você passe a odiá-la. Abraços, Rita. Mas esse semestre você está com dois fortes concorrentes.

Alô você que faz buscas no Google sobre o Orkut: GET A LIFE!
“palavras para orkut coloridas e prontas no conte algo para seus amigos” - Coloridas e prontas. Tipo uma sopa instantânea Maggi. Ê lasqueira. Mais um exemplar da espécime “aprendi usar o orkut antes de aprender a pensar e a escrever”.
“qual a importancia da redação publicitaria” - Essa na verdade foi uma busca legal. Essa pessoa passou um bom tempo lendo meu blog, e espero que tenha saído sabendo o quão importante é a redação publicitária (além de saber que importância e publicitária levam acento justamente pelo mesmo motivo ortográfico)
“porque meu aniversário não foi lembrado no orkut???” - Eu não sei, e duvido que o Google saiba. Apenas tente se conformar com o fato de que você é um mala.
“redação publicitária a distancia” - Esse seria alguém à procura de algo estilo Telecurso 2000, ou alguém que quer total distância da profissão?
“regras com ilustrações da super nani” - Olha, acho que a Super Nanny não desenha.
“scraps de aniversario bem doido” - Hahahaha! Morri! Próxima!
“vcs pode me emforma onde encontro a traduçao do x-men mt para pc” - Quem sabe quando eu (ou o Google) entender o que é “mt para pc” você possa ser “emformado”. Alguém?
Sentiram o drama? Apesar disso, espero que o Google continue mandando essas buscas para cá. Assim o meu blog sobe, ganha novos visitantes, e de quebra eu me divirto.

Alguém tem que fazer o trabalho sujo.

Velharia uma ova! Ainda escreve que é uma beleza!
Essa é a frase mais memorável do pistoleiro Roland Gilead, no livro “A Torre Negra” de Stephen King, que faz referência às coisas que não podemos esquecer para nos mantermos íntegros em um mundo já sem valores. E hoje tomo essa frase emprestada para homenagear o culpado pelo meu potencial à inclinação literária, desde que eu era apenas um faceiro zigotinho.
Hoje é aniversário do meu pai, artista e poeta que o tempo não vai conseguir derrubar (e espero que a rotina de trabalho também não!). Como eu não conseguiria escrever nada à sua altura, resolvi compartilhar com vocês uma de suas poesias, que expressa bem o seu estilo único de escrita. Aqui vocês podem conhecer outros poemas e entender porque tenho tanto orgulho do meu velho!
O Criador
… em meio as reticências,
entre parênteses e colchetes;
saem meus poemas:
( sabedorias )
para todas almas;
que exclamam,
que interrogam,
por tão pequenos mistérios.8º)- [ [..olhe para o céu
(esse teto azul)
veja as formas, algumas sequer imagina...
outras porém busque enxerga-las.
... ali, bem além... há um infinito
que o Homem não alcança.
Olhe profundamente pelo corpo
e encontre a essência que o move.
E saiba que... dos olhos para cima há ‘um’ além,
dos olhos para dentro ‘outro’ além,
(esse... pode desvenda-lo até o limite do seu fim).
(... daí todo bem, todo mal, toda crença, toda sapiência,
qualquer ato criado, qualquer filosofia, qualquer mistério...
e todo segredo resolvido),
fluirá para o Todo
de onde uma criação oculta
(continuada)
dos espaços inacabados... (ainda se realiza);
[ já que a arte de criar para quem cria nunca se finda.]… olhe para o Universo,
(esse espaço único) entre EU e você
e saiba das formas acima ou abaixo,
que SOU uma delas!
Não me pergunte,
Quem? Qual?[ irá imagina-la após o seu fim.]
… Sendo assim, continuarei a SER ( aquele teto azul )
(tão indefinido… tão infinito.)… e só, além de mim, estará você … muito além.
Tudo que criei não foi totalmente para o fim.
Criatura, agora olhe para mim! ]]… em meio
as reticências,
entre parênteses e colchetes,
tantas almas
reenganam
por tão misterioso segredo:
( O CRIADOR, a criatura. )Élsio Soares
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Alan Moore e a falta de imaginação do cinema
4 comentários | Postado por Valek em Filmes, Histórias Esquecidas, Leitura

Gaiman e Moore
A estreia de Avatar, de James Cameron, e seu consequente sucesso de bilheteria trouxe uma série de críticas por ser um filme “sem história”. Mas como esse é um assunto tão last month, não pretendo entrar muito nesse mérito, embora eu acredite que é preciso saber separar uma história que eu não goste de uma história que non ecziste. E francamente, a história de Avatar está ali. Não é a mais original, uma história que se diga “noooossa que genial, até gozei!!”, mas a história não só existe como está acompanhada da construção de um universo exuberante e completo para que ela acontecesse.
Já disse que não é sobre isso que pretendo falar, né?
Apenas mencionei pois foi justamente isso que me lembrou de uma entrevista do Alan Moore que encontrei na época em que Watchmen estava sendo adaptado para o cinema, e até cheguei a postar em meu antigo blog, o Histórias Esquecidas.
Junto dela, também encontrei uma entrevista originalmente publicada na Inglaterra pela revista Knave, em 1900-e-eu-não-tinha-nascido-ainda, feita pelo Neil Gaiman (sim, o próprio) em sua época de jornalista (ninguém é perfeito), que contava como entrevistado ninguém menos que Alan Moore, criador de Constantinte, Monstro do Pântano, V de Vingança, A Liga Extraordinária, e tantos outros. Dispensando os óbvios comentários sobre o quanto o cara é foda, segue a entrevista em que Moore criticou a adaptação cinematográfica de Watchmen.
Concordam? Discordam? Acham que hoje em dia as pessoas estão mais exigentes em relação às histórias que veem no cinema? Ou que na verdade estão ainda mais preguiçosas, esperando que o filme já lhes dê as histórias prontas? A caixa de comentários é toda de vocês!
Entrevista de Moore para a Wired, em tradução livre:
“(…)Acredito nos testes de Pentagon no final dos anos 80, em que os quadrinhos foram considerados o melhor meio de transmitir informação para alguém de uma forma que irão reter e se lembrar. Eu pessoalmente sinto – e isso é só uma besteira de hippie pseudo-cientista – sinto isso porque a unidade de circulação do que costuma ser chamado o lado esquerdo do nosso cérebro é a palavra. O lado esquerdo do nosso cérebro é relativo à nossa fala e à racionalidade. A unidade de linguagem para o lado direito do nosso cérebro, pelo contrário, seria a imagem, afinal, o lado direito é preverbal.
Talvez seja por causa da combinação de palavras e imagens numa forma de leitura que os quadrinhos têm este poder único. Agora, é claro, filmes são uma combinação de palavras e imagens, mas têm uma estrutura e um modo de trabalho completamente diferente.
Uma das minhas grandes objeções aos filmes, é porque são imersivos demais, e acho que isso nos transforma em pessoas preguiçosas e sem imaginação. A absurda duração que o cinema moderno e suas capacidades de computação gráficas conseguem alcançar para salvar a audiência de incomodar a si mesma de imaginar alguma coisa por si próprias, provavelmente causará um efeito de limitação na imaginação das massas. Você não tem que fazer nada. Com um quadrinho, você tem que fazer um bocado mais. Mesmo tendo figuras lá para você, você terá que preencher todas as lacunas entre os painéis, terá que imaginar as vozes dos personagens. Você terá um bocado de trabalho nisso; não tanto quanto um livro sem ilustrações, mas ainda assim, terá muito trabalho.
Parece que a audiência exige que tudo seja explicado para eles, que tudo seja fácil. E eu não acho que isso seja uma boa cultura. Eu me lembro do King Kong de Willis O’Brien e de outros artistas que tornaram coisas como essa possíveis. Sim, eu sabia como isso era feito. Mas parece tão maravilhoso. Hoje em dia, eu vejo um milhão de Orcs correndo pelas colinas e fico entediado. Não fico nem um pouco impressionado. Porque, francamente, eu poderia pegar qualquer um passando na rua que conseguiria criar os mesmos efeitos se dessem a ele meio milhão de dólares para fazê-lo. Isso remove a arte e a imaginação e coloca o dinheiro no banco do motorista, e eu acho que é uma equação bem lógica – em que há uma relação inversa entre dinheiro e imaginação.
A maioria dos filmes que vejo parecem ter o mesmo nível de desaprovação que esperam no nível da exibição pirotécnica. É tudo “ooh” e “ah”. Essas parecem ser as únicas respostas apropriadas à maioria dos filmes modernos. Acho que estamos entrando em um período de reavaliação cultural. Espero que seja verdade, porque acredito que se não estivermos, estamos em um período de condenação cultural. Temos que repensar essa coisa toda, e acredito que repensar nossa cultura é parte disso. Eu realmente espero que sim.”
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Sou só um menino vestido de lobo
3 comentários | Postado por Valek em Filmes, Notas da Autora
Assim que Onde Vivem os Monstros (no original, Where the Wild Things Are) entrou em cartaz no cinema, resolvi me adiantar e dar uma lida no livro em uma dessas vezes em que tive que matar o tempo no shopping até a hora do almoço. Fui até a seção infanto-juvenil (definitivamente minha favorita) e peguei o livro de Maurice Sendak, em uma edição mais nova do original escrito em 1963. Ilustrações, de fato, encantadoras. Já quem achou que Avatar de James Cameron não tem história, ia ficar um bocado decepcionado. A história do livro de Sendak é no máximo um pretexto para as ilustrações. Conta as aventuras de Max, um menino desobediente que é mandado de castigo para o quarto por fazer bagunça. Começa a imaginar um mundo cheio de monstros onde ele possa reinar e agir como um, mas volta ao seu quarto a tempo de encontrar seu jantar quentinho. Um livro que você lê em dois minutos. Ok, em cinco, se der atenção a cada desenho. Mas não se pode exigir uma história muito elaborada de um livro feito para crianças em fase de alfabetização – e nisso, cumpre muito bem seu papel. É um livro que daria ao meu filho, sem dúvidas.

capa do livro
Então fiquei ansiosa para ver que tipo de limonada Spike Jonze faria deste limão. As imagens da prévia já haviam mostrado que o visual do filme seria tão fascinante quanto o do livro: monstros corpulentos, peludos, de feições monstruosamente simpáticas. Mas só quando estava devidamente acomodada na poltrona do cinema, é que percebi que a beleza da ambientação do filme ia muito além. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Geralmente, não presto muita atenção a este detalhe, não sou uma pessoa muito ligada ao sentido da audição. Mas as músicas saltavam do filme, cantadas por vozes infantis tão sinceras, tão reais, dando ainda mais motivos para eu me envolver na história. E que história.
Max, interpretado por Max Records, é um caçula cheio de energia e imaginação ignorado por sua irmã mais velha, e que acaba tendo que se virar brincando sozinho. A cena dele brincando na neve e dando ordens à cerca me lembrou bastante o Calvin, outro garoto solitário e hiperativo que tem como único amigo imaginário um urso de pelúcia. A história sugere (entre outras inúmeras coisas que deixa apenas na sugestão) que o pai dele já está morto. A mãe de Max é uma mulher visivelmente cansada, que se desdobra no trabalho e passa por dificuldades em mantê-lo. Mas ainda assim é o único refúgio de Max – e ele, o dela. É para quem ele conta suas histórias, faz suas dancinhas engraçadas, é para quem guarda um lugar no seu refúgio contra a lava imaginária.
E então, quando sente essa sua zona de segurança ameaçada ao ver sua mãe se envolvendo com um homem, se rebela. É uma cena memorável a que veste sua fantasia de lobo, sobe em cima da mesa e grita “Feed me, woman!”. A mãe tenta controlá-lo (se já tivesse assistido Super Nanny saberia como lidar com isso), mas o garoto grita, esperneia e lhe morde com força. Quando percebe o que fez, fica desesperado e sai correndo pela rua, chorando, uivando e gritando. A mãe nunca consegue alcançá-lo. É dada uma enorme carga dramática a um momento do livro que se resumia ao castigo.

É de barco que ele chega aonde vivem os monstros. O mais curioso é que as criaturas têm nomes comuns (pelo menos para americanos), e não falam nenhum tipo de idioma estranho. Exceto pela aparência, falam e se comportam como nós – ou melhor, como nossas crianças. Isso fica bem claro quando Max, para se salvar de ser devorado por eles, os intimida dizendo que tem poderes e conta histórias de como explodiu a cabeça de vikings malvados. É engraçado como os monstros acreditam ingenuamente em cada palavra do garoto e até o nomeiam como seu Rei. É a beleza da mesma ingenuidade que levam as crianças a acreditarem com veemência nas histórias de fantasia que contamos a elas.
O filme não dá respostas prontas. De certa forma, é você quem cria sua história. Há muito espaço para você imaginar, e isso é o mais gostoso do filme. Ele no máximo sugere, e vai se desenvolvendo sobre o relacionamento de Max com seus novos amigos (ou súditos), baseado em diálogos incríveis e intensos justamente por serem singelos, com a simplicidade que a infância tem.

"There's one in all of us"
Mas é importante observar que cada personagem tem características muito marcantes e que nos revelam as muitas facetas de Max: Carol é o rebelde e impulsivo, o que levou o garoto a se identificar com o monstrão logo de cara. Judith é ranzinza, mal-humorada e meio agressiva, o que me levou a me identificar com ela logo de cara. Ira é o criativo, gosta de fazer buracos nas árvores como forma de expressão artística. Tem o Alexander, muito carente, sempre ignorado pelos outros. O Douglas é um grande companheiro; se você pudesse levar só uma coisa a uma ilha deserta, com certeza seria ele. Há também o touro, ele sequer chega a ser apresentado ao garoto; é observador e tem um quê de melancólico. E há a KW. Ela desperta um sentimento diferente em Carol, o que nos leva a acreditar que eles já tiveram uma forte relação que agora se encontra em crise.
Como eu já disse, Max chega ao mundo dos monstros na metade dessa história: Carol está revoltado porque as coisas mudaram, e parece que isso só aconteceu depois que KW foi embora (por um motivo que ainda não cheguei a entender muito bem, mas tem a ver com corujas). Carol explica a Max: “Antes todos costumavam ficar juntos. Sabe, é como se você estivesse perdendo seus dentes um a um. Eles vão ficando bem separados, e quando você percebe, já não tem mais nenhum”. Isso me fez pensar na KW como algo de materno, e na relação entre ela e Carol como um equivalente à relação de Max e sua mãe. A zona de segurança. O refúgio.
E crescer se trata de deixar esse refúgio. Max está passando por uma fase de crescimento, e o que acontece no mundo dos monstros tem muito a ver com isso. “As coisas eram mais simples quando brincávamos de guerra de lama”, diz Ira. E ele tem toda a razão. Não era bem mais simples quando você não tinha que se preocupar com seu extrato bancário, com o fato de estar no cheque especial e não conseguir sair dele? As coisas não eram mais simples quando você podia se vestir de lobo e fingir ter poderes? Ou quando você não tinha que lidar com grandes responsabilidades como faculdade, trabalho, ou cuidar de uma família?
A crise que Max passa quando deixa sua casa surge do conflito de crescer e ter que deixar seu refúgio. No mundo dos monstros, seu reinado é baseado em bagunça, inventar brincadeiras novas, construir uma grande fortaleza onde só acontece o que querem que aconteça. Um reinado para viver como criança com toda intensidade; mas não era o suficiente. Ser rei representa uma grande responsabilidade. O rei é responsável pelo sentimento dos seus amigos monstros, por cuidar deles, fazer com que sejam felizes. Quando percebe que não é capaz de tamanha responsabilidade, Max entende que não é um rei, e que nem tem grandes poderes. Que é só um menino normal vestindo roupa de lobo.

Um amigo disse que o filme é uma análise do comportamento infantil, e que seria mais fácil entender vendo dessa forma. Já eu digo que esse é um filme sobre imaginação (a do garoto e a nossa também), e que as coisas ficam ainda mais interessantes tendo isso em mente.
É um filme muito bonito, envolvente, e pode parecer esquisito se você estiver esperando uma história infantil convencional (ou qualquer tipo de história convencional). Não basta descrever, buscar as minhas interpretações e mostrá-las para dizer o quanto o filme é interessante. Recomendo que assistam e busquem suas próprias interpretações (se vierem aqui dividi-las comigo ficarei ainda mais feliz). Só há uma forma para descobrir afinal, onde vivem os monstros: ir você mesmo encontrar os seus.
Ela se sentou para jantar, e ele veio em seguida, cheio de segundas intenções. Trocaram olhares. Ele roçou a perna dela por debaixo da mesa. Até que a moça correspondeu: jogou para o cãozinho um pedaço do bife.
Não importa que o ano já esteja experimentando seus derradeiros momentos, agora que o calendário quase se esgota; a gente só tem a sensação que o ano acaba mesmo com uma daquelas manjadíssimas retrospectivas (ou com a tal maratona de São Silvestre, um clássico dos 31’s de dezembro).
Por mais que eu não seja exatamente do tipo que adoooora um reveillón, que se veste de branco com uma roupa íntima colorida pra chamar dinheiro, que sai por aí estourando champanhes, comendo lentilhas e cumprindo as mais desvairadas simpatias, sinto que alguns rituais têm lá seu gostinho quando cumpridos. É como usar uma espada, com um golpe limpo, preciso e cruel, para arrancar a cabeça daquela criatura que já agoniza, somente à espera de seu golpe de misericórdia. Okay, okay, dramatizei demais. Mas vocês entenderam a essência da coisa, né?
E como esse ano passou voando, rápido e certeiro como uma mensagem de 140 caracteres, nada mais justo que uma retrospectiva à moda do Twitter. Vai aí a seleção dos meus tweets sobre os assuntos mais relevantes do ano. Separei por categorias, caso você seja um daqueles leitores “new generation” que não conseguem ler nada com mais de 140 toques. Sirva-se! (meus comentários aparecem em negrito, assim ó)

Adeus ano velho!!!
#Acontecimentos Memoráveis
1. Na minha cabeça, só consigo aplicar às palavras “ideia” e “linguiça” as novas regras ortográficas.
2. Opaaa! Dia do desenhista que emoção! (15 de abril, marquem em seus calendários!)
3. Só sei de uma coisa: um país com nível de escolaridade tão baixo não devia estimular seus profissionais a não fazer faculdade. #prontofalei (sobre a queda do diploma de jornalismo)
4. Não acredito. Agora até meu pai @elsiosoares tem twitter. O que tá acontecendo com esse mundo?
5. Parece que a morte de um astro é mais relevante que um golpe de estado. Enqto isso, em #Honduras… http://migre.me/2YEX
6. A onda conservadora e a batata da onda. Agora só posso comer o salgadinho rosa? http://migre.me/3s2d
7. Feliz Dia do Escritor! 25 de julho! \o/ (via @robertodenser)
8. Pela primeira vez, entrei no cheque especial! Sem dúvidas, um momento inesquecível.
9. Comercial das havaianas: homem sendo objetificado sexualmente e idosa falando de sexo. Não precisou de mais nada para incomodar as pessoas.
10. Que tipo de roupa um HOMEM precisaria usar para causar a mesma confusão que a “puta” da Uniban? #pense
11. Meu irmão sobre #Rio2016: “Foda-se, tanto faz. O mundo vai acabar em 2012 mesmo” XD
12. Copa do Mundo e Olimpíadas inspiram um patriotismo vesgo nas pessoas. #prontofalei
13. Só alguém com mentalidade muito medieval pra querer dar à internet o mesmo tratamento de rádio e TV nas eleições.
14. Parece que finalmente estou no GWave, mas não faço ideia de como mexer nisso…
15. Remember, remember, the 5th november… RT @dbastos saudemos o dia de guy fawkes tentando explodir alguma coisa. todos. agora. comigo.
16. Eu vi e adorei o ensaio da Playboy com a @youngporra. Minha foto favorita é a que ela está dentro de uma gaiola, vestindo só um corselete…
17. Qual é o retardo de pessoas que lutam pelo direito de discriminar e ofender gays, sendo contra o PL 122?
18. I´m an oldschool retweeter! RT @RenataLocutora Eu fico mesmo é com RT raiz, o RT moleque, o RT arte!
19. Dia mundial de combate à AIDS e ao preconceito. #red (o dia em que o Twitter se pintou de vermelho por uma causa nobre)
20. Justo no dia em que o #iesb pode ir pelos ares em um atentado contra #Ahmadinejad eu não estarei presente. Tsc. (dia da visita do malucão iraniano ao Brasil)
21. O que está acontecendo com essas blogueiras que ficam com crise de identidade e fecham seus blogs? Pô…
#Universo publicitário
22. Huahauhau! Calvin explicando muito bem meu processo criativo: http://tinyurl.com/6ptx64 (via @radfahrer)
23. Semana literalmente punk: job de campanha na agência, apresentação do seminário de semiótica, e trabalho final da Funyl. Espero sobreviver.
24. Resultado da semana tensa: Campanha aprovada na agência. Ganhar primeiro lugar na Funyl. Sucesso total no seminário de Semiótica.
25. “Ai ai… Quando vão entender que viral é EFEITO, e não causa – e que não é sinônimo de mal-feito?” Luli Radfahrer
26. O engraçado de ser publicitária: minha mãe não faz a mínima ideia do que eu realmente faço.
27. Ser publicitário é como ser puta. Você trabalha até tarde da noite e seus pais não sabem direito o que vc faz. (essa é do @mr_numbersix)
28. A Bees tem cada ideia de jirico pro IESB, que eu não sei quem é pior: quem cria, quem aprova, ou quem perde um tweet falando dessa merda.
29. Chico Buarque by publicitários: (sen-sa-cio-nal XD) http://filli.blogspot.com/2009/09/desconstrucao.html (ser retuitada pelo Marcelo Serpa: acho que vai até pro meu currículo, hein!)
30. Eu já sei o que acontece quando me dizem: “Vou te passar um job que você vai adorar…”
31. Saber escrever textos curtos e simples é uma arte. No meu caso, uma arte abstrata.
32. A retórica aristotélica é meu pastor e nada me faltará.
33. Jingle bells, Jingle bells. Acabou o título. #JobDeNatal
34. Depois do filme “Atividade Paranormal” tô pronta para fazer muitos jobs fantasmas.
35. Esse negócio de só escrever sob demanda cansa. E muito. #BloqueioMental
#Vida Acadêmica
36. Você acha que pessoas que fazem pesquisas são chatas?
37. Acabo de me tornar mãe. Esse Relatório Final de Pesquisa foi um verdadeiro parto.
38. Eu estava doida pro semestre acabar… mas agora que está acabando, começo a me sentir um pouquinho vazia.
39. Pra ele não esquecer RT @caviloos: ALINE, GRAVA ISSO EU VOU SER UM ALUNO EXEMPLAR SEMESTRE QUE VEM (e não é que ele cumpriu mesmo?)
40. Menções na faculdade: SS (super star) MS (muita sorte) MM (mais ou menos). Com 3 Super Stars e 2 Muita Sorte, acho que tô bem esse semestre. (mas no seguinte acabei tirando 1 Super Star e 4 MS, de “Muita Sacanagem”)
41. Passei a manhã lendo sobre Semiótica. É impressionante. (mais impressionante ainda é como alguns professores conseguem acabar totalmente com o interesse dos alunos por uma matéria. Dá-lhe, Rita!)
42. Complicado isso do IESB demitir os professores…
43. Dúvida. Depois de toda a reviravolta no IESB no final do semestre passado, será que pelo menos o prédio continuará lá quando eu voltar?
44. RT @caviloos “Eu odeio o pessoal da minha sala”
45. Eu já disse hoje que odeio as pessoas da minha sala? … Ah, tá.
46. Hoje eu constatei empiricamente que cursar faculdade definitivamente não confere a ninguém inteligência e senso crítico.
47. Tive um insight incrível esse final de semana, que, se não acabar virando meu TCC, vai pelo menos chegar a ser meu pré-projeto. (e vai virar mesmo, me aguardem!!)
48. Perto da hora de ir para a facul, bate o desânimo. Chego lá e tenho que ouvir cada boçalidade de alguns primatinhas semi-evoluídos. Pff.
49. “Oi, Aline! Ainda não fiz a dissertação de ética, tava pensando em pegar a sua que o prof gostou e mudar o contexto pra entregar pra ele.” – Ajudem-me a criar uma boa resposta pra esse animal.
50. Ao animal que me pediu a dissertação para “mudar o contexto” e entregar para o prof, respondi o email com cópia para TODO MUNDO DA SALA.
51. Uma professora que fala “tipologia” em vez de “tipografia” TRÊS VEZES SEGUIDAS não merece o meu respeito.
52. Rita Brasil, favor desista de ser professora. Obrigada.
53. Lição do FDS: A faculdade é um jogo feita apenas para os professores vencerem – não importa o que aconteça.
54. Oficialmente, acabou o semestre mais tenebroso da minha vida acadêmica. Quinto semestre, aí vou eu.
#Polêmicas
55. A imprensa é anacrônica mesmo. Daí a crise. Não percebem q é mt + interessante termos acesso direto à fonte sem precisar deles.
56. Não tem jeito. Sou fã assumida desse cara, cada vez mais. Ele tinha que ser presidente pelo menos uma vez: @cris_buarque
57. Se existem coisas como coronelismo na nossa política, a culpa é só nossa. Mais do que tuitar, é preciso saber votar e exercer cidadania.
58. Tá certo, já passou da hora dos dinossauros do poder serem extintos. Tirem o Sarney, mas pensem em quem vão deixar entrar agora, PORRA.
59. Mais do que lutar por #forasarney, temos que lutar para que Educação Política seja parte do Ensino do nosso país desde cedo. #prontofalei
60. No blog da Lola: “Meu maior anseio como mulher não é ter filhos, mas sim ser uma mãe capaz de criá-los de uma forma a respeitar o próximo”
61. É impossível haver democracia em um Estado que privilegia a Igreja. Me lembra Idade Média. #foravaticano
62. Ai, que preguiça desse mundo escroto misógino do caralho. [literalmente]
63. “Não adianta ser sujeito na hora de escolher, se o CONTEXTO pode te transformar em vítima da sua própria escolha.” #lingerieday
64. O mais engraçado é sermos todos miscigenados, fazermos piadas como se fôssemos brancos, e acharmos que ainda assim não existe raça.
65. Racistas que não se acham racistas: “Se você não vê o problema, então VOCÊ É O PROBLEMA.” (by @AlexCastroLLL)
66. Bom saber que se um cara me dopar e me violentar agora só vai pegar no máximo 2 anos de cadeia. http://bit.ly/p6fgm (via @tuliovianna)
67. Defender cotas SÓ p pobres é ignorar a diferença gritante entre um pobre branco e um pobre negro. http://migre.me/5kxq
68. Por que RAIOS uma análise política de candidatas a presidenciáveis tem que descer ao nível de “essa dá medo” ou “essa não dá tesão”?
69. “Os resultados nos fazem refletir que a criminalização do aborto está condenando mulheres negras à morte”
70. “A desigualdade leva à religião, e quanto mais religiosas as sociedades, mais desiguais são”
71. Incrível. Pessoas que conseguem acreditar em deus, mas não conseguem acreditar na probabilidade da existência de vida em outros planetas.
72. “A principal função da liberdade de expressão é: sem ela, como saberíamos quem são os idiotas?” Alex Castro
73. Não assumimos que somos privilegiados para continuar acreditando que vivemos em uma meritocracia.
#Cinema
74. Ontem fui assistir UP. O filme é genial, com certeza um dos melh… ESQUILO! …melhores filmes já feitos na história da animação.
75. Hoje assisti ao filme Terra Fria, com Charlize Theron. Quero ver quem é macho de assistir e não sentir o mínimo de empatia pela personagem.
76. Inglorious Basterds: o que posso dizer? Foda. \m/ Não recomendado para maricas.
77. Besouro: super bem produzido, roteiro sem hipocrisia, excelente abordagem sobrenatural, cenas de luta perfeitas. Recomendo!
78. Oh Ewya, por que não nasci em Pandora? #Avatar #QueroSerNavi
#Coisas da Autora
79. A prisão dos 140 caracteres. É agora ou nunca que aprendo a ser pontual ao escrever: ninguém tem todo o tempo e todo o espaço do mundo…
80. “Não te considero uma igual, porque não quero me comparar a uma mulher. Para sermos iguais, você precisa ser homem”: http://migre.me/DbP
81. All men are caught in an inescapable network of mutuality. Martin Luther King Jr. (essa vai até pra minha apresentação de Sociedade em Rede)
82. Já teve a sensação de que a sua vida é um tetris?
83. Para alguns, organizar os emails e deletar todo o lixo da caixa de entrada é inútil. Para mim, é quase uma terapia.
84. Quero ser Wikipedista!
85. O Skoob é o meu novo orkut.
86. “Iniciar um blog signfica q um dia ele será abandonado sem comida e sem assunto. Não me tome como exemplo. Jamais abandone seu blog” by @3df
87. Agora eu sou uma quatro olhos! ^^
88. Eu não esperava que meu Desafio Redator valendo convites pra o Gwave e Orkut ia render tanta participação e ideias! http://twitpic.com/quzy4
89. Hoje é dia de Punk’d em massa… Até meus chefes caíram! Putz! (você pode ler mais sobre o incrível caso do aniversário falso aqui)
#Lado Negro da Força
90. Sabe quando a incompetência das pessoas é tão grande que te dá PREGUIÇA ao invés de raiva?
91. Julho só me lembra uma coisa: inferno astral. Mas dia 29 acaba. Queiram os deuses que sim.
92. Caralho, esse nerdcast é muito retardado. Não tenho paciência.
93. Pro inferno essa TIM. “Sem fronteiras” é o abuso desse plano maldito.
94. Estou cada vez mais adepta da misantropia.
95. Se você me acha megera, estúpida, arrogante, ranzinza e intolerante… é, você tem razão. #prontofalei
96. Vou começar a distribuir #unfollow na vida real também.
97. Não passo adiante algo que alguém me PEDIU para divulgar. Sou só eu que sou assim?
98. Pq maldade dá tanto prazer? #SithFeelings (dizem que isso se chama Schadenfreud)
99. Que foi? Se não gostou de algo que eu falei, dá unfollow. Não tuito para fracos.
100. Que os deuses me dêem paciência. Porque se me derem força, eu vou quebrar esse fucking computador em pedaços.
101. Bons tempos eram aqueles de pura selvageria onde você resolvia os assuntos com uma pessoa enfiando um machado no crânio dela.
102. “As pessoas acham que ser um supergênio é divertido, mas não sabem quão difícil é tolerar todos os idiotas do mundo” (Calvin & Haroldo)
103. Pessoas com QI de caramujo deviam ser banidas do Twitter. Unfollow e block é pouco.
104. Frustração é o nome do ano de 2009 para mim. Abs a todos os envolvidos.
Por pouco e seriam 140 momentos de 2009 em 140 caracteres. Mas resolvi parar no 104 antes de encher a paciência de vocês. Se achou pouco, é só me seguir aqui, ué. E nem adianta vir de mimimi, vocês já estão avisados: não tuíto para fracos!
That’s all, folks. A gente se vê em 2010, com post novo e tudo!
No capítulo anterior, propus um exercício de memória que consistia em tentar lembrar, em 1 minuto, do máximo de nomes de artistas de quadrinhos que fosse possível. Através dessa brincadeira foi possível constatar algo que é fato no mercado editorial de quadrinhos: o pouco espaço que as mulheres têm, em relação aos homens, como criadoras e produtoras.
Mas existem mais mulheres nesse negócio do que a gente imagina (tanto que tive que dividir o post em dois). Aqui, continuo apresentando algumas das artistas que vão figurar no projeto da Marvel previsto para março, a GIRL COMICS, e ainda falo das brasileiras dentro do universo dos quadrinhos.

Começando com Jill Thompson, uma velha conhecida da minha prateleira. Escritora e ilustradora, a grande maioria de seus trabalhos tem alguma relação com o mestre Neil Gaiman, ora ilustrando as histórias escritas por ele, ora ilustrando e escrevendo histórias dentro do universo por ele criado.
Ela tem uma lista gigantesca e invejável de trabalhos: participou de algumas edições de “Sandman”, trabalhou na série “Livros da Magia”, “Orquídea Negra”, “Dead Boys Detectives”, “Vidas Breves” até em “Monstro do Pântano”, sem falar, é claro, do clássico e incrível “Morte – A Festa”. Fez vários trabalhos para a Darkhorse, Marvel, e tem sua própria série publicada pela Sirius Entertainment: “Scary Godmother”, adaptada para uma animação que Jill editou, dirigiu, produziu, assinou direção de arte, pintura de background, etc, etc. Ufa!

"Garotas podem ser o que quiserem! Até personificações antropomórficas de aspectos do Universo!"
Valerie D’orazio trabalhou como editora de várias séries da DC, como “Aquaman”, “Catwoman”, “Arkhan Asylum”, “Liga da Justiça”, “Crise de Identidade”, e vários outros. Mas é em seu trabalho para a Marvel, “Cloak and Dagger” (a dupla Manto e Adaga) que atuou como escritora; além de ter seu próprio livro, chamado “Memórias de uma Super-Heroína Ocasional”. Destaca-se principalmente por ser presidente da associação Friends of Lulu, que trabalha para promover as garotas na indústria de quadrinhos, como produtoras e leitoras. Não deixem de conhecer, elas até organizam Prêmios Anuais!

Aí vai outra ilustradora que trabalha bastante: Colleen Coover, artista com uma lista imensa de trabalhos já realizados para a Marvel, entre eles, inúmeras edições da série “X-men: First Class”. Vale a pena dar uma olhada na galeria dela, seu estilo é inconfundível; além do mais, ela é famosa por suas histórias lésbicas de apelo erótico (cuidado com o link).
Outras artistas que vão estar no GIRLS COMICS: Molly Crabapple , Ming Doyle e Carla Speed McNeil.
Se tem um lugar em que as mulheres não precisam se preocupar com um espaço reduzido de atuação em comparação com os homens, é o Japão. Por mais que a terra do sol nascente já tenha sido (e ainda seja, em alguns aspectos) muito machista e conservador, as artistas de lá não são tolhidas como no ocidente, onde desde cedo a gente aprende que super heróis e quadrinhos são “coisas de menino”. Isso acontece porque o mercado editorial do Japão é bem diferente, devido a uma cultura de leitura muito bem difundida. Logo, existe mangá com linguagem específica para todo tipo de público: crianças, adolescentes, adultos, sejam eles do sexo masculino ou feminino.

A grande maioria das consagradas artistas do Japão atua dentro da modalidade Shoujo (mangá para meninas), com um estilo de desenho mais delicado e com histórias que acabam focando no romance entre personagens e em conflitos emocionais (sem deixar de lado elementos como fantasia, aventura, drama e comédia). Essa é a marca registrada das meninas do estúdio Clamp, por exemplo, com sucessos como “Sakura Card Captors”, “Tsubasa Chronicles”, e “xxxHolic”.
É claro que isso não é uma regra, e a gente consegue encontrar histórias de estilo bem diferente assinadas por mulheres. Como é o caso de Shiori Teshirogi, autora da série “Lost Canvas”, de Cavaleiros do Zodíaco.
Ainda podemos encontrar mulheres altamente bem-sucedidas neste ramo, como Rumiko Takahashi, autora de “Inu-Yasha” e “Ranma ½”: seus mangás são sucesso de vendas, e é a terceira mulher mais rica de todo o Japão. É praticamente a J.K. Rowling oriental.
Vindo para o Brasil, a gente encara o outro lado do mundo e o outro extremo da situação: o próprio mercado de quadrinhos tem pouco espaço no “mainstream”, que é dominado por publicações estrangeiras. Para trabalhar com quadrinhos no Brasil, seja homem ou mulher, é preciso muita coragem para enfrentar um cenário cheio de adversidades, onde é preciso ralar em dobro para alcançar reconhecimento.
Apesar disso, temos importantes nomes para a produção nacional, como Maurício de Sousa, Henfil, Angeli, Laerte, Rafael Grampá, Fábio Moon, Gabriel Bá, Marcelo Cassaro, etc, etc. Mas por aqui, as diferenças se acentuam.
Na lista de indicados ao prêmio HQ Mix de 2009, entre os inúmeros nomes, apenas três eram de mulheres: Adriana Brunstein, indicada a melhor roteirista, Pryscila Vieira e Cibele Santos, indicadas a melhor tira nacional, com “Amely” e “Mulher de 30”, respectivamente. Será que está faltando um toque feminino em nossa produção nacional?

Calma lá, ainda temos outras boas representantes brasileiras nos quadrinhos: Erica Awano e Petra Leão, por exemplo. As duas já trabalharam juntas no que considero a melhor série brasileira de quadrinhos, a história de fantasia medieval “Holy Avenger”; a primeira como desenhista, e a segunda como roteirista de três edições especiais.

Depois de participar deste e de outros bem-sucedidos trabalhos no Brasil, Erica Awano se tornou um talento do tipo exportação, trabalhando para editoras gringas em projetos mega relevantes como a adaptação de quadrinhos do universo de Warcraft, e a série “The Complete Alice in Wonderland”, adaptação com roteiro de Leah Moore (filha do mestre Alan Moore).

Petra Leão, além de roteiros para nacionais como “Holy Avenger”, “Capitão Ninja”, “Dado Selvagem” e “Mercenários”, publicou no mercado americano sua série “Victory”, tornando-se a primeira mulher brasileira a publicar quadrinhos nos Estados Unidos. Atualmente é roteirista da “Turma da Mônica Jovem”, um inovador lançamento da editora de Maurício de Sousa.
Neste post tentei reunir algumas representantes femininas do universo dos quadrinhos, e inevitavelmente, deixei alguns nomes de fora (como de importantes artistas que o Doug lembrou nos comentários do post anterior).
Para finalizar, gostaria de chamar a atenção a um aspecto importante, que é possível observar especialmente em relação ao pouco espaço e reconhecimento dado às nossas artistas, no contexto brasileiro: este é um reflexo do espaço que não é dado à mulher, de uma forma geral, em uma sociedade expressamente machista.
As mulheres acabam sendo reféns de dois lados de uma mesma situação. Elas têm menos reconhecimento e menos espaço para produzirem seus trabalhos em uma área dominada por homens; e em razão dessa dominação masculina, são reféns de estereótipos femininos criados por eles para atender o ideal de um público também composto, em sua maioria, por homens. Afinal, faz parte do apelo ao público desta mídia utilizar personagens femininas que habitam o imaginário masculino, com atributos físicos e vestimentas que, na vida real, são rejeitados pela sociedade. Que dureza ser mulher, han.
Ainda bem que temos heroínas que já conquistaram seu espaço e vêm mostrando que, para produzir quadrinhos, não faz diferença ser homem ou mulher – desde que se tenha talento – e que as mulheres possuem muitos poderes, mas felizmente, a invisibilidade está deixando de ser um deles.
PS: Encontrei um artigo bem completo sobre o assunto. Quem quiser ler mais sobre, clica aqui. ;D
Se você é um dos aficcionados por quadrinhos que, assim como eu, cresceu em meio a um universo que vai além apenas do ato da leitura, então você está apto para um pequeno exercício mental que quero propor: marque 1 minuto em seu relógio, e dentro deste tempo tente lembrar-se do máximo possível de nomes de artistas que trabalharam em personagens e histórias geniais no mundo dos quadrinhos. Pronto? Pode começar.
Agora que o tempo acabou, responda: de quantos nomes conseguiu se lembrar? 10 nomes é uma boa média. Entre eles, aposto que a maioria – ou todos – que você conseguiu se lembrar é de homens. Mas e quanto às mulheres? Seria preciso uma forcinha extra para chegar a algum nome.
Sem dúvidas, a mulher é um elemento dos quadrinhos que não pode faltar para seu principal público consumidor: os homens. Mas, como você já deve ter imaginado pelo exercício de memória acima, não é exatamente dessas mulheres nos quadrinhos que este post trata (até porque seria possível citar mais de 20 boas personagens femininas em menos de 1 minuto). O título se refere, na verdade, às heroínas que estão por trás da criação das histórias em quadrinhos: as roteiristas, ilustradoras, produtoras, e por que não, as leitoras.

Há algum tempo, a Marvel anunciou para 2010 uma novidade que vai atingir diretamente cada uma dessas integrantes do mercado editorial de quadrinhos, e em consequência, o próprio universo das mulheres. A editora irá lançar a GIRL COMICS, uma minissérie feita exclusivamente por mulheres. E isso significa mulheres desenhando, escrevendo, letreirizando, arte-finalizando, produzindo, editando, TUDO. Não é sensacional? A primeira edição está sendo planejada para março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, e aos 30 anos de fundação do National Women’s History Project e da primeira aparição da Mulher Hulk.
Jeanine Schaefer, a editora da minissérie, falou um pouco sobre esse projeto inovador (minha tosca tradução):
Eu definitivamente penso que mulheres e garotas vão buscar [a minissérie], mas não porque fizemos uma combinação do que poderia fazer mulheres gostarem de quadrinhos. Estou esperando que seja encorajador ver tantas mulheres que estão ganhando a vida em quadrinhos, e a ideia é reforçar que quadrinhos possam ser (e já são) tanto para elas quanto são para os homens.
Para um mercado em que a mulher já alcança alguma expressividade como consumidora (mesmo que o público dominante ainda seja o masculino, assim como os homens também estão no domínio do meio de criação e produção), este projeto da Marvel representa um grande passo para a democratização da produção cultural.
Abaixo, vocês conhecem algumas das autoras e artistas que vão trabalhar no projeto GIRL COMICS – assim, da próxima vez que você fizer o exercício de memória, irá ter alguns nomes femininos para citar! ;D

► Quem leu quadrinhos entre os anos 80 e 90 certamente já leu algo de Ann Nocenti. Foi a sucessora de Frank Miller no roteiro de “Demolidor”. Entre diversos trabalhos para a DC e ainda alguns para a Marvel, foi roteirista de “Someplace Strange“, com a participação de John Bolton, um dos meus ilustradores preferidos.

► Kathryn Immonen já participou de roteiros em “Ultimate X-Men” e “Ultimate Spiderman”, mas seus principais projetos para a Marvel foram “Runaways” (traduzido para o Brasil como “Fugitivos”), em parceria com a ilustradora Sarah Pichelli; e uma série com uma personagem originalmente criada em 1944, “Patsy Walker: Hellcat”, com arte da capa produzida por seu marido, Stuart Immonen, outro grande destaque da editora.
► Marjorie Liu era advogada recém-formada quando percebeu que não gostava da coisa e queria mesmo era ser escritora. Seus principais trabalhos para a Marvel são: “Dark Wolverine”, que conta a história do filho de Logan; e “NYX: No Way Like Home”, uma bem sucedida série de jovens mutantes desgarrados.

► Aí vai um nome que você não pode esquecer se for fã de quadrinhos: Trina Robbins. Essa é figuraça importante na história dos quadrinhos americanos e na participação das mulheres nesse mercado. Tem vários trabalhos notáveis como roteirista, escreve há mais de 30 anos e é responsável pela criação da roupa de Vampirella, além de ter feito a arte a lápis das histórias da Mulher Maravilha nos anos 80. Trabalhou em um jornal feminista underground lá pelos anos 60. Foi ela que lançou os primeiros quadrinhos só para mulheres, chamado “Ain’t me, Babe Comix”. Tem uma extensa bibliografia de não-ficção voltada para o tema da mulher nos quadrinhos – seria bom encontrar alguma dessas obras no Brasil.

► Além de atuar como roteirista, Amanda Conner também é ilustradora e já teve inúmeros trabalhos publicados pela Marvel, DC e outras editoras. É dela o traço da série “Birds of Prey”, da DC (no Brasil, “Aves de Rapina”), “Power Girl”, além de ser responsável pela arte de “SuperGirl” e “Superman: Lois Lane”, além de vários outros trabalhos. E para inveja de muito marmanjo, Vampirella já passou por suas talentosas mãos muitas vezes.
► Outra grande roteirista, Devin Grayson, fez diversos trabalhos para a DC, como: “Novos Titãs”, “Asa Noturna”, “Superman”, “Os Titãs”, algumas edições de “Batman Chronicles”, “Batman Legends of Dark Knight” e outras muitas histórias envolvendo o homem-morcego.

Fez também alguns trabalhos para a Marvel, entre eles “Black Widow” e “Black Widow: Break Down” (Grayson tem os créditos de ter escrito uma das melhores histórias da Marvel que já li, com a ruivíssima e mortal Viúva Negra, definitivamente minha heroína favorita). Tem tantos trabalhos publicados que nem dá pra listar tudo aqui. É abertamente bissexual e o trabalho dela é muito apreciado pela mídia gay.
No próximo post, listo as outras mulheres que são figuras de peso no cenário americano de quadrinhos, e também uma comparação com outros mercados editoriais desse segmento, como o japonês e o brasileiro. E é claro: vou falar da mulher como consumidora de quadrinhos.
Continua…

