Archive for February 2010

Feb/10

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Redatora de Varejo

Alguém tem que fazer o trabalho sujo.

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Velharia uma ova! Ainda escreve que é uma beleza!

Essa é a frase mais memorável do pistoleiro Roland Gilead, no livro “A Torre Negra” de Stephen King, que faz referência às coisas que não podemos esquecer para nos mantermos íntegros em um mundo já sem valores. E hoje tomo essa frase emprestada para homenagear o culpado pelo meu potencial à inclinação literária, desde que eu era apenas um faceiro zigotinho.

Hoje é aniversário do meu pai, artista e poeta que o tempo não vai conseguir derrubar (e espero que a rotina de trabalho também não!). Como eu não conseguiria escrever nada à sua altura, resolvi compartilhar com vocês uma de suas poesias, que expressa bem o seu estilo único de escrita. Aqui vocês podem conhecer outros poemas e entender porque tenho tanto orgulho do meu velho!

O Criador

… em meio as reticências,
entre parênteses e colchetes;
saem meus poemas:
( sabedorias )
para todas almas;
que exclamam,
que interrogam,
por tão pequenos mistérios.

8º)- [ [..olhe para o céu
(esse teto azul)
veja as formas, algumas sequer imagina...
outras porém busque enxerga-las.
... ali, bem além... há um infinito
que o Homem não alcança.
Olhe profundamente pelo corpo
e encontre a essência que o move.
E saiba que... dos olhos para cima há ‘um’ além,
dos olhos para dentro ‘outro’ além,
(esse... pode desvenda-lo até o limite do seu fim).
(... daí todo bem, todo mal, toda crença, toda sapiência,
qualquer ato criado, qualquer filosofia, qualquer mistério...
e todo segredo resolvido),
fluirá para o Todo
de onde uma criação oculta
(continuada)
dos espaços inacabados... (ainda se realiza);
[ já que a arte de criar para quem cria nunca se finda.]

… olhe para o Universo,
(esse espaço único) entre EU e você
e saiba das formas acima ou abaixo,
que SOU uma delas!
Não me pergunte,
Quem? Qual?

[ irá imagina-la após o seu fim.]

… Sendo assim, continuarei a SER ( aquele teto azul )
(tão indefinido… tão infinito.)

… e só, além de mim, estará você … muito além.
Tudo que criei não foi totalmente para o fim.
Criatura, agora olhe para mim! ]]

… em meio
as reticências,
entre parênteses e colchetes,
tantas almas
reenganam
por tão misterioso segredo:
( O CRIADOR, a criatura. )

Élsio Soares

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Gaiman e Moore

A estreia de Avatar, de James Cameron, e seu consequente sucesso de bilheteria trouxe uma série de críticas por ser um filme “sem história”. Mas como esse é um assunto tão last month, não pretendo entrar muito nesse mérito, embora eu acredite que é preciso saber separar uma história que eu não goste de uma história que non ecziste. E francamente, a história de Avatar está ali. Não é a mais original, uma história que se diga “noooossa que genial, até gozei!!”, mas a história não só existe como está acompanhada da construção de um universo exuberante e completo para que ela acontecesse.

Já disse que não é sobre isso que pretendo falar, né?

Apenas mencionei pois foi justamente isso que me lembrou de uma entrevista do Alan Moore que encontrei na época em que Watchmen estava sendo adaptado para o cinema, e até cheguei a postar em meu antigo blog, o Histórias Esquecidas.

Junto dela, também encontrei uma entrevista originalmente publicada na Inglaterra pela revista Knave, em 1900-e-eu-não-tinha-nascido-ainda, feita pelo Neil Gaiman (sim, o próprio) em sua época de jornalista (ninguém é perfeito), que contava como entrevistado ninguém menos que Alan Moore, criador de Constantinte, Monstro do Pântano, V de Vingança, A Liga Extraordinária, e tantos outros. Dispensando os óbvios comentários sobre o quanto o cara é foda, segue a entrevista em que Moore criticou a adaptação cinematográfica de Watchmen.

Concordam? Discordam? Acham que hoje em dia as pessoas estão mais exigentes em relação às histórias que veem no cinema? Ou que na verdade estão ainda mais preguiçosas, esperando que o filme já lhes dê as histórias prontas? A caixa de comentários é toda de vocês! ;)

Entrevista de Moore para a Wired, em tradução livre:

“(…)Acredito nos testes de Pentagon no final dos anos 80, em que os quadrinhos foram considerados o melhor meio de transmitir informação para alguém de uma forma que irão reter e se lembrar. Eu pessoalmente sinto – e isso é só uma besteira de hippie pseudo-cientista – sinto isso porque a unidade de circulação do que costuma ser chamado o lado esquerdo do nosso cérebro é a palavra. O lado esquerdo do nosso cérebro é relativo à nossa fala e à racionalidade. A unidade de linguagem para o lado direito do nosso cérebro, pelo contrário, seria a imagem, afinal, o lado direito é preverbal.

Talvez seja por causa da combinação de palavras e imagens numa forma de leitura que os quadrinhos têm este poder único. Agora, é claro, filmes são uma combinação de palavras e imagens, mas têm uma estrutura e um modo de trabalho completamente diferente.

Uma das minhas grandes objeções aos filmes, é porque são imersivos demais, e acho que isso nos transforma em pessoas preguiçosas e sem imaginação. A absurda duração que o cinema moderno e suas capacidades de computação gráficas conseguem alcançar para salvar a audiência de incomodar a si mesma de imaginar alguma coisa por si próprias, provavelmente causará um efeito de limitação na imaginação das massas. Você não tem que fazer nada. Com um quadrinho, você tem que fazer um bocado mais. Mesmo tendo figuras lá para você, você terá que preencher todas as lacunas entre os painéis, terá que imaginar as vozes dos personagens. Você terá um bocado de trabalho nisso; não tanto quanto um livro sem ilustrações, mas ainda assim, terá muito trabalho.

Parece que a audiência exige que tudo seja explicado para eles, que tudo seja fácil. E eu não acho que isso seja uma boa cultura. Eu me lembro do King Kong de Willis O’Brien e de outros artistas que tornaram coisas como essa possíveis. Sim, eu sabia como isso era feito. Mas parece tão maravilhoso. Hoje em dia, eu vejo um milhão de Orcs correndo pelas colinas e fico entediado. Não fico nem um pouco impressionado. Porque, francamente, eu poderia pegar qualquer um passando na rua que conseguiria criar os mesmos efeitos se dessem a ele meio milhão de dólares para fazê-lo. Isso remove a arte e a imaginação e coloca o dinheiro no banco do motorista, e eu acho que é uma equação bem lógica – em que há uma relação inversa entre dinheiro e imaginação.

A maioria dos filmes que vejo parecem ter o mesmo nível de desaprovação que esperam no nível da exibição pirotécnica. É tudo “ooh” e “ah”. Essas parecem ser as únicas respostas apropriadas à maioria dos filmes modernos. Acho que estamos entrando em um período de reavaliação cultural. Espero que seja verdade, porque acredito que se não estivermos, estamos em um período de condenação cultural. Temos que repensar essa coisa toda, e acredito que repensar nossa cultura é parte disso. Eu realmente espero que sim.”

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