Archive for September 2010

Selo da campanha
Não é muito difícil perceber que sou fascinada por gatos. Uma tatuagem bem grande nas costas já entrega o jogo. Então é lógico que fiquei super entusiasmada quando descobri que hoje, dia 29 de setembro, seria o Cat Lovers Day. Um dia criado para que amantes de gatos pudessem manifestar sua admiração pelos felinos, através do Twitter e de seus blogs.
Meu avatar do dia
Além de participar desse evento trocando meu avatar no Twitter, resolvi aproveitar o dia especial para colocar algo igualmente especial aqui no blog. Quero compartilhar com vocês um trechinho de um projeto que comecei a escrever já faz um tempo, o livro Gatomancia, e como boa parte dos meus projetos, acabou engavetado (shame on me).
O Cat Lovers Day foi uma ótima oportunidade de tirar a poeira deste projeto. Admito que fiquei empolgada de novo e pretendo retomá-lo. E é claro que essa é uma ótima oportunidade de ver o que vocês acham desta prévia. Assim posso continuar a história de forma mais madura, eu espero. ;D
Não deixem de acompanhar o evento hoje através da tag #catloversday, do tumblr cheio de fofurinhas, e seguindo o perfil @catloversday. Boa leitura!
Gatomancia: Prévia
A casa das plantas na Rua 15 era como a cena de uma pintura. E quem passava podia ver, todos os dias, a mesma cena se repetir com uma precisão quase infalível. Desde que Dona Rute passou a morar na casa que, por incrível que pareça, existia atrás daquele jardim emaranhado, ela seguia um roteiro bem previsível. Da casa para o mercado, do mercado para casa. Um trajeto em linha reta cumprido religiosamente.
Dona Rute tinha todo o jeito de ser uma daquelas senhoras de idade que iam à igreja. Mas ela nunca foi vista na igreja. Era vista colocando água nos vasos de planta, podando as roseiras, examinando os pés de romã. Essa era sua rotina, e fazia tudo com uma lentidão minuciosa. Movimentos de mãos e olhos que pareciam ser em câmera lenta. Uma lentidão que também fazia parte da pintura.
Nina cochilava embaixo da roseira. Ela já estava acostumada com os sons que compunham aquela cena tão particular. Ela já podia ouvir os chinelos de Dona Rute se arrastarem até a porta, em um ritmo e frequência que apenas a gata podia medir com precisão, usando o rabo como um metrônomo impulsivo. Nina já sabia, sem precisar abrir os olhos: a velha estava trazendo comida. Ela abriria a lata, despejaria o conteúdo pastoso na vasilha de plástico. Depois, o som do garfo raspando o fundo metálico da lata de ração. Esse era o refrão que, para os gatos de Dona Rute, soava como um mantra sagrado. Uma música que se repetia todos os dias, infalível. Tudo muito lento, como uma balada tocada ao piano. Dona Rute já tocou piano um dia. Mas agora a única música que Nina conhecia era essa: a lenta balada dos chinelos se arrastando pela casa.
Levine estava deitado de barriga para cima, esfregando as costas no tapete áspero da sala. A velha entrou na casa e se debruçou sobre a janela. O gato esboçou uma reação atenciosa, girando seu corpo e deitando-se sobre as patas.
-Ah, você viu isso Levine? Elas estão cheias de vida. – e tocou, com a ponta de seus dedos enrugados, as folhas de uma sálvia. – É a primavera.
Levine sabia o que isso significava. Incomodado, mexeu as orelhas quando ouviu a palavra. O gato branco pulou para o batente da janela, de onde já podia ver a vasilha cheia de ração. Passou pelos braços de Dona Rute, onde recebeu um afago vigoroso, como se faz com cabelo de criança. Levine lambeu as costas de sua pata dianteira, dando o assunto por encerrado. Mas Dona Rute insistiu.
-É meu querido. Na primavera, a vida acontece. Por isso fica tudo assim, tão bonito.
O gato saltou para fora de casa. Nina tirou o focinho da vasilha, e olhou em sua direção. O companheiro estava preocupado, de uma forma que evitou ficar nos últimos dias. E então pareceu impossível ignorar o assunto.
-Eles estão todos voltando. A primavera não será nada tranquila. Ah, não. Não será.
***
A vida estava ficando cada vez mais difícil nos cantos sujos daquela cidade grande, mesmo para um vadio como Fuga. E ser um gato de rua era basicamente isso: viver fugindo, sem saber exatamente do quê.
O gato negro correu pela faixa estreita do muro e pulou dele para um container logo abaixo. Estava faminto, mas não eram restos que procurava. Caminhou vagarosamente até a borda do container, de onde surgiu, em um pulo, uma cabeça medonha como um demônio desfigurado. O gato, de pelagem irregular e cores indefiníveis, saltou para a tampa onde Fuga já estava sentado. Era magro e não tinha um olho.
- Irmão Ranço sempre foi os olhos da cidade. Agora tem olho a menos? – Fuga procurou não parecer impressionado.
- Ah, bípedes. Eles muito selvagens. Fuga saber. - Ranço encarou o gato negro para mostrar que sabia bem a sua história. – O que irmão Fuga procurar aqui?
- Ranço já deve ter visto a cidade cheia de ratos. E quando ratos aparecem assim, é porque gatos somem. Não vi mais Bigode ou Uivante. Ou nenhum outro. O que está acontecendo?
Ranço rosnou alto, em tom de zombaria, e mexeu o rabo incomodado.
- Todos ir para aquele lugar de onde Fuga fugiu. Igual um ratinho. Ah sim, Fuga lembrar onde é! Lá, onde muitos morrer. E eles vai morrer também. Todos que voltar lá vai morrer.
- Voltar? Por que voltar? Só se…
- Se os boatos for verdade! – interrompeu o gato caolho, bruscamente – E tudo verdade. Vai começar o tempo da nossa raça de novo. Alguns dizer que depois desse tempo, a gente não revirar mais lixo. Assim, que nem Ranço. Então todos ir embora, porque achar que nova linhagem ter que começar lá. Todos malucos. Mas Ranço não. Ranço ficar.
- Então falta pouc… Espera. – Fuga ficou de prontidão. Moveu suas orelhas para trás e para a frente. Ouviu passos e o entulho no chão pareceu se mover.
Um bípede se aproximava diante do container, lentamente. Fuga se preparou para pular para o outro lado. Alertou Ranço, mas antes de saltar, foi surpreendido por outro humano que veio rapidamente por trás.
O rapaz que usava moletom trazia um pedaço de pau. Usou para golpear os gatos com força, e pegou os dois de uma vez. Fuga caiu atordoado e Ranço voou contra a parede antes de cair no chão. O outro homem agarrou o gato caolho com suas próprias mãos, apertando com força o pescoço magro de Ranço.
- Essas pestes. Metendo esse focinho sujo no nosso lixo bom. – disse o mendigo, jogando o gato esganado para longe do container, que ficava nos fundos de um restaurante.
Então o bastão zuniu no ar mais uma vez. Mas Fuga se esquivou, pulando por cima e alcançando o muro.
- Tinha que ter matado logo, agora ele vai voltar! Que mão mole do caralho!
O mendigo de moletom ficou frustrado, vendo a silhueta felina correr pelo muro e sumir nos recortes dos postes e prédios. Àquela hora da madrugada, era fácil ser supersticioso.
- Era um gato preto, porra.
***
Já não havia muitos lugares seguros para os gatos de rua. Fuga então resolveu voltar para a pequena cidade mais conhecida pelos gatos como Cidade da Carnificina.
(continua?)
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Tesão e trabalho
20 comentários | Postado por Valek em Notas da Autora, Redação Publicitária
Isso de ser redator não é para quem gosta de escrever. E para a gente começar a conversar, você precisa ter bem claro na cabeça que uma coisa é ser redator; outra é gostar de escrever. Acontece de alguém entrar nessa e pertencer aos dois conjuntos (nossa, eu não uso esse termo desde as aulas de matemática na primeira série). Mas uma hora, esse alguém: a) de tanto ser redator, deixa de gostar de escrever; ou b) por gostar tanto de escrever, desiste de ser redator. Bem, estou há pouco tempo na profissão. Então tudo o que posso dizer é que ainda estou na fase de ser redatora e gostar de escrever.
Por que são duas coisas bem diferentes? Basicamente, gostar de escrever significa tesão. É aquele prazer em criar as próprias histórias, dar vida aos seus personagens, escrever o quanto e o quê vier na telha. Claro que envolve boas doses de sofrimento e angústia criativa. Mas ainda assim, você faz pelo seu prazer. Algo bem egoísta mesmo. Foda-se as regras, estruturas e técnicas. Quem gosta de escrever, escreve primeiro para si mesmo.
Redator não: escreve sob demanda. Escreve o que o cliente quer, muitas vezes sobre coisas que não gosta, e às vezes nem entende. Precisa ser inteligente, criativo, surpreender. Mas precisa ser persuasivo sempre. E para isso, precisa seguir algumas regrinhas. Claro que envolve a mesma angústia criativa. Muitos tem tesão pela coisa. Mas é bem diferente: você está escrevendo porque é o seu trabalho.
É meio que como ser puta. Ok, todo publicitário é meio puta, por motivos óbvios (aquela velha piadinha: passamos o dia abrindo as pernas para o cliente, sempre chegamos tarde em casa e nossos pais não sabem direito qual o nosso trabalho). Imagine que o seu trabalho é transar a semana inteira, mas prazer mesmo você sente quando transa nas horas de folga – porque quer, quando quer, e com quem quer. Ah, viu só? Quando relaciona com sexo, fica mais fácil de entender.
A vontade de falar sobre isso surgiu quando conheci o blog de uma dupla de redatores. Adorei cada um dos textos. Curtos, precisos, engraçados, uma delícia de ler. E mesmo se eu tivesse chegado ao blog sem saber que era escrito por dois colegas de profissão, eu saberia de cara.
Primeiro, porque estava super bem escrito. Apesar de conhecer ótimos blogs, acho cada vez mais difícil encontrar blogueiros que saibam escrever (atenção, outro ponto importante: saber escrever, gostar de escrever e ser redator raramente são conjuntos que se cruzam).
Outra coisa foi reconhecer em todos os textos cada um dos recursos que o redator usa em seu trabalho. As tais regrinhas da persuasão, sabe? Tudinho ali. É nessas horas que acho uma merda ser redatora. Eu podia simplesmente rir com o texto e achar legal, como a maioria dos leitores fazem. Mas não: leio analisando, como quem disseca uma rã. Aí consigo ver, claro como a água, o mecanismo por trás do texto. Não tem muita graça ver um show de mágico quando você também é um. Fico mais preocupada em entender o truque do que admirar a mágica. “Hm! Olha lá, olha lá! Tá usando retórica aristotélica!” Claro que o texto não deixa de ser bom, mas você entendeu.
É nessa hora que eu me preparo para receber algumas pedradas, mas preciso desabafar. Um texto de blog elaborado assim, para atingir seu público de forma deliberada, do jeitinho que a publicidade ensina, perde boa parte de sua personalidade. Aquela personalidade bem própria de quem gosta de escrever. De quem escreveu pelo tesão, pela necessidade de satisfazer primeiro a si mesmo, para só depois se lembrar (caso se lembre) de que depois alguém vai ler aquilo (caso alguém leia). Coisa de blog raiz, blog moleque. Um texto sem essa personalidade soa profissional demais.

Entendo que hoje em dia, blog é mais do que forma de expressão: também é profissão. Cada blogueiro tem um objetivo, e o de muitos é ganhar dinheiro – nada mais justo e digno. Mas a tal da personalidade dos textos é o maior indicativo de sucesso de um blog “monetizável”, não acham?
Já um texto com estrutura persuasiva está vendendo algo – no mínimo uma ideia. Mas se o texto está lá, supostamente para oferecer o prazer da leitura, e não tem o objetivo de vender nada, ou me convencer de alguma coisa, por que raios foi escrito dessa forma tão publicitária? Assim, só para me convencer que é bom? Esse esforço é desnecessário. Um texto bom não precisa da persuasão para me convencer disso.
Claro que essa é uma visão bem particular de quem está imersa o tempo inteiro em títulos, textos de apoios, e todas as fórmulas publicitárias de escrever. Quando saio da agência, tiro o jaleco de redatora e abro a gaveta dos personagens e das histórias malucas. Imagino que seria deprimente viver o tempo inteiro como redatora. Seria como trabalhar na cozinha do McDonald’s, e ao chegar em casa, preparar um baita Big Mac no jantar.
Aqui eu procuro escrever algo diferente do que preenche a minha rotina na agência. Se quiser ler títulos, recomendo que procure um anuário de propaganda.
Cada post que escrevo é um parto. Em parte, porque sou a leitora mais crítica deste blog. É difícil chegar em algo que me agrade. Também é difícil porque não tenho uma fórmula pronta a seguir. Vou sendo guiada pela tal angústia criativa, e como você já deve ter percebido, não me importo nem um pouco se o texto vai ficar muito grande nesse processo.
É isso mesmo. Lamento dizer, mas a última coisa com a qual me preocupo é em agradar você. Embora seja muito gratificante saber que tenho tantos leitores que leem até o último ponto dos meus textos quilométricos, e ainda me dão feedbacks incríveis, não é essa a minha maior motivação.
Anota aí: no dia em que eu passar a escrever só para o público gostar, pode saber que terei saído da intersecção entre quem é redator e quem gosta de escrever. Nesse dia, eu vou ser mais ou menos como uma puta bem profissional: o que já me deu tanto prazer vai ser só o meu trabalho.

Post escrito para o Concurso de Blogueiras da Lola
Só descobri mesmo que eu era menina aos 5 anos. Vou te contar que foi uma descoberta espantosa; mas não foi assim, do nada. Eu já suspeitava que eu fosse menina. Eu gostava de rosa, usava cabelo Chanel, e já tinha ouvido falar de uma tal perereca que talvez tivesse tudo a ver com o caso.

A culpa é toda dela.
“Meninos fazem karatê. Meninas fazem balé.” Resumindo, foi assim que descobri. Eu estava no Jardim I, toda besta com a abertura das aulas extra-classe, aquelas atividades que a escola cria para manter a pirralhada ocupada e os pais despreocupados. Claro que eu fiquei doida para fazer karatê. Eu era pequena, mas não era boba. Assistia desenho animado e sabia da grande aplicação prática que a luta teria quando eu tivesse idade para entrar para a Liga da Justiça. Ok, nem tanto. Mas parecia ser divertido e as roupas eram mais legais.
Lembrei minha mãe do início das aulinhas e ela disse algo sobre comprar o vestido. Protestei, dizendo que queria mesmo era fazer karatê, mas ela respondeu de cara: “Ah, não senhora. Nem pensar”. E eu ali, sem entender por que não podia. Sabe criança que insiste? Então. Aí ela explicou: “meninos fazem karatê. Meninas fazem balé.”

Ai que saco. Preferia estar dando porrada em alguns meninos.
Só nesse episódio descobri o que significava ter uma vagina. Não fiquei revoltada. O mundo caiu na hora, mas na semana seguinte, eu já estava toda serelepe no balé com meu collant cor-de-rosa (embora não deva ter feito as aulinhas por mais de um mês). Na verdade, a partir dali, comecei a me acostumar com a condição de portadora de uma vagina. Comecei a me acostumar em não ter muita opção.

Eu na infância
Então era isso: eu soube exatamente o momento em que me descobri menina. Mas não posso dizer o mesmo da descoberta do meu feminismo. Quer dizer, como é que isso aparece? Bem que eu queria dizer que sou feminista desde criancinha, mas isso foi um processo. E teve muito mais a ver com a inocência de achar que eu podia fazer o que eu quisesse, do que com a frustração de não poder fazer.
Apesar de ter sido criada em uma família conservadora e cristã (e por consequência, altamente machista, onde era minha a obrigação da louça suja e das camas desarrumadas, nunca do meu irmão), passei longe de ser a mocinha ideal. Alguma coisa deu errado.
(As Barbies estavam lá, fazendo parte da minha formação, e mesmo assim, alguma coisa deu errado. Talvez porque eu soubesse que eu é que as manipulava – e não o contrário. Nas minhas brincadeiras, onde eu já mostrava algum talento para desenvolver histórias mirabolantes, Barbies e Cavaleiros do Zodíaco faziam parte da mesma história, inclusive com as bonecas desempenhando papel de heroínas. Eu sei, eu sei. Assistia desenho demais.)

Quem disse que RPG não é coisa de menina?
O negócio é que quanto mais eu crescia, mais me sentia à vontade no universo de coisas predominantemente masculinas. Quadrinhos, super-heróis, animes, vídeo-games, heavy metal. Eu sempre era a única jogadora do meu grupo de RPG. Meu sonho era trabalhar na Marvel, e eu já produzia meus próprios quadrinhos.
Dessa vez, ninguém precisava me dizer “meninos fazem quadrinhos, meninas fazem comida”. Eu já sabia. Mas fazer o quê, se eu tinha talento para histórias e nenhuma para culinária?

Experimenta dizer que mulher não pode alguma coisa.
E então, um dia resolvi ser publicitária. Trabalharia na área de criação, onde ainda havia muito mais homens do que mulheres. Mais uma vez, ninguém me disse “meninos fazem criação, meninas fazem atendimento”, apesar da grande maioria das mulheres desempenharem esse papel (sórdido) na publicidade.
Posso dizer que uma coisa continuou a mesma, da época do RPG aos tempos atuais: sempre fui vista como uma igual. E acho que aí está a origem do meu feminismo. Não no fato de ser discriminada, mas no fato de ser aceita em um universo que não foi feito para as mulheres, e ainda assim, ser tratada como igual. E por que não seria? Afinal, minha vagina pouco tem a ver com a minha capacidade de fazer as coisas. Fora os orgasmos múltiplos, é claro.
Ainda não acabou
Mesmo não seguindo a cartilha da boa moça, descobri que podia ser aceita – e o melhor: fazendo o que eu realmente gostava. Essa era uma descoberta realmente espantosa. Definiu a minha vida! Mas se isso era tão bom, não entendia por que ainda havia uma sociedade que ensinava que meninos fazem karatê e meninas fazem balé.
Foi quando conheci o blog da Lola e da Marjorie (não necessariamente nessa ordem). Com elas, minha visão de mundo se expandiu. Fiquei mais sensível ao que antes parecia invisível. Comecei a entender que tudo fazia parte de uma construção social, cuja função era manter todos em seus devidos lugares. Percebi que era uma grande besteira acreditar que as coisas eram assim só porque deus quis.
Acredito que as coisas podem ser diferentes. Que homens e mulheres possam ser o que bem entenderem. Que a igualdade que eu experimentei com as pessoas do meu meio possa ser vivida na sociedade como um todo. Aí um dia não vai importar se você tem ou não uma perereca, porque nesse dia (e espero que seja logo) ninguém mais vai ensinar o que é coisa de menino e o que é coisa de menina. Se você também acha isso, parabéns. Você também é um goddamn feminista.