Feb/12

21

Confinados e Fodidos – Cap. 2

O melhor de assistir a um punhado de pessoas agindo como ratinhos em testes de laboratório é não ser uma delas. Boa noite a você, que é um desses sortudos. Esse é o Cofinados e Fodidos e eu sou o seu apresentador, Jorge Jacuzzi. A única pessoa nessa merda toda que você não vai poder eliminar. Então, amigo, é melhor ir se acostumando comigo.

Na semana passada, os confinados tiveram que definir algo muito mais importante que qualquer prova do líder: quem ficaria com a chave da sala cheia de armas de fogo? O fato de ser o primeiro dia e ninguém confiar em ninguém só deixou as coisas ainda mais difíceis. É claro que se isso acontecesse daqui a duas semanas, daqui a um mês, ou daqui a um ano não faria a menor diferença. Imagine se isso acontecesse no seu trabalho. Você confiaria em quem?

Bem, Samuel Braun se voluntariou para ser o guardião da sala. Mas o seu jeitão destemido não inspirou muita confiança. E se o fortão decidisse usar uma das pistolas? Quem ia impedir aquela montanha de músculos a usar a sala como bem entendesse? Isso foi o que Dina sugeriu. Ela não gostava da ideia de um cara daquele porte tendo controle da situação na casa. Então decidiram que a questão seria resolvida na sorte. Colocaram o nome de cada um em papeizinhos e deram para o Seu Patrício sortear. Com dificuldade, ele leu o nome no papel que tirou:

- Arnoldo. Pronto, decidido. A chave fica com você, filho. Agora me deixem em paz com minhas palavras cruzadas.

No final das contas, o pessoal ficou satisfeito. Arnoldo tem aquela cara de mosca morta que não seria capaz de puxar o gatilho nem de uma pistola d’água. Mas ele parece bem preocupado com a sua nova responsabilidade.

- Ei, cara. Não encana não. – Liz senta-se no sofá onde Arnoldo brinca com a chave entre os dedos. – Isso é só um teste. Ninguém vai se machucar, então você não tem porque se preocupar.

- Sei não. Essa história toda tá parecendo o Battle Royale.

- Quê?

- Battle Royale, nunca ouviu falar? É um mangá que conta a história de um jogo onde a regra é as pessoas se matarem umas as outras até restar só uma. Essa ideia me dá medo, fico pensando no meu filho lá fora, sabe.

Liz para de entender na palavra “mangá”. Ela se limita a dar um tapinha consolador no ombro do colega.

Os dias passam e os confinados estranham a falta de provas. As típicas provas que vemos nos demais reality shows, como prova do líder, prova da comida, prova do anjo, prova do diabo que te carregue, e tantas outras, aqui não acontecem. Mas eles se esquecem disso rapidinho quando chega o dia da festa. Como é Carnaval, a festa é um baile de máscaras. Bem apropriado para o jogo.

Lá estão eles no oba oba, dançando, comendo e bebendo mais álcool que uma Belina velha. Não tarda para começarem a dar os primeiros vexames. Ravena paga peitinho. Sheristone escorrega na pista de dança. Evangevaldo dança pole dance usando um coqueiro. Lisandra cochila enquanto Seu Patrício, levemente embriagado, conta para a colega como foi sua última consulta ao gastroenterologista. O professor Sérgio se joga na piscina de máscara, pluma, purpurina, roupa e tudo. Ele encontra um objeto estranho no fundo e resolve levá-lo à superfície.

- Pessoal! Pessoal, venham ver! Rápido! – diz ele, ao abrir o tubo que achou no fundo da piscina e descobrir um papel enrolado ali dentro.

- O que é isso? – Clarissa pergunta quando o professor estica o papel sobre a mesa.

- Parece um mapa. Será que é alguma prova? – diz Evangevaldo, olhando o papel de perto.

- Não, não é uma prova. – conclui Sérgio – Olha o que diz aqui: “Parabéns, confinados. Vocês acabam de descobrir, esperamos que não muito tarde, o prêmio do vencedor deste reality show: a Ilha dos Porcos. Uma ilha virgem e inexplorada, boiando ao sul do Oceano Índico, apenas esperando pelo vencedor desse jogo. Boa sorte e cuidado para não se perderem das coordenadas”.

- O prêmio é uma ilha? Não acredito! – exclama Evangevaldo.

- Affe, mas o que diabos vou fazer com uma ilha? – diz Lisandra.

- Um pedaço de terra desses vale mais do que dinheiro, Lisandra. – explica Ravena, com a paciência de uma pedagoga – Vale, sei lá, milhares de milhões.

- E se tiver petróleo nesse lugar, – interrompe Valdique – então sabemos que daqui vai sair uma das pessoas mais ricas do mundo.

Descobrir qual é o prêmio às vésperas do dia de votação mexe com os nervos do pessoal. Ninguém conversa na hora do almoço. Só ficam se olhando, como se estivessem ajustando a mira e escolhendo em quem atirar. Agora é hora de saber como eles vão votar. Vamos conversar com eles.

- Boa noite, confinados. Que beleza vê-los sentadinhos aí na frente da TV. Eu sou o Jorge Jacuzzi, o apresentador desse show de horrores. Acredito que vocês imaginam porque não apareci para vocês até agora.

- Temos uma ideia, – diz Lisandra – e acho que tem a ver com uma porta que encontramos aqui na casa.

- Na verdade, achamos que seria interessante deixar vocês se virarem sozinhos na primeira semana. Mas não vamos falar sobre isso agora, estamos ao vivo. Bem, hoje vamos escolher duas pessoas que serão oferecidas no altar, como dois cordeirinhos, para os leitores desse reality. Mas só um irá voltar ao jogo.

- Pelo menos uma coisa aqui tinha que se parecer com um reality show, né – diz Sheristone aliviada, jogando o cabelo para o lado.

- Tem mais de reality do que você imagina, filha. Pois bem. Um por um, na ordem em que vocês estão sentados agora, tanto faz, dirijam-se para a cabine de votação e digam quem vocês querem eliminar.

Liz é a primeira a entrar na cabine. E a primeira a usar o discursinho besta da falta de afinidade como justificativa. Cá entre nós, sabemos que a estratégia dos confinados é outra. É de olho no prêmio, que não é qualquer coisa, que eles precisaram decidir, de ontem para hoje, quem seria o jogador mais forte, para que fosse logo eliminado. Os votos seguintes nos dão uma boa ideia disso. Dina recebe três votos; talvez seja impositiva demais para uma mulher. Mas ela é apenas a segunda mais votada. Valdique recebe seis votos. Provavelmente o fato de ser publicitário tenha pesado na decisão dos confinados: ter na casa um profissional em influenciar as pessoas é, para alguns, algo perigoso.

- Seis? Nada mal. – Valdique sorri, quando revelo o resultado.

- Bem, vocês já devem ter percebido que por aqui as regras são um pouquinho diferentes. Então, o segundo candidato à eliminação será indicado por quem já está fodido. Valdique, é você quem vai escolher a pessoa que vai para o paredão com você.

Valdique arregala os olhos, surpreso. Mas parece satisfeito ao saber que ele poderá escolher seu oponente. Os outros onze não parecem tão felizes.

- Jacuzzi, eu gostaria de levar comigo para essa disputa… a Lisandra. – ele sentencia.

Lisandra suprime um protesto, e engole calada a indicação. Os demais tiram um peso das costas: agora estão uma semana mais próximos da ilha.

- Valdique e Lisandra, nos próximos dias um de vocês sairá do jogo, de acordo com a vontade do público. E por hoje é só. Agora vou curtir meu Carnaval, passar bem.

É só eu me despedir e o telão apagar que o clima de tensão impera na casa. Lisandra se levanta, e em vez de estender sua mão para o cumprimento cordial que Valdique lhe oferece, aponta um dedo na cara do publicitário.

- Eu sei porque você me indicou, seu desgraçado.

Cenas do próximo capítulo? Só depois que você eliminar um dos confinados: Valdique, o diretor de criação super premiado, ou Lisandra, a empresária e nova candidata a deputada estadual? Deixe seu voto na caixa de comentários e fique ligadinho.

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12 comentários em Confinados e Fodidos – Cap. 2

Marcelo Rios | 21/02/2012 as 2:55 pm

Se é candidata a deputada estadual, já ganhou meu voto para ser eliminada. Manda ela ir embora disso aí.

Sugestão: enquete para as votações.
;)

Alex Luna | 21/02/2012 as 9:06 pm

Eu voto na eliminação do publicitário.

Danilo Fasolo | 21/02/2012 as 11:22 pm

Cara, isso é muito massa!
Voto pro Valdique ser eliminado.

Wesley Mendes | 22/02/2012 as 12:16 pm

Tchau, Valdique.

Bruna Dutra | 22/02/2012 as 5:35 pm

Eu não tenho muita simpatia por publicitários, sabe… Valdique, tchau.

Adolfo Palhares | 22/02/2012 as 6:12 pm

ahuahauahu Muito bom, Aline. Vamos começar eliminando a Lisandra. Quero ver o que esse Valdique tira da caixa.

Bruno Scartozzoni | 23/02/2012 as 3:01 am

Battle Royale meets Casa dos Desesperados

Meu voto vai pro publicitário

Douglas Reis | 23/02/2012 as 8:02 am

To curtindo hein moça, já ficando curioso com o desenrolar da coisa toda!
Ah, e manda o Valdique pras colinas hahaha

Emanoel Melo | 23/02/2012 as 10:28 am

Uhu! Minha chance de reprovar o Diretor de Criação kkkk Manda o Vandique sentar lá.

Concordo com o Marcelo, a votação fica mais prática com uma enquete.

Aline Valek | 23/02/2012 as 4:48 pm

Sugestão anotada! ;)

É que eu sou meio burrinha com o wordpress, mas pode deixar: no próximo capítulo vou providenciar uma enquete!

Graça Dutra | 25/02/2012 as 10:15 pm

Voto no Valdique.. essa Aline é muito fofa kkkkk

Confinados e Fodidos – FINAL - AlineValek | 04/04/2012 as 6:30 pm

[...] O mapa! Sim, o mapa com o prêmio do reality Show, a Ilha dos Porcos! – eu já tinha até me esquecido que aquele reality show tinha um [...]

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