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Muito prazer, eu sou o e-book

Não é chato quando as pessoas olham torto para você sem nem mesmo te conhecerem? Pois é, isso acontece comigo direto. Vai ver é porque nasci assim. Nasci e-book. E as pessoas tendem a temer e a rejeitar aquilo que não conhecem muito bem.

Preconceito só se sustenta enquanto houver ignorância a respeito daquilo que é diferente, é o que penso. Por isso, resolvi escrever um pouco mais sobre mim, por mais que seja um paradoxo alguém como eu, um arquivo cheio de coisas escritas, escrever alguma coisa. Mas acho que estarei quebrando a lógica do universo por um bom motivo, não acha?

Não posso mudar o que sou para ser aceito, mas, quem sabe, você possa mudar de opinião sobre mim? Não pense que com isso quero forçar amizade com você. Sou sussa, muito na minha. De verdade. Só quero mostrar que eu não mordo. E como poderia, se nem dentes eu tenho? Ha ha!

Certo, certo. Posso ser acusado de fazer piadas horríveis, mas não quero ser acusado das bobagens que andam falando aí a meu respeito, sem o menor conhecimento de causa e com muitos estereótipos fundamentados no senso comum.

Então deixe que eu me apresente. Muito prazer, eu sou o e-book.

 

O que é o e-book?

Sou um livro digital. Bem parecido com meu parente mais popular, o mp3, sou um arquivo que apresenta um conteúdo que antes estava atrelado a um único suporte físico. Talvez as pessoas achem que eu não valho nada porque não podem me tocar, mas eu posso ser lido normalmente, que é o que importa em um livro, certo?

Não preciso de papel para existir, basta uma tela. Posso ser lido em vários dispositivos, como celulares, computadores, tablets e leitores de e-books como o Kobo e o Kindle, que são aparelhos criados com a finalidade de me ler.

Também me apresento em diferentes formatos de arquivo, entre eles, .pdf, .epub, .mobi, .lrf, .cbr ou .cbz (especialmente histórias em quadrinhos), .ibooks, .azw, .lit, só para citar alguns. Alguns formatos são lidos apenas por aparelhos específicos, enquanto outros formatos podem ser lidos por diferentes aparelhos, como o .pdf, que você já deve conhecer, e o .epub.

Como .pdf sou bastante versátil, é verdade, mas esse não é o formato que me cai melhor. Isso porque o .pdf trata cada página de um livro como uma imagem, como um layout fixo, o que não é nada mal se você está lendo no computador, mas pode ser bem chato se você estiver lendo em uma tela menor. Você não conseguirá redimensionar o texto para um tamanho que fique mais confortável de ler – que é justamente o que sei fazer de melhor: me adaptar.

 

Como assim, o e-book se adapta?

Sim, sim. Vou tomar como exemplo um dos formatos mais usados, o .epub. Com ele, me torno líquido. Igual água, quando eu for “despejado” em um dispositivo, vou me adaptar ao seu tamanho de tela. O conteúdo é exatamente o mesmo, mas o jeito que vou aparecer em um celular vai ser diferente de como você vai me ver no Kobo, por exemplo. Afinal, são tamanhos de tela diferentes.

Além disso, você pode me esticar ou me espremer, mudando o tamanho da fonte e das margens para que o texto fique mais confortável para a sua leitura. Você não precisa sofrer com letras miudinhas. Prefere que eu me espalhe em letras grandonas? Opa, é só pedir. Ou então prefere que caiba mais texto na tela para ter que virar menos páginas? Também faço.

E é justamente por ser tão maleável que não vou ter um número de páginas fixo. Dependendo do tamanho da tela e de como você quis o tamanho da fonte e coisas do tipo, posso ter dezenas ou centenas de páginas. Acaba que a minha forma para cada um que me lê será única.

Pode mexer em mim o quanto quiser. Faz um pouco de cosquinha, mas juro que não vou me incomodar.

 

E as imagens, como ficam?

Normais. Não se preocupe se os livros que você lê têm gravuras e ilustrações, elas também vão aparecer em mim. A única diferença é que vou adaptar o tamanho delas para o tamanho da tela na qual você está me visualizando. Em um celular, a imagem aparecerá bem menor do que em uma tablet.

Em alguns dispositivos, como o Kindle e o Kobo, elas vão aparecer em tons de cinza, pois a tela não é colorida. Por outro lado, a resolução da tela de um iPad faz com que ilustrações fiquem bem melhores e mais nítidas do que ficariam em um papel.

 

Nem vem. E-books nunca vão substituir livros de papel.

Mas… quem disse que eu quero substituir alguém? É verdade que os livros de papel têm o seu charme, aquele cheirinho gostoso que vicia, o toque, o ato de virar páginas e de enfeitar prateleiras. Não nego suas qualidades. Mas eu também tenho as minhas.

Sou bem versátil, como já expliquei acima; não junto poeira; sou mais durável; não ocupo espaço, e o espaço de armazenamento que ocupo em um computador ou leitor de e-books é mínimo, quase insignificante; sou mais barato, isso quando não estou disponível de graça na internet; e é melhor parar por aqui antes que você ache que sou presunçoso.

Você não precisa me odiar só porque gosta dos livros de papel. Eu existo só pra facilitar a sua vida. Para ajudar a tornar a leitura mais acessível. Sei lá, pra ser mais uma opção.

Sou exatamente igual ao livro de papel em conteúdo. O que você lê nele, vai ler em mim também. E uma boa história não depende de seu suporte para ser poderosa, para emocionar, para fazer pensar. Se você é o tipo de pessoa que se importa mais com o conteúdo do que com a forma, aposto que nem vai sentir a diferença.

Confesso que eu já fui muito complexado quando eu era mais novo, com todo mundo apontando o dedo para mim e dizendo que eu nunca seria tão bom quanto um de papel. Mas minha mãe me dizia que o que importa é o que eu tenho por dentro. E não é que era verdade? Achei um monte de gente que aprendeu a gostar de mim pelo que eu sou.

Sempre vai ter quem goste mais da folha de papel do que o que está escrito nela. Paciência. Não vou me deixar abalar por essas pessoas e deixar de fazer o meu trabalho, que é levar as histórias a quem as deseja ler, não importa onde.

 

Comprar e-books é muito complicado!

Que nada. Não importa o dispositivo que você use, você só precisa de duas coisas: acesso a internet e um cartão de crédito, o que hoje em dia está se tornando cada vez mais comum.

Na primeira vez que você for acessar uma loja de livros digitais, como a Amazon, Livraria Cultura/Kobo Store, Saraiva ou iBooks Store, por exemplo, você terá que fazer um cadastro, preenchendo as suas informações e do seu cartão de crédito. Se você já comprou qualquer coisa na internet, sabe como funciona. Se ainda não fez isso, vai ver como é simples.

Você só precisa fazer isso uma vez na loja (ou lojas) da sua preferência. Depois disso, é só escolher o livro que deseja e em um clique eu serei todinho seu. Um clique, sério.

 

Pra onde vai o e-book que eu comprar?

Quando você me compra em uma loja, eu não fico no dispositivo, mas sim guardadinho na sua conta. Vou usar a Amazon como exemplo: ao me comprar por lá, estarei associado indefinidamente com a sua conta, que é só sua. Você poderá me ler em um Kindle, mas também em um celular, uma tablet ou um computador, desde que tenham instalados o aplicativo do Kindle (que dá pra baixar de graça).

A vantagem disso: se você perder o seu Kindle, não terá me perdido. Estarei salvo na sua conta. Outra coisa legal é que você pode começar a me ler no Kindle, depois continuar no mesmo ponto em um celular e terminar a leitura em um computador.

O mesmo vale para a Livraria Cultura, que é por onde você compra os livros para ler no seu Kobo (sobre esse aparelho tem um texto supimpa aqui). Se me comprou por lá, estarei na sua conta, de forma que poderei ser lido no Kobo ou em qualquer outro dispositivo com o aplicativo do Kobo instalado (também dá pra baixar gratuitamente).

Ah, e é claro que fora as lojas, você pode me encontrar e me baixar pela internet. Nesse caso, estarei no seu computador ou no dispositivo onde você quiser que eu esteja, como um arquivo normal.

 

Isso significa que não consigo "emprestar" um e-book?

Bem, meio que não existe esse conceito de “emprestar”, se estamos falando de mim. Se você me baixou na internet, é claro que você pode me transferir ou me enviar por e-mail para outra pessoa, mas aí você estaria me dando, né. Dependendo da loja, você também conseguiria me dar de presente para outra pessoa, comprando e me destinando ao e-mail da pessoa presenteada – ou enviando a ela um gift card.

Se você me comprou em alguma loja, você só conseguiria me “emprestar” para outra pessoa se você desse para ela o login e a senha da conta onde estou armazenado, mas duvido muito que você queira fazer isso. Aliás, recomendo fortemente que não: lembre-se que as suas informações pessoais e do seu cartão de crédito também estão lá! Elas devem ser sigilosas, não confie a ninguém.

Mas veja pelo lado positivo: não conseguir me emprestar significa que nunca vai ter que se preocupar com aquela pessoa cara de pau que demora a devolver seus livros – ou pior, que os perde ou os estraga!

Update: fora do Brasil existem serviços que permitem que eu seja emprestado, caso eu tenha sido adquirido na Amazon. Mas depende da editora dizer se posso ou não ser emprestado, então é meio restrito.

 

Mas e-books são muito caros!

Olha, tenho que admitir que eu poderia ser ainda mais barato. Mas não é porque eu sou digital que eu não custei nada para ser feito.

Imagine que existe todo um trabalho de tradução (quando é um livro traduzido, óbvio), diagramação, edição, revisão e que isso custou dinheiro à editora (ou ao autor independente, quando é o caso). Além disso, o preço também inclui os direitos autorais, que comigo são de 25 por cento, diferente dos direitos autorais do livro de papel, que são de 10 por cento do preço de capa – o que parece pouco se pensarmos que o autor é o maior responsável pela obra. Sim, do meu preço você pode cortar os custos com impressão e distribuição. Então teremos nas lojas um preço, em média, 30 por cento mais barato do que os livros de papel.

E mesmo nas lojas você consegue encontrar livros gratuitos; não só as amostras, mas livro completos de autores novos que querem que você os conheça. Também posso ser encontrado de graça em uma busca rápida na internet. Sou oferecido de graça por muita gente que está produzindo boas histórias e querem que você as leia.

 

Em um e-book eu não conseguiria fazer anotações!

Ué, como não? Lembra que eu disse que você pode fazer comigo o que você bem entender? Isso inclui me rabiscar todinho com as suas anotações. Mas ei, não com uma caneta! Ou você vai acabar estragando a sua tela ao tentar fazer isso.

No Kobo, por exemplo, você pode destacar trechos interessantes e ainda adicionar notas a eles (surge um tecladinho para você digitar sua anotação). A vantagem é que as marcações que você fez em mim são mostradas em forma de lista quando você acessa o menu “anotações”, de um jeito que fica bem fácil de achar, diferente de um livro de papel que você teria que dobrar orelhas ou encher de post-its. Nesse ponto eu não invejo nada meus colegas de papel.

Outra coisa que você não conseguiria fazer em um livro de papel é acessar o dicionário apenas com um toque em qualquer palavra.Não precisa interromper a sua leitura indo atrás de um dicionário ou procurando o significado na internet.

 

Ler em telas cansa

Sim, é verdade. Telas luminosas exigem esforço dos olhos; quem trabalha o dia inteiro na frente do computador sabe disso. Por isso foram criados dispositivos com telas que não emitem luz. Eles imitam o papel (sem aquele cheiro que enlouquece as pessoas, lógico) e com todas as vantagens que só euzinho ofereço.

O Kindle e o Kobo são os principais. Apesar de, como eu já disse, eu poder ser lido em celulares, tablets e computadores, você pode me aproveitar bem melhor se me abrir em um e-reader. Eles foram feitos sob medida pra mim, são leves, práticos, as telas não emitem luz e você não terá a distração que você teria em outros dispositivos, como Candy Crush, e-mail e Twitter.

E eu até que gosto de ter a sua atenção exclusiva. Acho romântico.

 

E-book é para quem prefere praticidade em vez do prazer da leitura

Que eu sou prático, isso até minha modéstia me impede de negar. Você não precisa ir até uma livraria, podendo me comprar ou me baixar pela internet, sem sair de casa. Posso ser lido onde você quiser, usando o aparelho que você preferir, da forma que for melhor para você.

Agora, de verdade, não entendo como isso pode excluir o prazer da leitura.

Aliás, a possibilidade de explorar uma experiência de leitura que se adapte ao que você acha mais confortável pode ser muito prazerosa sim. Posso ser prático e prazeroso ao mesmo tempo, por que não? Há muito prazer em se descobrir novas formas de fazer algo que você gosta. E com a minha flexibilidade então, posso levar você à loucura.

Espera. Então é disso que você tem medo? De se apaixonar por mim?

Não, não tenha medo. Pode se entregar. Não vou exigir que você abandone o seu antigo amor; como eu já disse, me adapto bem às situações.

Tudo o que quero é uma pessoa aberta a se relacionar comigo. E quem sabe agora eu não pareça mais atraente aos seus olhos? Já que você me conheceu um pouco melhor, bem, você já sabe onde me encontrar. Estou esperando você.

Dúvidas? Mande um e-mail para a minha secretária.