Autora

Foto: Marcos Felipe
Oi, meu nome é Aline e sou eu quem escreve os textos que você lê aqui.
A primeira coisa que as pessoas me perguntam quando me conhecem é sobre o meu sobrenome. O Valek eu adotei quando descobri o nome de solteira da minha avó de ascendência eslovaca e se pronuncia Válequi, embora eu não vá ficar ofendida de forma alguma se você ler de outro jeito; até encorajo as pessoas a pronunciarem da forma que acharem melhor. Não acho que isso importa.
A segunda coisa que me perguntam, na maioria das vezes, é o que eu faço. Sou redatora e trabalho em casa. Não tenho chefe, horário e, às vezes, nem dinheiro. Mas a única coisa que sei fazer bem é escrever e, por incrível que pareça, tem gente que me paga para isso. O que mais eu poderia querer?
Sou formada em publicidade e trabalhei em agências por alguns anos até não aguentar mais. Confesso que tive bem menos resistência do que muita gente que ainda está nesse meio, alguns cansados demais, apesar de jovens, trabalhando como loucos em propaganda enquanto planejam o dia em que poderão sair dessa vida e abrir uma loja ou investir em uma nova carreira. Vários me perguntam como eu tive coragem de largar tudo. Mas agora, pensando bem, corajosa eu teria sido se tivesse continuado. É preciso muita coragem para dedicar tanto tempo de uma vida assustadoramente finita e curta fazendo algo que não se gosta.
Justamente por acreditar que não há mais cenas depois dos créditos — que em breve eu voltarei a não-existir — é que busco tornar a minha existência o mais significativa possível para mim mesma, enquanto ela durar. Por isso, escrevo.
Só neste blog, escrevo desde 2009. De lá para cá, mudei de profissão, mudei de cidade, mudei de cabelo e até de pensamento sobre diversas coisas. O que é normal: nada restou da Aline que nasceu no século passado e cresceu desenhando e escrevendo suas próprias histórias em quadrinhos. Nada, sequer uma célula, um fio de cabelo, um gosto musical, uma crença. Talvez seja por isso que eu ache tão difícil escrever sobre mim mesma: a pessoa que sou hoje, não é a mesma que fui ontem, que não será a mesma que serei amanhã, até o dia em que não existirei mais.
Enquanto isso, vou inventando histórias, criando personagens e escrevendo textos que, espero, não existam só para mim. E você pode conhecê-los aqui.
Aline Valek