CAT | Notas da Autora

Post escrito para o Concurso de Blogueiras da Lola
Só descobri mesmo que eu era menina aos 5 anos. Vou te contar que foi uma descoberta espantosa; mas não foi assim, do nada. Eu já suspeitava que eu fosse menina. Eu gostava de rosa, usava cabelo Chanel, e já tinha ouvido falar de uma tal perereca que talvez tivesse tudo a ver com o caso.

A culpa é toda dela.
“Meninos fazem karatê. Meninas fazem balé.” Resumindo, foi assim que descobri. Eu estava no Jardim I, toda besta com a abertura das aulas extra-classe, aquelas atividades que a escola cria para manter a pirralhada ocupada e os pais despreocupados. Claro que eu fiquei doida para fazer karatê. Eu era pequena, mas não era boba. Assistia desenho animado e sabia da grande aplicação prática que a luta teria quando eu tivesse idade para entrar para a Liga da Justiça. Ok, nem tanto. Mas parecia ser divertido e as roupas eram mais legais.
Lembrei minha mãe do início das aulinhas e ela disse algo sobre comprar o vestido. Protestei, dizendo que queria mesmo era fazer karatê, mas ela respondeu de cara: “Ah, não senhora. Nem pensar”. E eu ali, sem entender por que não podia. Sabe criança que insiste? Então. Aí ela explicou: “meninos fazem karatê. Meninas fazem balé.”

Ai que saco. Preferia estar dando porrada em alguns meninos.
Só nesse episódio descobri o que significava ter uma vagina. Não fiquei revoltada. O mundo caiu na hora, mas na semana seguinte, eu já estava toda serelepe no balé com meu collant cor-de-rosa (embora não deva ter feito as aulinhas por mais de um mês). Na verdade, a partir dali, comecei a me acostumar com a condição de portadora de uma vagina. Comecei a me acostumar em não ter muita opção.

Eu na infância
Então era isso: eu soube exatamente o momento em que me descobri menina. Mas não posso dizer o mesmo da descoberta do meu feminismo. Quer dizer, como é que isso aparece? Bem que eu queria dizer que sou feminista desde criancinha, mas isso foi um processo. E teve muito mais a ver com a inocência de achar que eu podia fazer o que eu quisesse, do que com a frustração de não poder fazer.
Apesar de ter sido criada em uma família conservadora e cristã (e por consequência, altamente machista, onde era minha a obrigação da louça suja e das camas desarrumadas, nunca do meu irmão), passei longe de ser a mocinha ideal. Alguma coisa deu errado.
(As Barbies estavam lá, fazendo parte da minha formação, e mesmo assim, alguma coisa deu errado. Talvez porque eu soubesse que eu é que as manipulava – e não o contrário. Nas minhas brincadeiras, onde eu já mostrava algum talento para desenvolver histórias mirabolantes, Barbies e Cavaleiros do Zodíaco faziam parte da mesma história, inclusive com as bonecas desempenhando papel de heroínas. Eu sei, eu sei. Assistia desenho demais.)

Quem disse que RPG não é coisa de menina?
O negócio é que quanto mais eu crescia, mais me sentia à vontade no universo de coisas predominantemente masculinas. Quadrinhos, super-heróis, animes, vídeo-games, heavy metal. Eu sempre era a única jogadora do meu grupo de RPG. Meu sonho era trabalhar na Marvel, e eu já produzia meus próprios quadrinhos.
Dessa vez, ninguém precisava me dizer “meninos fazem quadrinhos, meninas fazem comida”. Eu já sabia. Mas fazer o quê, se eu tinha talento para histórias e nenhuma para culinária?

Experimenta dizer que mulher não pode alguma coisa.
E então, um dia resolvi ser publicitária. Trabalharia na área de criação, onde ainda havia muito mais homens do que mulheres. Mais uma vez, ninguém me disse “meninos fazem criação, meninas fazem atendimento”, apesar da grande maioria das mulheres desempenharem esse papel (sórdido) na publicidade.
Posso dizer que uma coisa continuou a mesma, da época do RPG aos tempos atuais: sempre fui vista como uma igual. E acho que aí está a origem do meu feminismo. Não no fato de ser discriminada, mas no fato de ser aceita em um universo que não foi feito para as mulheres, e ainda assim, ser tratada como igual. E por que não seria? Afinal, minha vagina pouco tem a ver com a minha capacidade de fazer as coisas. Fora os orgasmos múltiplos, é claro.
Ainda não acabou
Mesmo não seguindo a cartilha da boa moça, descobri que podia ser aceita – e o melhor: fazendo o que eu realmente gostava. Essa era uma descoberta realmente espantosa. Definiu a minha vida! Mas se isso era tão bom, não entendia por que ainda havia uma sociedade que ensinava que meninos fazem karatê e meninas fazem balé.
Foi quando conheci o blog da Lola e da Marjorie (não necessariamente nessa ordem). Com elas, minha visão de mundo se expandiu. Fiquei mais sensível ao que antes parecia invisível. Comecei a entender que tudo fazia parte de uma construção social, cuja função era manter todos em seus devidos lugares. Percebi que era uma grande besteira acreditar que as coisas eram assim só porque deus quis.
Acredito que as coisas podem ser diferentes. Que homens e mulheres possam ser o que bem entenderem. Que a igualdade que eu experimentei com as pessoas do meu meio possa ser vivida na sociedade como um todo. Aí um dia não vai importar se você tem ou não uma perereca, porque nesse dia (e espero que seja logo) ninguém mais vai ensinar o que é coisa de menino e o que é coisa de menina. Se você também acha isso, parabéns. Você também é um goddamn feminista.

Uma historieta de arrepiar
O que seria de um escritor sem um pouco de história verídica de vez em quando, não é? Por isso mesmo, hoje a história é da minha vida.
Nem sempre eu fui assim, de esquerda (e calma lá: antes de fazer cara feia e desistir do texto, pelo menos me deixe mostrar que isso não é tão mau. Afinal, só usei esse palavrão porque realmente não tinha outra forma de começar).
Hoje em dia, estou do lado de cá por acreditar que o papel do Estado na sociedade deva ser o de garantir que todos tenham direitos iguais. Essa é a finalidade que dá um sentido para o Estado existir. Ele deve trabalhar para que todos tenham iguais condições na sociedade, com acesso à cultura, informação, saúde, moradia, trabalho e educação.
Vamos combinar que a direita não compartilha dessa visão. E como eu não faço parte da fatia privilegiada pelos interesses do lado de lá, simplesmente não faz sentido eu ser de direita (e sim, houve um tempo em que eu não era de esquerda. Mas nessa época isso não fazia a menor diferença, já que eu era adolescente, meio besta, e não dava a mínima para qualquer coisa que não fizesse parte do meu mundinho limitado).
Você deve estar se perguntando onde raios eu quero chegar com tudo isso. Simples: na história de como tudo isso começou. Já ouviu falar do ProUni?
Essa foi a ótima ideia de alguém que percebeu o quanto era difícil para pessoas de baixa renda entrarem na faculdade. Apesar de gratuitas, as universidades federais exigem de seus candidatos ao vestibular um nível de conhecimento que as escolas públicas ainda não oferecem. Resultado: a maioria dos estudantes das universidades públicas vem do ensino privado, de famílias ricas. É uma concorrência desleal. Resta o quê? As universidades e faculdades privadas, que poucos podem pagar.
É aí que entra o Programa Universidade Para Todos: para quem fez o ensino médio em escola pública, tem baixa renda e não consegue entrar em uma universidade federal, por estar disputando a vaga com candidatos muito superiores, vindos de escolas particulares, o Estado tem a obrigação de pagar pelos estudos da pessoa em uma faculdade privada. Garantir direitos iguais, lembra?
Pois é. E eu, que tentei tantas vezes entrar na UnB (Artes Plásticas e Desenho Industrial, pasmem), já estava familiarizada com a rotina de fazer aquela prova medonha. A cada vez que eu reprovava, ficava mais claro que eu nunca conseguiria fazer um curso superior. Pelo menos não daquela forma.
Como quem não quer nada, resolvi fazer novamente o Enem. Na época, era uma prova que todo mundo que estivesse terminando o terceiro ano precisava fazer. Quer dizer, precisar não precisava, mas pelo menos nas escolas públicas, os alunos eram encorajados a fazer. Eu já tinha feito o Enem quando terminei meu ensino médio, e no semestre seguinte repeti a dose; mas tinha encarado mais como um exercício para o vestibular da UnB. Então resolvi fazer uma terceira vez, e o “como quem não quer nada” ali em cima é mentira. No meu segundo Enem, eu tirei uma nota PÉSSIMA na prova de redação. Tenho que admitir: foi puro revanchismo que me levou a fazer a terceira vez. Porra, aquilo não podia ficar assim!
Eu já sabia que o Enem era a ferramenta que o ProUni usava para dar bolsas de estudo para as melhores notas. Mas só caiu a ficha que eu finalmente ia ter a chance de cursar o ensino superior quando chegou o resultado do meu exame. Não, na verdade só caiu a ficha quando eu consegui respirar, depois do choque de ver minha nota em redação: 97. Eu queria tanto ver esse texto de novo, não lembro se era realmente tão bom.
Parece coisa do destino: um texto meu abrindo as portas para que eu entrasse na faculdade. E não foram só essas portas que se abriram. Virar universitária foi como ganhar um bilhete que eu podia usar para conseguir o que eu quisesse, transitar sem limites (e nem estou falando da meia entrada, hehe). Foi como cruzar uma linha, onde do outro lado eu poderia ter uma vida radicalmente diferente.
(entra flashback: Aline morando em uma cidade de interior, sem a menor perspectiva, ganhando alguns trocados escrevendo trabalhos de faculdade para os outros, dando aulas de desenho e acreditando que, com mais uns anos de estudo, conseguiria passar em um concurso, e assim não precisar mais entregar currículo aleatoriamente)
Agora cá estou eu, estudando no melhor curso de Publicidade de Brasília; atualmente trabalhando no mercado publicitário, já tendo passado por três agências (e olha que nem sou formada ainda); tendo uma renda consideravelmente melhor; e ganhando horrores de dinheiro com contos eróticos (ok, essa última é mentira).
Sem falar de outros ganhos: fazer uma faculdade expandiu meu universo. Conheci coisas que antes não imaginava existir, descobri talentos que eu não imaginava ter. Passei a ter maior contato com pessoas diferentes, mais acesso à cultura e informação. Toda essa invasão de coisas, pessoas, culturas, aprendizados, fez de mim o que sou hoje. Alguém muito melhor – aliás, muito maior.

Lula na formatura dos primeiros bolsistas ProUni de Medicina. Ele bem que podia aparecer na minha formatura também, hein.
Agora imagina: outras pessoas que foram beneficiadas com o ProUni também passaram ou estão passando pela mesma transformação. Uma pesquisa registra a mudança positiva que aconteceu na vida dessas pessoas, que reflete a história que estou contando e não me deixa mentir. De 2005 pra cá, quando começou o programa, com Lula e Fernando Haddad, foram cerca de 500 mil beneficiados, e ainda são previstas pelo MEC mais 60 mil bolsas só para esse segundo semestre.
A longo prazo, isso significa uma verdadeira revolução social. Revolução porque está mexendo com a estrutura da coisa toda. A história muda para uma pessoa e a história da sociedade muda junto: mais pessoas bem informadas, com maior poder de consumo, mais cultura, e mais chance de passar melhores condições de vida para a geração seguinte.
Isso tudo dispensa mais explicações sobre porque eu apoio políticas de governo voltadas para o social, né?
E minha história como bolsista não termina aqui. Ainda pretendo fazer um mestrado na área de comunicação, estudar fora, poder me dedicar à vida acadêmica, e contribuir com todo esse conhecimento adquirido para devolver à sociedade o investimento que o governo está fazendo em mim. Quem sabe até lá surjam outras histórias como essa, para que finalmente alguma coisa mude na história do País?

Post sobre Lost tá sempre em tempo. Certo, Faraday?
O que posso dizer sobre Lost sem ser, de cara, passional demais? Foram seis anos de uma história que fez jus ao seu nome do início ao fim. Começou com personagens perdidos em uma ilha, que depois ficaram perdidos no tempo, fazendo a série perder audiência, sem antes deixar os fãs perdidos no meio de tanto mistério, terminando com roteiristas mais perdidos que todo mundo até agora – e com o sentimento que a gente perdeu tempo assistindo.
A série dividiu opiniões e foi uma divisora de águas, sendo a percursora de uma mudança na forma de pensar e consumir entretenimento. Ok, até pode não ser um bom exemplo de fechamento de narrativa, que definitivamente não correspondeu a todo o potencial que a série possuía no início, mas sem dúvidas Lost foi um dos cases mais bem sucedidos de transmedia storytelling. Não tiro a razão de quem esbraveja contra a habilidade narrativa dos condutores da história (até porque faço parte do time que nutre um sentimento de revolta desde que começou a última temporada), mas é inquestionável: há algum mérito em fazer com que uma pessoa permaneça ligada a uma série televisiva durante cinco anos consecutivos e VIVA (sim, viva, e não apenas assista) uma história com tanta intensidade durante todo esse tempo.

Elenco de Lost reunido
Não vou chover no molhado e ficar discorrendo longamente sobre cada furo da sexta temporada e sobre o nível juvenil da narrativa, coisa que o Gravataí já fez melhor aqui e aqui. Só quero expor uma análise dos pontos principais, sob a perspectiva da narrativa (além de deixar claro que detestei e que não houve um momento em que não pensei que a autoria do roteiro houvesse sido passada para um grupo de adolescentes com sério déficit de neurônios. Essa de purgatório e igrejinha no final para irem juntos para o céu não colou. Por mim, se os jovens da Caverna do Dragão se cruzassem com os heróis de Lost para todos irem juntos para casa, o final ia ser muito mais convincente).
Apesar de já estar meio capenga na quinta temporada, acho que a história podia ter terminado por ali mesmo, com a explosão da bomba H. Não ia ter respondido metade do que a sexta temporada tentou porcamente fazer, mas ia ser um final digno. E convenhamos, ia fazer mais sentido.

What lies in the shadow of statue? Taí uma pergunta que seria melhor não ter respondido. Jacob? Não, obrigada.
Acredito que o maior erro dos roteiristas foi tentar explicar todos os mistérios que haviam criado para a ilha. A pressão devia estar forte para o lado deles, pois o dinheiro está sempre no banco do motorista e os produtores executivos precisavam chamar de volta os espectadores, com a promessa de que todos teriam as respostas que queriam. Tá certo que era uma expectativa geral, todo mundo assistia o capítulo seguinte na esperança de encontrar uma explicaçãozinha que seja, mas as coisas eram melhores quando NÓS, os espectadores, chegávamos nas respostas. Na sexta temporada, o caminho se inverteu, e foram as respostas que começaram a chegar até nós, de uma forma bem forçada, diga-se de passagem. Saber construir, e acima de tudo, manter perguntas na cabeça do espectador é a principal arte de quem escreve suspense. E é uma linha tênue: perguntas demais confundem e aborrecem o leitor, sem falar que podem acabar em frustração se não forem satisfatoriamente respondidas no desfecho. Eu particularmente, acho muito mais provocante e envolvente uma história que deixa um final em aberto, para que eu participe da história com a minha própria imaginação. E quantas perguntas eles não trocaram por respostas rasas, quando não por sumários pontos finais?

A Iniciativa Dharma dava um gostinho especial para a série.
O que nossos ilustres escritores lostianos fizeram foi justamente o que todo mundo faz quando já não consegue explicar nada racionalmente: parte para o mítico, o sobrenatural. Lost era a representação perfeita do gênero sci-fi fantasy, equilibrando bem essas duas vertentes até desandar e deixar o sci-fi perdido no meio do caminho, provavelmente em algum dos lapsos temporais decorrentes dos soluços espaço-temporais da ilha. Se essa historinha de céu e purgatório já não colou, imagina então o Jacob, que fez papel de figura divina da ilha, como protetor de uma espécie de fonte sagrada da vida . Perceba que essa consciência de que existia uma força poderosa na ilha já está presente desde o início, e apenas se reforçou na segunda temporada, em que apareceu a Iniciativa Dharma. Tanto nesta fase quanto no final, temos essa fonte de “poder”, alvo de muita cobiça e envolta de mistérios. A diferença é que no início esse mistério dava muito mais pano para manga, e ao mesmo tempo em que nos enchia de perguntas, ia mostrando o significado e o porquê daquilo tudo, através das experiências científicas envolvendo eletromagnetismo, meteorologia, parapsicologia e zoologia (sim, eu sou uma fã da fase Dharma); enquanto no final a “grande explicação” se resumiu em dizer que todo esse poder vinha de uma gruta com uma água mágica e uma rolha que se tirada do lugar destruíria a ilha e libertaria todo o mal. Totalmente desnecessário.
Outro grande ponto que a série tinha conseguido desenvolver, até estragar tudo na sexta temporada, eram os personagens. A relação entre eles, a motivação de cada um e a relevância deles para a história, era tudo muito consistente. Poucas vezes tive contato com personagens tão profundos e bem construídos quanto os sobreviventes do vôo 815, assim como os Outros (afinal, Juliet e Ben figuram entre os melhores personagens da série na minha opinião, juntamente com Desmond e Faraday). Mas para que eles se perdessem (no sentido narrativo) foi um pulo. O casal Jin e Sun teve uma participação inexpressiva, Sawyer não deixou nem pálida sombra do que já foi um dia, Ben abandonou os mind games que o consagraram como vilão dos bons e velhos tempos de Dharma, Richard (ou Ricardus) mostrou ser nada mais que um cagão que nunca teve relevância no grande esquema da ilha, Sayid virou um zumbi (ponto), e nem Widmore cumpriu as expectativas do personagem poderoso e com moral para acabar com toda aquela história que ele parecia ser. Tudo isso para que Jack pudesse aparecer mais, e olha que ele conseguiu ficar ainda mais seboso e cansativo do que já era.

Se vir esses caras na rua, pode bater. O roteirista Carlton Cuse com o roteirista e criador Damon Lindelof
Aí vai a gota d’água: o detalhe é que os roteiristas não sabiam o que estavam fazendo. Rá, e todo mundo achando que eles tinham tudo friamente calculado desde o início. Coisa nenhuma. Olha só essa entrevista que encontrei, com JJ Abrams, um dos roteiristas e criadores da série:
O final da série é aquilo que você pensou que fosse ser desde o início?
JJ: Ah, de jeito nenhum! Há pequenos temas e elementos espalhados, mas a verdade é que quando começamos não sabíamos exatamente o que havia na escotilha. Tínhamos ideias, mas não sabíamos até onde poderíamos explorá-las. A noção sobre o papel dos Outros existia, mas não sabíamos exatamente o que eles significariam. Àquela altura Damon ainda não havia tido a ideia do flash forward. Ver onde chegamos e o que eles criaram é muito gratificante e algo que ninguém poderia prever no início de tudo.
Certamente haviam inúmeras possibilidades de terminar melhor essa história. Mas assim como eles não puderam prever o futuro da série, também não é possível voltar no tempo e tentar consertar a lambança. E para o fim dessa era Lost, que vai deixar muita saudade de uma história bem contada, assim como muita revolta de um final mal contado, só tenho uma coisa a dizer:
See you in another life, brotha.
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A redatora que sentia saudades de escrever
1 comentário | Postado por Valek em Notas da Autora

Em crise.
Vira e mexe estou às voltas com as mesmas crises de sempre. Não as crises políticas, tampouco as financeiras – embora estas sejam responsáveis pela metade dos problemas de todo mundo -, mas as crises autorais. Aquelas, de deixar escritores em desespero. Se eu pelo menos fosse um, o quadro não estaria tão ruim.
Cheguei a uma fase em que o menor dos problemas é o backspace teimando em diminuir, retroceder, fazer desaparecer as linhas escritas com tanto suor, tanto sofrimento. Sequer existe algo para ser apagado. Se fosse em outros tempos, teria o estranho prazer em encher minha lixeira com papéis amassados, que eu arrancaria da máquina de escrever depois de surrar no papel palavra por palavra, com aquele tec tec que encheria toda a sala – e minha cabeça. Hoje as teclas estão todas aqui e cada um dos dedos já sabe seu lugar, mas olho para elas e a tela continua vazia.
Quer dizer, e todas aquelas histórias que eu tinha? Todos aqueles assuntos? Tem uma hora em que simplesmente acaba? E aí depois de todo esse tempo sem escrever, volto assim, de mãos vazias, e tudo o que resta para compartilhar é essa coisa meio confessional – e confesso: isso nunca fez meu estilo -, mas só porque não quero deixar essa tela em branco. Só porque não posso deixar mais um dia em branco.
Achei que sendo redatora eu estaria mais perto de trabalhar com o que eu gosto. Mas, ao mesmo tempo em que crio e escrevo bastante, acho que nunca estive tão distante de trabalhar com o que eu gosto. Publicidade não é tesão o tempo inteiro. Acho que literatura menos ainda – exceto se você for um badalado escritor que ganhe dinheiro fácil, tipo Paulo Coelho ou Stephenie Meyer. Mas a questão é que na publicidade o meu escrever está condicionado ao que o cliente quer, ao que ele precisa. E no meu esforço de chegar a ser uma boa redatora (já que falta aquele talento maroto, aquele talento raiz, que imagino ter sido um belo atalho na vida dos grandes e premiados redatores), eu me anulei no mais importante: deixei de escrever para mim mesma. Deixei as minhas histórias de lado para me empenhar em escrever histórias para marcas. Continuo entretendo o público, contando histórias. Mas não as minhas.
Não que seja um problema escrever sob essas circunstâncias. Eu escolhi publicidade, afinal. Acho que se eu tivesse escolhido qualquer outra coisa, tipo Letras, eu seria uma puta pedante chata e limitada. Mas acho que essa coisa de ser “artista” equilibra as coisas. Saber que posso sentar aqui e contar uma história, e saber que haverá alguém do outro lado para ler, e saber que o que eu escrever não vai precisar ser aprovado por ninguém antes disso acontecer.
Tipo agora. Vê se um troço todo “meu querido diário” como esse seria aprovado, se não fosse meu desespero em escrever alguma coisa. Qualquer coisa. Mas se tem uma coisa que aprendi com um amigo foi nunca me desculpar por nada que eu escreva ou publique. Porque decidi que vou escrever sem pudor, sem escrúpulos, sem vergonha. Soltar o braço. É isso ou me conformar em não saber mais o som que o teclado faz quando digito furiosamente, sem parar.
Agora se me dão licença, preciso acordar cedo amanhã. A redatora ainda tem um monte de jobs esperando por ela.
Chega um certo período no semestre em que fica difícil manter a regularidade na postagem. Mas o que eu mais queria era voltar a escrever por aqui, isso me ajudaria bastante a escrever no trabalho; ando passando por muitos bloqueios ultimamente. Esses dias encontrei um texto antigo do qual nem lembrava mais ter escrito. Resolvi compartilhar aqui no blog, mesmo sendo tão autobiográfico. Já fica o aviso que é um texto pessoal e um pouco extenso. Continue a ler por sua conta e risco.

Não importa quantas vezes eu já tenha visto aquelas fotos. É sempre como ver algo que já faz parte de um outro mundo, não apenas outra época. Aquela Aline de dois anos brincando na areia era uma eterna curiosa quanto à natureza dos adultos. Eram criaturas confusas que ela não conseguia entender, embora se preocupasse bastante com o que eles poderiam pensar dela. Essa Aline de hoje já não tem tanto interesse assim. Vê o quanto todos eles (inclusive ela) não são lá grandes coisas.
Aquela Aline, de olhos puxadinhos quando sorria, cabelo curtinho, anelado e revolto, não cresceu. Ela não se transformou em outra pessoa. Ela não se transformou na Aline que ganhou um irmão bebê e começou uma coleção invejável de Barbies. Essa daí simplesmente surgiu. E após essa, uma Aline que brincava de Lego, de Power Rangers com os amigos do prédio, assistia desenho animado, e que a mãe cortava a franja bem reta e curta, no alto da testa. E após essa, uma Aline que ganhou uma irmã caçula, se mudou para a Ocidental e não tinhamais nada a ver com todas as outras. Ela não era adorável nem tinha todos aqueles amiguinhos. Era uma pré-adolescente de rosto estranho, corpo desajeitado, de conceitos pouco definidos, reprimida, pouco habilidosa, mas tentava se encontrar. E de onde surgiu a Aline que abusava da maquiagem, arrumou namorado, andava de preto, cheia de colares e anéis, curtia lá seu rock meio punk, meio hard rock, meio grunge, meio sei lá o quê? Por todos os deuses, de onde essa doida surgiu? Onde ela estava na história até agora?
E então essa criatura cheia de rebeldia, com uma visão nada resignada de mundo, deixou outras Alines entrarem na história. Uma Aline de cabelão preto e muito comprido. Uma Aline que de tanto ficar em casa, ganhou um tom amarelo e pálido na sua pele antes tão morena. Uma Aline que não suportava ouvir Nirvana, embora uma Aline que tivesse vindo antes adorasse. Teve até uma Aline que estudava pra concursos públicos e tentava passar na UnB pra Artes Plásticas. Outra que não se esforçava muito para arrumar um bom emprego, e fazia uns freelas de graça só pra ganhar experiência. Uma Aline que teve alguns namorados por longos períodos de tempo, e que por conta disso aprendeu muito, mas tornou-se desagradável e irremediável em muitos aspectos. Uma Aline que viu, através do irmão que começou a experimentar a fase da rebeldia, que esse negócio de ir contra a família não levava a lugar nenhum.
E veio outra, que foi contratada por uma empresa de TI e logo virou assistente do gerente de projetos, passando a coordenar e receber tarefas importantes. Esta passou na faculdade, e diferente de uma Aline que quase fez Artes Plásticas, e de outra que queria fazer História, e de outra (coitada) que tentou Desenho Industrial, essa foi bem-sucedida e tinha tudo a ver com Publicidade. Essa Aline, que conheceu o Marcos no primeiro semestre e se tornou a melhor amiga dele, também não é a mesma que um dia deu a louca e resolveu beijá-lo, na casa dele. Essa é a Aline sortuda que conseguiu um bom namorado. A outra, a “apenas amiga”, esquivou do beijo que ele tentou roubar um dia, e ficou sozinha.
A Aline que assumiu a partir daí, apareceu meio que sem ninguém perceber. Era meio desesperada, meio histérica, envolvida demais com tudo que fazia. Ela tinha boas idéias, era engajada, cheia de projetos, mas com pouquíssimo tempo para se dedicar aos amigos. Sim, um dia até houve uma Aline que escrevia cartas, participava de fóruns, e veja só, até tinha melhores amigas. Mas a seguinte perdeu o contato com muitas pessoas, porque não concordava com o egoísmo com o qual eles a tratavam. Também não se sentia confortável quando percebia que eles estavam, na verdade, se dirigindo a uma Aline que ficou pra trás na história há um tempão, que não gostava mais das mesmas coisas que eles, nem via mais graça nas piadas que eles acham o máximo. Não dá para exigir que uma Aline fique por tempo indeterminado, a história precisa continuar.
Quais Alines virão daqui em diante? Virá uma que se dedica a escrever, ou uma que é uma chefe megera, ou ainda uma que é uma mãe divertida e cheia de coisas pra ensinar? Quais Alines virão?
Passei pelas fotos como quem agradece a cada uma daquelas escritoras (pequenas ou grandes) pela parcela de contribuição que trouxeram à história, seja pelos altos, seja pelos baixos. E olho para aquela pequenininha, que nem dez meses tinha, no colo da mãe magrela que lhe dava mamadeira, e penso em lhe dizer: “Você ficou com a melhor parte da história. Seria tão ruim se você tivesse que largar tudo isso e vir aqui viver os meus problemas; mas venha me visitar de vez em quando, para que eu não me esqueça que é da sua história que eu estou cuidando agora.”
Se não fôssemos carnívoros por natureza, ainda estaríamos pendurados em árvores e você não estaria lendo este post. O ser humano começou a caçar por necessidade; e se não fosse pelo consumo da carne e pela necessidade de caçar (e de inventar ferramentas para que isso fosse possível), nossa constituição física e engenhosidade não seriam tão diferentes dos primatas que só comiam frutinhas.
Sim, sou uma carnívora convicta. Já escrevi muito sobre isso aqui (e recomendo que LEIAM antes de encher a caixa de comentários com mimimi), e acho que não há nada de errado em matar animais para nos alimentarmos deles. Afinal, a vida não é um desenho animado – onde os predadores são sempre os vilões. Mas para quem ainda sustenta argumentos baseados nesse ponto de vista maniqueísta e infantil, só digo uma coisa: pare um pouco de assistir Coyote e Papa-Léguas e vá assistir Discovery Channel.
Tenho uma teoria sobre o porquê de vegetarianos serem um distúrbio na cadeia alimentar. Deixo vocês com a reflexão.
Animais que comem vegetais têm um predador carnívoro que os come. Sendo assim, se um humano vegetariano não come nenhum animal abaixo dele, quem é que come o vegetariano?
Ainda no ano passado, escrevi sobre a força das mulheres nos quadrinhos – como autoras e produtoras. Hoje é a vez de voltar a falar de mulher nos quadrinhos – mas de uma que vem de dentro deles: a Mulher Hulk, que completa neste mês de março seus 30 anos de existência. Foi criada no mesmo ano da fundação do National Woman History Project, uma organização educacional que traz como tema em 2010 “Writing Women Back into History”. Guardem bem isso.
Jennifer Walters, uma advogada idealista (com um histórico de defesa dos direitos de minoria, liberdades civis, e de proteção a indivíduos vitimados por corporações pouco éticas) é baleada e quase perde a vida, se não fosse seu primo Bruce Banner (isso mesmo, o Hulk) realizar uma transfusão de sangue improvisada que a salva – e infesta seu organismo com radiação gama. Essa alteração em seu sangue a transforma em uma forma de vida feminina superforte e esverdeada, tal qual seu monstruoso primo, mas com a grande diferença (e vantagem) de manter sua inteligência e autocontrole após a transformação. A tendência é essa até fora dos quadrinhos: quando o poder sobe à cabeça de alguns homens, ficam irracionais e selvagens.
Todo o carisma da personagem se deveu a isso. Não era uma descerebrada movida pelo instinto de destruir tudo o que via pela frente. Vamos combinar que os roteiros da maioria dos quadrinhos da década de 80 não eram lá geniais, mas o humor da Mulher Hulk era cativante. No entanto, o título próprio da Mulher Hulk durou só 20 edições na época. Depois disso, levou a vida como integrante dos Vingadores, Quarteto Fantástico, e até chegou a fazer dupla com o amigão da vizinhança. Passou muito tempo levando uma vida errante, mas depois do sucesso do último filme de Hulk , essa grande personagem (grande mesmo) pode dar a volta por cima e figurar em uma adaptação para o cinema.

Oh! E agora, quem poderá nos defender?
Mas não é porque ela é grande, verde e ESMAGA que a vida seria mais fácil. Ainda que seja uma mulher de personalidade, inteligente, espirituosa, advogada competente e heroína poderosa, o atributo que é levado em consideração pelos outros em primeiro lugar acaba sendo seus seios, e o resto de seu corpão que preenche as roupas minúsculas e provocativas das quais os desenhistas gostam de abusar. É como uma fã da heroína disse aqui: a objetificação da personagem através de capas hiper-sexualizadas fez com que a She-Hulk fosse vista bem mais como uma personagem que o público gostaria de levar para a cama, do que como uma personagem que o público admirasse pela personalidade. E não é o que acontece sempre? Agora imagine se o mesmo critério valesse para os homens: o Superman, com aquela cara de paisagem e jeitão sem-graça, seria um fracasso absoluto. E você também, leitor homem, que apesar de não usar cueca por cima da calça está bem longe de ser um sex symbol, teria dificuldades em ser bem-sucedido ou até mesmo manter seu emprego se seus atributos físicos valessem mais do que seu potencial e competência.
Mas nem com os superpoderes da She-Hulk metade dos problemas das mulheres estariam resolvidos. Talvez aqueles engraçadinhos, que acreditam que o ponto alto do dia de uma mulher é quando eles resolvem nos abordar no meio da rua, pensassem duas vezes antes de invadir nosso espaço com comentários abusivos sobre nosso corpo, se não quisessem ter o crânio esmagado ali mesmo (eu pelo menos, esmagaria sem dó). Agora, se mesmo com todas as conquistas da mulher em relação a seu espaço no mercado de trabalho, ainda existe uma grande desigualdade de salários e postos ocupados (ou acha que é pura coincidência que a profissão mais mal-remunerada, a de empregada doméstica, seja ocupada quase totalmente por mulheres?), não seria com os poderes da She-Hulk que seria possível reverter essa situação. Ela mesma sabe a dificuldade que é galgar degraus em uma carreira quando se usa salto alto.

And justice for us
E por isso o mês de março é tão importante, não só para a She Hulk, mas para todas as mulheres. Não para ganhar flores e mensagens dizendo o quantos somos fortes, especiais, que o mundo não seria nada sem a nossa beleza, e toda essa baboseira sem sentido. O dia 8 de março não é uma data de comemoração. É uma data de protesto. Uma data que hoje resgata o centenário da luta das mulheres trabalhadoras por uma sociedade com condições mais iguais.
Em 1910, Lena Lewis, uma das principais representantes do movimento feminista norte-americano, declarou que não era uma época para celebrar nada, mas um dia para antecipar as lutas que viriam, “quando poderemos eventualmente e para sempre erradicar o último vestígio do egotismo masculino e seu desejo de dominar as mulheres”.
Hoje é o dia em que lembramos o mundo de escrever as mulheres de volta em sua história. E que, se algum poder for concedido a nós, mulheres, que não seja o da invisibilidade. Mas, como a She Hulk, o da força.
Este meu humilde bloguinho é equipado com uma ferramenta bem bacana que uso desde o Histórias Esquecidas: o Google Analytics. Ele oferece relatórios bem completos e elucidativos sobre a visitação do site/blog. Número de visitas, quais as páginas mais lidas, quanto tempo as pessoas gastam lendo cada página, e como encontraram o blog. No meu caso, a maioria das visitas vêm através do Twitter e das pessoas que passam pelo meu formspring. Além disso, há um grande número de visitas Direct Traffic, de pessoas que já vem direto ao meu blog por já o acompanharem sempre (o que me deixa muito feliz). Mas há um número cada vez mais expressivo de pessoas que encontram o meu blog através de mecanismos de busca (o que também é ótimo, já que o blog vai subindo no ranking desses mecanismos).

O melhor de tudo, porém, é poder ver o que a pessoa estava digitando no Google quando achou meu blog no meio do caminho. Em alguns casos, acho que a pessoa tropeçou nele. São as buscas mais insanas e improváveis que – contrariando toda a lógica – vieram parar aqui!
Eu me divertia horrores quando a Lola resolvia dedicar um post a essas estranhas buscas do Google, e então resolvi compartilhar algumas pérolas – as mais bizarras – com vocês. Abaixo, em itálico, tudo sic.
“assistir o filme em que uma mulher tem um amigo imaginario que é um menino” – Não consigo lembrar de nenhum filme com essa sinopse, mas pelo menos esse disbravador(a) do Google encontrou o post em que falo do filme em que um menino tem monstros como amigos imaginários. Que é muito mais legal. Mais um cliente satisfeito.
“caractere para orkut raio” – O que raios essa pessoa estava esperando encontrar? Seja o que for, passou bem longe. Aliás, o que teve de gente atrás de coisas para orkut e caiu aqui de paraquedas não está no gibi.
“como posso começar a destribuir a minha criação publicitária para o país” – Genial. Simplesmente genial. Você pode começar assim: primeiro, pare de perguntar coisas para o Google como se fosse um atendente de guichê. Depois procure saber – e o mais importante, entender – o que é uma agência de publicidade. Já ouviu falar? Boa sorte.
“e-mail falso no dia do seu anivesario” – Juro que não entendi. Mas acho que é mais provável receber um e-mail de parabéns verdadeiro no dia do seu aniversário de mentirinha, do que receber um e-mail de mentirinha no dia do seu aniversário verdadeiro. Sério, eu já testei isso.
“como se vestir de lobo” – A pergunta é: pra quê você vai se vestir de lobo?
“ilustracao de criancas que tenha haver com a musica velha infancia” – Um belo exemplo de como muita gente definitivamente não sabe fazer uma simples busca no Google. Ou elas fazem perguntas como se o Google fosse o tiozinho do balcão de informações, ou jogam termos absolutamente sem noção porque não devem fazer a mínima ideia do que estão procurando. Isso é ainda pior do que não saber fritar um ovo. É praticamente uma nova modalidade de analfabetismo funcional. Mas buscar uma informação na internet pode ser um processo penoso para quem não fala nem seu próprio idioma. Por isso o Google trouxe essa busca pra cá. Para me fazer sofrer com tanto erro de português. Só pode.
“mulheres negra gtalk” - Esse sujeito acha que Google é tipo o quê? Bate-papo do UOL? “Oi, estou procurando mulheres negras, altas, saradas, com gtalk e webcam. Alguém quer tc?” Não é assim que funciona, querido. O máximo que encontrou aqui foi uma usuária de gtalk meio encardidinha.
“o nome aline escrito para colocar no perfil do orkut” - Nossa, sério mesmo que isso foi tão difícil a ponto de levar essa criatura a recorrer ao Google? Aí vai: Aline. Pronto, mais um cliente satisfeito.
“o que eu faço quando os caracteres não conferem” - Depois de uma dessas, não sei nem mais o que dizer. Sério, como faz? Peço ajuda aos universitários.

ESQUILO!
“o que significa esquilo no filme up” – Se você não viu UP, está pedindo ao Google o spoiler de um dos moment… ESQUILO!… mais geniais do filme.
“o que significa inativo no orkut” - Simples. Significa sem atividade. No orkut e onde mais usar a língua portuguesa.
“obrigado por ter lembrado do meu aniversario-mensagem para orkut” - De nada, mas eu não lembrei. Eu não lembro o aniversário de ninguém. Mas o que me deixa impressionada é a total falta de capacidade dos usuários do orkut em redigir um simples “obrigado”. Se quiser algo diferente, experimente “valeu”. Funciona também.
“odeio a vida academica” – Acontece. Especialmente quando alguns professores entram na sua vida acadêmica dispostos a fazer com que você passe a odiá-la. Abraços, Rita. Mas esse semestre você está com dois fortes concorrentes.

Alô você que faz buscas no Google sobre o Orkut: GET A LIFE!
“palavras para orkut coloridas e prontas no conte algo para seus amigos” - Coloridas e prontas. Tipo uma sopa instantânea Maggi. Ê lasqueira. Mais um exemplar da espécime “aprendi usar o orkut antes de aprender a pensar e a escrever”.
“qual a importancia da redação publicitaria” - Essa na verdade foi uma busca legal. Essa pessoa passou um bom tempo lendo meu blog, e espero que tenha saído sabendo o quão importante é a redação publicitária (além de saber que importância e publicitária levam acento justamente pelo mesmo motivo ortográfico)
“porque meu aniversário não foi lembrado no orkut???” - Eu não sei, e duvido que o Google saiba. Apenas tente se conformar com o fato de que você é um mala.
“redação publicitária a distancia” - Esse seria alguém à procura de algo estilo Telecurso 2000, ou alguém que quer total distância da profissão?
“regras com ilustrações da super nani” - Olha, acho que a Super Nanny não desenha.
“scraps de aniversario bem doido” - Hahahaha! Morri! Próxima!
“vcs pode me emforma onde encontro a traduçao do x-men mt para pc” - Quem sabe quando eu (ou o Google) entender o que é “mt para pc” você possa ser “emformado”. Alguém?
Sentiram o drama? Apesar disso, espero que o Google continue mandando essas buscas para cá. Assim o meu blog sobe, ganha novos visitantes, e de quebra eu me divirto.

Alguém tem que fazer o trabalho sujo.

Velharia uma ova! Ainda escreve que é uma beleza!
Essa é a frase mais memorável do pistoleiro Roland Gilead, no livro “A Torre Negra” de Stephen King, que faz referência às coisas que não podemos esquecer para nos mantermos íntegros em um mundo já sem valores. E hoje tomo essa frase emprestada para homenagear o culpado pelo meu potencial à inclinação literária, desde que eu era apenas um faceiro zigotinho.
Hoje é aniversário do meu pai, artista e poeta que o tempo não vai conseguir derrubar (e espero que a rotina de trabalho também não!). Como eu não conseguiria escrever nada à sua altura, resolvi compartilhar com vocês uma de suas poesias, que expressa bem o seu estilo único de escrita. Aqui vocês podem conhecer outros poemas e entender porque tenho tanto orgulho do meu velho!
O Criador
… em meio as reticências,
entre parênteses e colchetes;
saem meus poemas:
( sabedorias )
para todas almas;
que exclamam,
que interrogam,
por tão pequenos mistérios.8º)- [ [..olhe para o céu
(esse teto azul)
veja as formas, algumas sequer imagina...
outras porém busque enxerga-las.
... ali, bem além... há um infinito
que o Homem não alcança.
Olhe profundamente pelo corpo
e encontre a essência que o move.
E saiba que... dos olhos para cima há ‘um’ além,
dos olhos para dentro ‘outro’ além,
(esse... pode desvenda-lo até o limite do seu fim).
(... daí todo bem, todo mal, toda crença, toda sapiência,
qualquer ato criado, qualquer filosofia, qualquer mistério...
e todo segredo resolvido),
fluirá para o Todo
de onde uma criação oculta
(continuada)
dos espaços inacabados... (ainda se realiza);
[ já que a arte de criar para quem cria nunca se finda.]… olhe para o Universo,
(esse espaço único) entre EU e você
e saiba das formas acima ou abaixo,
que SOU uma delas!
Não me pergunte,
Quem? Qual?[ irá imagina-la após o seu fim.]
… Sendo assim, continuarei a SER ( aquele teto azul )
(tão indefinido… tão infinito.)… e só, além de mim, estará você … muito além.
Tudo que criei não foi totalmente para o fim.
Criatura, agora olhe para mim! ]]… em meio
as reticências,
entre parênteses e colchetes,
tantas almas
reenganam
por tão misterioso segredo:
( O CRIADOR, a criatura. )Élsio Soares

