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	<title>AlineValek</title>
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		<title>Senta que lá vem história</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 19:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valek</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notas da Autora]]></category>
		<category><![CDATA[esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[social]]></category>
		<category><![CDATA[vida acadêmica]]></category>

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		<description><![CDATA[O que seria de um escritor sem um pouco de história verídica de vez em quando, não é? Por isso mesmo, hoje a história é da minha vida.
Nem sempre eu fui assim, de esquerda (e calma lá: antes de fazer cara feia e desistir do texto, pelo menos me deixe mostrar que isso não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 350px"><img src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/historietas_assombradas_D.jpg" alt="null" width="340" height="258" /><p class="wp-caption-text">Uma historieta de arrepiar</p></div>
<p style="text-align: left; ">O que seria de um escritor sem um pouco de história verídica de vez em quando, não é? Por isso mesmo, hoje a história é da minha vida.</p>
<p>Nem sempre eu fui assim, de esquerda (e calma lá: antes de fazer cara feia e desistir do texto, pelo menos me deixe mostrar que isso não é tão mau. Afinal, só usei esse palavrão porque realmente não tinha outra forma de começar).</p>
<p><img class="alignleft" style="margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; margin-left: 6px; margin-right: 6px; border: 3px solid black;" src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/E.R..jpg" alt="null" width="230" height="229" />Hoje em dia, estou do lado de cá por acreditar que o papel do Estado na sociedade deva ser o de garantir que todos tenham <em>direitos iguais</em>. Essa é a finalidade que dá um sentido para o Estado existir. Ele deve trabalhar para que todos tenham iguais condições na sociedade, com acesso à cultura, informação, saúde, moradia, trabalho e educação.</p>
<p><a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/06/tendencias-da-direita-e-esquerda.html">Vamos combinar que a direita não compartilha dessa visão</a>. E como eu não faço parte da fatia privilegiada pelos interesses do lado de lá, simplesmente não faz sentido eu ser de <a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/01/tres-duvidas-sinceras-sobre-direita.html">direita</a> (e sim, houve um tempo em que eu não era de esquerda. Mas nessa época isso não fazia a menor diferença, já que eu era adolescente, meio besta, e não dava a mínima para qualquer coisa que não fizesse parte do meu mundinho limitado).</p>
<p>Você deve estar se perguntando onde raios eu quero chegar com tudo isso. Simples: na história de como tudo isso começou. Já ouviu falar do <a href="http://educacao.uol.com.br/prouni/"><strong>ProUni</strong></a>?</p>
<p><img class="alignright" style="margin: 3px;" src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/prouni.jpg" alt="null" width="200" height="200" />Essa foi <a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lula-e-o-prouni.html">a ótima ideia de alguém</a> que percebeu o quanto era difícil para pessoas de baixa renda entrarem na faculdade. Apesar de gratuitas, as universidades federais exigem de seus candidatos ao vestibular um nível de conhecimento que as escolas públicas ainda não oferecem. Resultado: a maioria dos estudantes das universidades públicas vem do ensino privado, de famílias ricas. É uma concorrência desleal. Resta o quê? As universidades e faculdades privadas, que poucos podem pagar.</p>
<p>É aí que entra o <a href="http://siteprouni.mec.gov.br/">Programa Universidade Para Todos</a>: para quem fez o ensino médio em escola pública, tem baixa renda e não consegue entrar em uma universidade federal, por estar disputando a vaga com candidatos muito superiores, vindos de escolas particulares, o Estado tem a obrigação de pagar pelos estudos da pessoa em uma faculdade privada. <em>Garantir direitos iguais</em>, lembra?</p>
<p>Pois é. E eu, que tentei tantas vezes entrar na UnB (Artes Plásticas e Desenho Industrial, pasmem), já estava familiarizada com a rotina de fazer aquela prova medonha. A cada vez que eu reprovava, ficava mais claro que eu nunca conseguiria fazer um curso superior. Pelo menos não daquela forma.</p>
<p>Como quem não quer nada, resolvi fazer novamente o <a href="http://www.enem.inep.gov.br/index.php?option=com_frontpage&amp;Itemid=1"><strong>Enem</strong></a>. Na época, era uma prova que todo mundo que estivesse terminando o terceiro ano precisava fazer. Quer dizer, precisar não precisava, mas pelo menos nas escolas públicas, os alunos eram encorajados a fazer. Eu já tinha feito o Enem quando terminei meu ensino médio, e no semestre seguinte repeti a dose; mas tinha encarado mais como um exercício para o vestibular da UnB. Então resolvi fazer uma terceira vez, e o “como quem não quer nada” ali em cima é mentira. No meu segundo Enem, eu tirei uma nota PÉSSIMA na prova de redação. Tenho que admitir: foi puro revanchismo que me levou a fazer a terceira vez. Porra, aquilo não podia ficar assim!</p>
<p>Eu já sabia que o Enem era a ferramenta que o ProUni usava para dar bolsas de estudo para as melhores notas. Mas só caiu a ficha que eu finalmente ia ter a chance de cursar o ensino superior quando chegou o resultado do meu exame. Não, na verdade só caiu a ficha quando eu consegui <em>respirar</em>, depois do choque de ver minha nota em redação: <strong>97</strong>. Eu queria tanto ver esse texto de novo, não lembro se era realmente tão bom.</p>
<p>Parece coisa do destino: um texto meu abrindo as portas para que eu entrasse na faculdade. E não foram só essas portas que se abriram. Virar universitária foi como ganhar um bilhete que eu podia usar para conseguir o que eu quisesse, transitar sem limites (e nem estou falando da meia entrada, hehe). Foi como cruzar uma linha, onde do outro lado eu poderia ter uma vida radicalmente diferente.</p>
<p><em>(entra flashback: Aline morando em uma cidade de interior, sem a menor perspectiva, ganhando alguns trocados escrevendo trabalhos de faculdade para os outros, dando aulas de desenho e acreditando que, com mais uns anos de estudo, conseguiria passar em um concurso, e assim não precisar mais entregar currículo aleatoriamente)</em></p>
<p>Agora cá estou eu, estudando no melhor curso de Publicidade de Brasília; atualmente trabalhando no mercado publicitário, já tendo passado por três agências (e olha que nem sou formada ainda); tendo uma renda consideravelmente melhor; e ganhando horrores de dinheiro com contos eróticos (ok, essa última é mentira).</p>
<p>Sem falar de outros ganhos: fazer uma faculdade expandiu meu universo. Conheci coisas que antes não imaginava existir, descobri talentos que eu não imaginava ter. Passei a ter maior contato com pessoas diferentes, mais acesso à cultura e informação. Toda essa invasão de coisas, pessoas, culturas, aprendizados, fez de mim o que sou hoje. Alguém muito melhor – aliás, muito maior.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 243px"><img style="margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; margin-left: 6px; margin-right: 6px;" src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/images.jpeg" alt="null" width="233" height="159" /><p class="wp-caption-text">Lula na formatura dos primeiros bolsistas ProUni de Medicina. Ele bem que podia aparecer na minha formatura também, hein.</p></div>
<p>Agora imagina: outras pessoas que foram beneficiadas com o ProUni também passaram ou <a href="http://blogln.ning.com/profiles/blogs/jovens-de-classe-c-e-d-sao-45" target="_blank">estão passando pela mesma transformação</a>. <a href="http://www.mundovestibular.com.br/articles/6298/1/Prouni---Bolsistas-revelam-em-pesquisa-as-vantagens-da-graduacao/Paacutegina1.html">Uma pesquisa registra a mudança positiva que aconteceu na vida dessas pessoas</a>, que reflete a história que estou contando e não me deixa mentir. De 2005 pra cá, quando começou o programa, com Lula e Fernando Haddad, foram cerca de <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/haddad+pede+ao+stf+agilidade+em+julgamento+de+acao+contra+prouni/n1237675083787.html" target="_blank">500 mil beneficiados</a>, e ainda são previstas pelo MEC mais 60 mil bolsas só para esse segundo semestre.</p>
<p>A longo prazo, isso significa uma verdadeira <em>revolução social</em>. Revolução porque está mexendo com a estrutura da coisa toda. A história muda para uma pessoa e a história da sociedade muda junto: mais pessoas bem informadas, com maior poder de consumo, mais cultura, e mais chance de passar melhores condições de vida para a geração seguinte.</p>
<p>Isso tudo dispensa mais explicações sobre porque eu apoio políticas de governo voltadas para o social, né?</p>
<p>E minha história como bolsista não termina aqui. Ainda pretendo fazer um mestrado na área de comunicação, estudar fora, poder me dedicar à vida acadêmica, e contribuir com todo esse conhecimento adquirido para devolver à sociedade o investimento que o governo está fazendo em mim. Quem sabe até lá surjam outras histórias como essa, para que finalmente alguma coisa mude na história do País?</p>
<p><span style="font-family: 'Times New Roman', 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><span style="white-space: pre-wrap; font-size: medium; "><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: small;"><span style="white-space: normal; "><br />
</span></span></span></span></p>
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		<title>Microconto do dia seguinte</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 19:04:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valek</dc:creator>
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		<category><![CDATA[humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando transaram, Julia gozou, apaixonada. Quando se viram no dia seguinte, foi como se nada tivesse acontecido. Julia sofria de amnésia.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Quando transaram, Julia gozou, apaixonada. Quando se viram no dia seguinte, foi como se nada tivesse acontecido. Julia sofria de amnésia.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Inquilino</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 04:42:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valek</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mudança]]></category>
		<category><![CDATA[vazio]]></category>

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		<description><![CDATA[Conto originalmente publicado no site PSV Crônicas, onde participei do Desafio 3: Vazio, ficando com o segundo lugar!   Foi uma experiência muito bacana participar desse desafio, e nem digo pelo prêmio, que não foi meu objetivo quando resolvi escrever; minha satisfação foi, de fato, escrever este conto, e depois, ver a reação super [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;"><em>Conto originalmente publicado no site <a href="http://www.psvsite.com/cronicas" target="_blank">PSV Crônicas</a>, onde participei do <strong>Desafio 3: Vazio</strong>, ficando com o segundo lugar! <img src='http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  Foi uma experiência muito bacana participar desse desafio, e nem digo pelo prêmio, que não foi meu objetivo quando resolvi escrever; minha satisfação foi, de fato, <strong>escrever</strong> este conto, e depois, ver a reação super positiva dos leitores. Tenham certeza de que apenas isso já valeu o desafio pra mim. Deixo vocês com o conto, e não deixem de conferir os outros textos que participaram do desafio <a href="http://www.psvsite.com/cronicas/category/desafio-3/" target="_blank">aqui</a>.</em></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">
<p style="text-align: center; "><img class="aligncenter" src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/1271077229_48220595_1-Fotos-de-Alugo-apartamento-semi-mobiliado-em-Porto-Velho-1271077229.jpg" alt="" width="375" height="281" /></p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Agosto é quando se consegue os melhores apartamentos nessa cidade. Quer dizer, se o que você está procurando é aluguel. Eu tenho certa experiência nisso, porque sempre morei de aluguel (minto: uma vez fui dono de um terreno durante um bom tempo, mas depois construíram um shopping lá). E é mais ou menos nessa época que a maioria dos contratos acaba, ou que os inquilinos resolvem ir atrás de um lugar melhor. Deve ser porque é inverno, e aí eles percebem que o lugar é uma merda quando faz frio (engraçado como as pessoas, mesmo em cidades grandes, se parecem com aqueles animais que migram no inverno).</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Eu tenho meus contatos, acabo descobrindo onde vai abrir alguma vaga. Chego no apê (os antigos moradores ainda estão empacotando as coisas), avalio o espaço, vou direto na janela ver se tem uma boa vista – e uma boa tranca. Sempre vejo as trancas. Se estão funcionando direito, se são seguras. Não é nenhum transtorno obsessivo compulsivo, é precaução. Uma vez fui morar em uma casa no subúrbio. Era um muquifo, mas muito espaçosa. Daquelas que até sua respiração faz um eco enorme. Mas o portão não era muito seguro e as trancas das janelas muito fáceis de arrombar. Um bando de viciados achou que era um ótimo lugar para se esconder durante a noite, sem se intimidar com o fato que eu estava morando ali. Lógico, saí de lá no dia seguinte.</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Ok, deu para entender que eu só me mudo se o lugar tem uma tranca que se garante, certo? Quando escolho o apartamento, já estou morando lá no dia seguinte que o pessoal antigo desocupa o espaço. Sempre carrego pouca coisa. Com essa minha vida errante, vi que era um desperdício ter muitos móveis, muitas roupas, muitos livros. Afinal, nunca sei se no próximo lugar que vou morar vai ter espaço para tanta coisa. E espaço pra mim é importante. Por isso, quanto menos coisa tiver, melhor. Aumenta a sensação de espaço.</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Eu gosto de sossego. Não sou aquele vizinho problemático, que faz barulho, faz fofoca, faz sujeira. Eu fico quieto no meu canto, mas não vem bater na minha porta não. Eu finjo que nem estou. É assim que construo a minha política da boa vizinhança: cada um no seu quadrado.</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Eu só tenho um pequeno probleminha, que são as contas. Chega uma hora que eu não consigo deixar em dia, e elas começam a acumular na caixa de correio. Claro que o pessoal da imobiliária fica puto, mas sempre arrumo um jeito de ficar mais um pouquinho. Quando não dá mais, eles arrumam outro inquilino e eu me mando para outro canto. Não dá pra ter muito apego, sabe?</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Mas com o apartamento da 112 a história foi diferente. Eu realmente gostava daquele lugar. E eu já estava morando lá há quase um ano. Vizinhança tranquila, bairro mais afastado do centro, trancas seguras, sala bem espaçosa, uma boa acústica – daquelas que deixam o eco bem bonito. Quando eu me mudei para lá, era até semi-mobiliada. Perfeito, né não? Só que meu contrato estava chegando ao fim e parecia que já tinha gente interessada no lugar. Mas bati o pé: não ia sair de lá nem fudendo. Passou um mês nisso e aí a imobiliária resolveu me fazer uma visitinha.</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Quando olhei pelo olho mágico reconheci na hora aquele engomadinho do outro lado. Silvino era o corretor encarregado de alguns apartamentos naquela área. Pobre coitado, porque era difícil pra burro conseguir inquilino para qualquer apartamento naquela área.</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Convidei ele para entrar, pedi para não reparar na bagunça. Ele fez uma cara meio incomodada, porque eu não estava usando nada. Mesmo assim me encarou e foi direto ao ponto: “senhor, você já deve saber que vim falar sobre sua permanência no imóvel. Ainda essa semana ele terá que ser desocupad- Quer dizer, terá que ser ocupado.”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Eu até que ia oferecer algo para ele beber, mas a geladeira estava vazia. “Seguinte. O lance é que eu não vou sair daqui, a não ser que você me dê um bom motivo para ser despejado.”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">“Um bom motivo é que enquanto o senhor ocupa o lugar, a gente não ganha nada. Precisamos receber aluguel.”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">“Ah, mas isso de pagar aluguel não estava no meu contrato.”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">“Contrato? Olha, o problema é que as coisas ficaram meio informais. Você não tem um contrato assinado” (acho que ele sempre quis ser advogado, pelo jeito que riu e ajeitou a gravata)</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">“Como não? Pode olhar aí nos seus papéis. Vê o que diz na ficha sobre o imóvel. Olha direitinho.”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Ele abriu a pastinha velha e puxou alguns papéis. Encontrou a ficha, leu com cuidado (mexendo os olhos pra lá e pra cá) e sua boca repuxou quando respondeu, meio desgostoso: “vazio.”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">“Viu só. Eu assinei.”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">“Mas… Ora, veja bem. Você sabe o que significa isso. As coisas funcionam assim: alguém vem morar aqui e você desaparece. Já tenho pessoas interessadas, então o imóvel não vai mais poder ficar vazio.”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">“Deixa eu te dizer como as coisas funcionam. Eu sou um inquilino como qualquer outro, e não simplesmente a ausência de alguma coisa. Eu tô aqui, não tô? Não dá pra se desfazer do vazio. Você enche algo e o vazio vai para outro lugar. É assim que as coisas funcionam, cara. E no momento não tô afim de ir pra lugar nenhum.”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">“Hm, ir para outro lugar…”</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Silvino teve uma ideia aquela hora, pensou bastante e me fez uma proposta indecente. Um apartamento com o dobro do tamanho, a duas quadras dali, trancas seguras, sossego total. Ele ia arrumar um jeito de eu poder ficar lá por quanto tempo eu quisesse, sem problemas quanto ao aluguel. Eu só ia precisar dividir o apartamento por alguns meses com a atual moradora.</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Eu nunca tinha morado com ninguém antes, então fiquei curioso para ver como isso poderia acontecer. Ok, fechei o negócio e me mudei no dia seguinte. Realmente, o apartamento era uma belezura. Mobília retrô, do jeito que eu gosto. Além do mais, vi que ia me dar bem com a moradora. D. Mitres era uma senhora, já surda, que morava no apê às custas dos netos ricaços (que aliás, nunca iam visitá-la). Uma ótima companhia.</p>
<p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 14px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; padding: 0px; border: 0px initial initial;">Morreu pouco tempo depois e fiquei com o lugar só pra mim. O único problema foi ter que morar com o cadáver da velha por quase um mês. Eu podia ter esperado agosto para encontrar um lugar melhor, mas preferi me garantir e ficar por ali mesmo. O apartamento compensava. Além do mais, sabe como é: hoje em dia especulação imobiliária não está para brincadeira. Nem para um vazio como eu.</p>
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		<title>Microconto de sacanagem</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 15:06:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valek</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era uma esposa muito boa de cama. Dormia loucamente.
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			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Era uma esposa muito boa de cama. Dormia loucamente.</p></blockquote>
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		<title>Mistura a três (pt 2 de 2)</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 02:41:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valek</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Então era isso: eu tinha esse amigo, que tinha essa queda por mim, a gente se agarrou, e agora eu só conseguia imaginar ele na minha cama, daquele jeito que eu gosto; mas o cara era praticamente casado, e ainda me propôs um ménage com a Ana, a mulher dele. Difícil? É porque você não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left; "><img class="aligncenter" src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/elisa-ana-gustavo.jpg" alt="" width="428" height="472" />Então era isso: eu tinha esse amigo, que tinha essa queda por mim, a gente se agarrou, e agora eu só conseguia imaginar ele na minha cama, daquele jeito que eu gosto; mas o cara era praticamente casado, e ainda me propôs um ménage com a Ana, a mulher dele. Difícil? É porque você não está no meu lugar.</p>
<p>Depois daquele telefonema, ele ficou sem saber se devia insistir. E eu sem saber se devia aceitar. Eu nunca transei com mulher, quanto mais com uma mulher e um homem ao mesmo tempo. Tudo bem, parecia cômodo fazer isso com a Ana e o Gustavo, que eu conhecia e tal. Mas um casal que nunca fez isso, e que sempre teve um relacionamento 100% fechado, tinha TUDO para dar errado.</p>
<p>Entre eu e o Gustavo continuou aquele climinha. Teve o dia em que ele estava me ajudando a revisar o planejamento de aula, e assim, como não quer nada, colocou a mão firme sobre minha perna, por debaixo da mesa. Ele queria tanto quanto eu, mas estava com medo de pular a cerca.</p>
<p>Aí o negócio é que eu topei. Não dava para saber se ele estava fazendo isso porque queria uma espécie de infidelidade consentida. O que importa é que eu sentia tesão por ele e ponto.</p>
<p>Caprichei na produção e apareci no apartamento dele, do jeito que a gente combinou. O casal me recebeu bem, como sempre. Quando cheguei, já estavam bebendo vinho e me ofereceram uma taça. Sentamos na sala e ficamos conversando, bebendo, e comendo uns belisquetes que eles tinham preparado.</p>
<p>Até então, nada diferente do que costumavam ser minhas visitas ao casal. Só que dessa vez, Gustavo estava bem à vontade. Começou a falar comigo cheio daquelas insinuações que antes só usava quando a mulher não estava por perto. Ao mesmo tempo, passava a mão nas pernas da Ana, fazendo o vestido dela subir ligeiramente, como se eu não estivesse ali. E eu achando tudo aquilo muito divertido.</p>
<p>Cheguei junto, o vinho já tinha deixado minha cabeça bem leve. Sentei perto dos dois e a gente continuou a conversa em um nível mais íntimo. Trocamos alguns toques, meus dedos passearam pelas pernas da Ana, como se eu só quisesse arrumar o vestido que o outro subiu. Gustavo acariciava minha nuca, e foi assim que me puxou para o beijo. Logo tinha mais uma língua ali no meio, e opa. Vou te contar que foi meio estranho. São duas texturas diferentes, dois ritmos diferentes. Uma mais afobada, outra se movendo mais devagar, querendo descobrir, entender, aproveitar. Cada uma brigando por um espacinho na boca do outro. Uma loucura, mas logo você acostuma e curte.</p>
<p>Deixei que eles continuassem a se beijar e fui explorar o Gustavo. Beijava e mordia o pescoço, não precisava nem me preocupar em não deixar vestígios do crime. Ele passava a mão por trás da minha cintura, e não demorou muito para vir encher a mão com os meus seios. Senti que Ana começou a ficar um pouco incomodada com toda aquela empolgação para cima de mim, e antes que o Gustavo se desfizesse do meu decote, peguei a mão dele e impedi que avançasse, dando umas mordidinhas carinhosas.</p>
<p>Trouxe Ana para perto de mim, talvez assim ela ficasse mais à vontade. Olhei bem fundo nos olhos dela e a beijei. A sensação de ser um beijo entre amigas passou rapidinho. Apesar de ser a primeira vez que eu ficava com uma mulher, senti que a gente estava bem entrosada. Quem fez as honras de colocar meus seios pra fora foi ela, tocando com a ponta dos dedos, delicadamente, de um jeito que a afobação do Gustavo não ia permitir. Tirei o vestido dela, e ao vê-la ali só de calcinha, não sabia muito bem por onde começar. Mas pelo jeito que ela reagia aos meus beijos e lambidas, eu parecia estar acertando. Ah, e o Gustavo, que nessa hora já tinha sido deixado totalmente de lado, nem estava achando ruim não.</p>
<p>Ela resolveu não deixá-lo sozinho nas carícias. Eu estava adorando ver, mas o que eu queria mesmo era provar. Fiquei de joelhos, tirei a calça dele e me debrucei. Ana passou os dedos entre meus cabelos, ajeitando-os para trás, porque ela queria ver direitinho eu chupando o namorado dela. O movimento dos dois continuou um tempinho lá em cima, até que ela resolveu descer e me ajudar. Nossas línguas passavam por ele de cima a baixo, e vez ou outra se encontravam. No mesmo estilo do beijo a três, Ana e eu começamos a nos beijar, enquanto ele esfregava a ponta no meio daquela confusão de línguas. Ele já estava ficando louco. Deixei ela continuar o trabalho e fui buscar a língua dele.</p>
<p>Gustavo me queria toda nua. Tirou minha roupa e começou a me masturbar. Não parou nem quando Ana sentou em cima dele e começou a rebolar. Depois ela cedeu a vez e ficou só observando ele me comer.</p>
<p>Ménage tem uma logística meio complicada, afinal de contas, o cara tem só um pau. Por outro lado, não faltam mãos e bocas para o resto. E quando você está lá, no meio de tantas possibilidades, quer experimentar tudo, ver todas as posições e testar todas as combinações; revezar é o menor dos problemas. Era tanto vai e vem, que Gustavo não aguentou mais segurar e gozou. Isso foi na vez da Ana, que logo veio para mim.</p>
<p>Ela estava se revelando, viu. Pudemos ficar nos curtindo, respeitando nosso tempo e descobrindo uma a outra. Gustavo aparecia com suas carícias, mas foi o toque dela que chegou onde interessava. Ana me fez gozar de um jeito que estremeci toda. E não paramos. Em seguida foi a vez dela, e pelo sorriso iluminado que ela me deu junto com o orgasmo, eu soube que poderia fazer isso a vida toda.</p>
<p>Ainda chegamos a descobrir outras formas de fazer a outra gozar, antes do Gustavo ficar pronto de novo e chegar no ápice da festa. A gente estava totalmente embriagada, pegando fogo, e ele nos explorou da forma que bem entendia. Metendo com força mesmo.</p>
<p>Foi quando resolvi fazer uma coisa que nunca achei que faria. Abri as pernas da Ana e comecei a chupar, primeiro com carinho e meio insegura. Depois lembrei do jeito que o Carlos fazia que me deixava louca e resolvi experimentar. Também funcionou com ela. Enquanto isso, o Gustavo veio por trás, aproveitando que eu estava de quatro. Deve ter sido uma cena linda. Ele transando comigo e assistindo eu chupar a mulher dele. O casal conseguia olhar um para o rosto do outro, da posição que estava.</p>
<p>(Como vou explicar? Ah, imagina aí.)</p>
<p>Ele gozou pela segunda vez, agarrado à minha cintura. Ah, e o carinho que a Ana estava fazendo na minha cabeça estava tão gostoso que ainda me demorei um pouquinho mais. Ele despencou do lado da mulher e os dois se abraçaram, satisfeitos. Ele buscou meu corpo e me abraçou também. Mas eu estava me sentindo extremamente desconfortável com isso e logo me levantei, dando um beijo na testa dele. Sabe, aquele momento era dos dois.</p>
<p>(Gostei bastante. Apesar de ter sido uma delícia, foi bem, BEM diferente do que já vi em filmes pornôs. Quando a gente vê, acha que é só aquela putaria mesmo. Mas a história muda quando a gente está fazendo de verdade. São pessoas, e como tudo que envolve pessoas, é complexo. Eu tive foi sorte de ter feito com eles. A coisa fluiu bem, e não sei como seria se tivesse sido com outro casal. Ou se a mulher que fizesse parte do casal fosse eu. É, seria bem diferente. Por isso, saí do apartamento do casal aquela noite com uma estranha, súbita e enorme admiração pela Ana.)</p>
<p>É complicado levar tudo numa boa, como se nada tivesse acontecido, depois de uma transa a três. Os sinais e insinuações do Gustavo continuaram lá, mas com um carinho diferente. Dava a impressão de que ele me incorporaria ao relacionamento se ele pudesse. Ele parou de me dar carona com tanta frequência, disse que a Ana ficava um pouco enciumada. Certa ela. Porque agora ele me desejava como nunca.</p>
<p>Teve o dia em que ela apareceu lá em casa. Eu tinha tirado o dia para colocar em dia as alterações no projeto final, então não estava esperando MESMO nenhuma visita. Estava até usando shorts de pijama. Fiquei surpresa, pedi desculpas pela bagunça. Mas eu estava pensando mesmo é que ia dar merda. “Pronto, veio me dizer para ficar longe do Gustavo, não quer que a gente pense que por causa daquela transa a gente é alguma coisa, etc.” Vai vendo.</p>
<p>Estava na bancada preparando o café enquanto a gente conversava. Ela me falou do trabalho dela, perguntou também como eu estava indo de projeto final. Toda aquela conversa que a gente sabe que era só para dar umas voltas básicas. Servi o café e ela ficou reticente, olhando para a xícara. Deu um gole e resolveu ir direto ao ponto. “Você ainda pensa naquele dia, Elisa?” Tive que ser honesta, né. Porque pensava sim. Então ela me disse que foi a primeira vez que transou com uma mulher. Disse que não sabia se eu pensava o mesmo, ou se tinha conhecido melhores, mas que achou muito bom.</p>
<p>Eu só pude rir. “Linda, essa também foi a minha primeira vez”, admiti. Ela pareceu respirar aliviada e riu também. Trocamos uma ideia sobre o que tinha sido a experiência para cada uma. Lembrar daquilo tudo me deixou morrendo de tesão. Então ela me vem com essa: “Seria bom repetir a dose”. Eu nem disse nada. Só a beijei com muito gosto.</p>
<p>Mais uma vez a teoria da infidelidade deu o ar de sua graça. Só que dessa vez, de uma forma que eu nunca imaginei que pudesse acontecer. Já deitadas no sofá, entre beijos, Ana disse que não passava pela cabeça do Gustavo que ela estava ali.</p>
<p>Tudo bem, ele não ia saber mesmo.</p>
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		<title>Mistura a três (pt 1 de 2)</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 15:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valek</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Você pode até estranhar, mas tem uma teoria que diz que os relacionamentos, monogâmicos do jeito que a gente conhece hoje, só duram tanto tempo por causa da infidelidade. Pensa bem: em uma cidade grande como a nossa, nos tempos atuais em que é tão fácil conhecer pessoas novas, e em um relacionamento com duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center; "><img class="aligncenter" src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/07/elisa.jpg" alt="" width="443" height="494" /></p>
<p style="text-align: left;">Você pode até estranhar, mas tem uma teoria que diz que os relacionamentos, monogâmicos do jeito que a gente conhece hoje, só duram tanto tempo por causa da infidelidade. Pensa bem: em uma cidade grande como a nossa, nos tempos atuais em que é tão fácil conhecer pessoas novas, e em um relacionamento com duas pessoas minimamente normais, a chance de pelo menos um ter traído ou vir a trair o outro deve ser algo em torno de 80%. Ou seja, um relacionamento 100% fechado funciona muito bem, obrigada, mas vai ter alguém levando um chifre.</p>
<p>Quem me convenceu disso foi o Carlos. <a href="http://www.alinevalek.com.br/blog/2010/04/bukowski-de-um-conto-so/" target="_blank">Acho que já te falei dele</a>. Uma delícia de moreno. Na hora em que ele me contou a tal teoria, eu estava só de calcinha deitada do lado dele, enquanto nem passava pela cabeça do meu namorado que eu tinha acabado de transar com outro cara. Bem, aí eu tive que concordar que aquilo fazia todo sentido.</p>
<p>E continuou fazendo, mesmo depois de alguns meses sem namorado. Eu passei um bom tempo querendo experimentar a vida de solteira de novo, e quando finalmente pude, lembrei que nem era tão empolgante. Fora alguns encontros com o Carlos, fiquei meses sem homem. E quer saber, nem dei importância. Tinha começado como monitora do departamento de audiovisual e estava trabalhando insanamente no meu projeto final. Meu relacionamento era com a orientadora, e olhe lá.</p>
<p>(Ah, o Carlos? Não é nada sério. Seguinte: nós somos amigos, temos intimidade, quando eu tô afim eu ligo, ele também me procura quando bate a vontade, a gente transa, passa a noite juntos, mas às vezes saímos só para ter uma boa conversa mesmo. Além do mais, sempre compensa ter por perto um cara que sabe fazer uma boa massagem. Fica a dica.)</p>
<p>O lance de ter uma rotina assim tão corrida é que você acaba se apegando com mais força no que está por perto. Por exemplo, os almoços com o pessoal do estúdio nunca foram tão importantes, agora que eu ficava por lá só meio período. Na outra metade do tempo, o meu apego foi com os colegas de monitoria. Alguns eu já conhecia, tipo o Gustavo, que estudou comigo no início do curso, mas que só agora a gente tinha a oportunidade de conviver de verdade.</p>
<p>A gente estava morando na mesma quadra há poucos meses, e eu lembro que ele e a Ana foram os primeiros a me visitar no apartamento novo. Desde que eu os conheci eles namoram, mas já fazia um ano que eles moravam juntos. É um casal que gosta sempre de ter os amigos por perto. Vez ou outra chamam o pessoal para jantar lá, e às vezes fazem até umas festinhas com muita comida, bebida e karaokê.</p>
<p>(Mas onde eu quero mesmo chegar é na teoria da infidelidade. Antes era importante você saber desses dois para entender o resto da história. Você também precisa saber que apesar de ser um casal muito caloroso e atencioso com todo mundo, é um casal como qualquer outro, em um relacionamento monogâmico, 100% fechado, e tal. Quanto mais eu convivia com os dois, mais eu queria que o Carlos os conhecesse, para ele ver que a teoria tinha lá seus furos. Mas não foi bem isso que aconteceu.)</p>
<p>Então, o Gustavo. Não sei exatamente como foi que começou a existir entre a gente aquele campo invisível de tensão sexual. Vamos combinar que a gente não estava no ambiente mais propício para surgir aquele tipo de atração; afinal, tínhamos que ficar de um lado para o outro dos laboratórios para dar suporte às atividades. Mas quando a gente se cruzava, vinham aqueles olhares. No começo, não entendia muito bem. E aí comecei a perceber outros sinais de interesse mais incisivos, como alguns elogios, insinuações, o toque dele buscando minha mão, meu braço, ou meu rosto.</p>
<p>Acredite, nada mais excitante que ter um amigo gostoso, inteligente, e que te dá mole. Fiquei na minha, mas queria saber até onde ia esse chove não molha. O problema é que ficou um tempão nessa indefinição.</p>
<p>A gente era praticamente vizinho e com frequência ele me deixava na porta do meu prédio. Mas aquele dia ele parecia determinado a alguma coisa, ou vai ver era impressão minha. A gente estava no carro, batendo papo sobre o trabalho, como sempre. Ele começou com uma conversinha que, para quem está de fora não tem nada de mais, mas eu sabia que ali tinha coisa. Vez ou outra me tocava, fazendo parecer que não havia nenhuma intenção nisso. Ai que saco, já estava vendo que isso não ia levar a lugar nenhum.</p>
<p>Aproveitei quando ele tocou meu rosto, e toquei na mão dele de volta. Ele se surpreendeu, achou que eu o segurei porque não queria que me tocasse. Mas se surpreendeu ainda mais quando levei a mão dele para perto da minha boca, e com a língua bem macia, e bem lentamente, lambi seu dedo indicador. Ele esperou passar a onda de arrepio que faria sua voz tremer, e então disse firmemente: “Vem cá. Coloca essa língua dentro da minha boca.” Ele queria lamber arsênico. Ele sabia que era veneno, mas sabe como é: precisava dar uma provadinha.</p>
<p>E então, quando eu fui com tudo e o beijei, a teoria da infidelidade se comprovou mais uma vez. O tesão dele parecia buscar mais do que só a minha língua e o meu corpo junto do dele. Então eu disse para irmos para outro lugar. Pedi para ele subir. Ele parou e disse que até queria, mas não devia. Dei uma risadinha, mas era porque eu estava aborrecida mesmo. Crise de consciência numa hora dessas?</p>
<p>“Eu até queria, Elisa. Mas porra. Você é mulher da hora errada.” Tive quase certeza que ele tirou isso de uma música do Aerosmith. Nem lembro o nome, mas é aquela que fala “<em>love is the right dress on the wrong girl</em>”, coisa assim.</p>
<p>Sabendo que ele estava pensando na Ana, fui bem franca e disse: “Desculpa aí, mas não acho que tem isso de mulher da hora errada. Cara, um relacionamento não precisa ser estritamente contratual. Onde tá escrito que só vale com uma pessoa? Tô te dizendo isso porque sei como funciona. Aliás, sei que fidelidade NÃO funciona. Você é um tesão, mas é uma pena que não possa. Quando se resolver com isso, me procura.” Dei um beijo rápido e subi.</p>
<p>Eu não achei que isso ia mexer tanto com a cabeça dele. Umas duas semanas depois, eu estava em casa quando ele me ligou me chamando pra dar um pulo lá. Eu estranhei, porque depois que a gente ficou, ele esfriou comigo, ficou distante. E agora me chamando pra ir na casa dele? Vai entender.</p>
<p>Ele deu voltas até chegar onde queria. Então me perguntou: “Olha, eu ainda não tirei aquele dia da cabeça. No carro. Eu precisava mesmo saber&#8230; Saber se você ainda está afim.” Olha gato, é só dizer “pega eu”. Claro que eu não respondi assim, mas ele entendeu o recado. Aí ele vem e me diz que a Ana ia estar lá. Pronto, joguei a toalha, porque não estava entendendo mais nada.</p>
<p>Foi então que ele veio com a bomba: “Tem um tempo que a gente anda conversando, querendo experimentar coisas novas. Convenci ela de um ménage com outra mulher, e aí pensei em você. Ela topou na hora. Claro que ela não sabe o que aconteceu entre a gente. Mas nem vai precisar. Então, se você quiser&#8230;”</p>
<p>Eu comecei a rir. Quer dizer, imagina o que ele não deve ter feito para convencê-la. Na hora, fiquei curiosa mesmo para saber o que ele disse pra Ana. Deve ter dito que eu era a pessoa ideal pelo fato de ser amiga, de confiança. Aham. Ter me agarrado no carro não teve absolutamente nenhuma influência nisso.</p>
<p>Mas taí uma coisa que a teoria do Carlos não previa. Vai ver porque ele nunca se meteu em um triângulo onde os outros dois vértices se encontravam – do jeito que o Gustavo estava propondo. E eu, que nunca fui fã de geometria, comecei a gostar dessa história.</p>
<p><em>(continua)</em></p>
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		<title>Briefing de Microconto</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 01:55:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valek</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aquele atendimento fazia bem mais que só encaminhar email do cliente: ele sempre acrescentava um URGENTE no final.
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		<title>Microconto de RSS</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 21:02:18 +0000</pubDate>
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		<title>Whatever happened, happened</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 01:43:50 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O que posso dizer sobre Lost sem ser, de cara, passional demais? Foram seis anos de uma história que fez jus ao seu nome do início ao fim. Começou com personagens perdidos em uma ilha, que depois ficaram perdidos no tempo, fazendo a série perder audiência, sem antes deixar os fãs perdidos no meio de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/faraday.jpg" alt="" width="200" height="328" /><p class="wp-caption-text">Post sobre Lost tá sempre em tempo. Certo, Faraday?</p></div>
<p>O que posso dizer sobre Lost sem ser, de cara, passional demais? Foram seis anos de uma história que fez jus ao seu nome do início ao fim. Começou com personagens perdidos em uma ilha, que depois ficaram perdidos no tempo, fazendo a série perder audiência, sem antes deixar os fãs perdidos no meio de tanto mistério, terminando com roteiristas mais perdidos que todo mundo até agora &#8211; e com o sentimento que a gente perdeu tempo assistindo.</p>
<p>A série dividiu opiniões e foi uma divisora de águas, sendo a percursora de uma mudança na forma de pensar e consumir entretenimento. Ok, até pode não ser um bom exemplo de fechamento de narrativa, que definitivamente não correspondeu a todo o potencial que a série possuía no início, mas sem dúvidas Lost foi um dos cases mais bem sucedidos de <em><a href="http://www.oalquimista.com/articles/2010/03/15/transmedia-storytelling-desde-3-000-a-c" target="_blank">transmedia storytelling</a></em>. Não tiro a razão de quem esbraveja contra a habilidade narrativa dos condutores da história (até porque faço parte do time que nutre um sentimento de revolta desde que começou a última temporada), mas é inquestionável: há algum mérito em fazer com que uma pessoa permaneça ligada a uma série televisiva durante cinco anos consecutivos e VIVA (sim, viva, e não apenas assista) uma história com tanta intensidade durante todo esse tempo.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 295px"><img src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/caverna-do-dragão.jpg" alt="" width="285" height="213" /><p class="wp-caption-text">Elenco de Lost reunido</p></div>
<p>Não vou chover no molhado e ficar discorrendo longamente sobre cada furo da sexta temporada e sobre o nível juvenil da narrativa, coisa que o Gravataí já fez melhor <a href="http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/2010/05/24/lost_o_pior_final_de_todos_os_tempos_do_/" target="_blank">aqui</a> e <a href="http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/2010/05/lost-a-grande-cagada-do-ultimo-capitulo/" target="_blank">aqui</a>. Só quero expor uma análise dos pontos principais, sob a perspectiva da narrativa (além de deixar claro que detestei e que não houve um momento em que não pensei que a autoria do roteiro houvesse sido passada para um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=l4IXzlBG0aM" target="_blank">grupo de adolescentes com sério déficit de neurônios</a>. Essa de purgatório e igrejinha no final para irem juntos para o céu não colou. Por mim, se os jovens da Caverna do Dragão se cruzassem com os heróis de Lost para todos irem juntos para casa, <a href="http://www.michaelreaves.com/requiem_preface.htm" target="_blank">o final ia ser muito mais convincente</a>).</p>
<p>Apesar de já estar meio capenga na quinta temporada, acho que a história podia ter terminado por ali mesmo, com a explosão da bomba H. Não ia ter respondido metade do que a sexta temporada tentou porcamente fazer, mas ia ser um final digno. E convenhamos, ia fazer mais sentido.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 370px"><img src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/lost20foot20statue11.jpg" alt="" width="360" height="296" /><p class="wp-caption-text">What lies in the shadow of statue? Taí uma pergunta que seria melhor não ter respondido. Jacob? Não, obrigada.</p></div>
<p>Acredito que o maior erro dos roteiristas foi tentar explicar todos os mistérios que haviam criado para a ilha. A pressão devia estar forte para o lado deles, pois o dinheiro está sempre no banco do motorista e os produtores executivos precisavam chamar de volta os espectadores, com a promessa de que todos teriam as respostas que queriam. Tá certo que era uma expectativa geral, todo mundo assistia o capítulo seguinte na esperança de encontrar uma explicaçãozinha que seja, mas as coisas eram melhores quando NÓS, os espectadores, chegávamos nas respostas. Na sexta temporada, o caminho se inverteu, e foram as respostas que começaram a chegar até nós, de uma forma bem forçada, diga-se de passagem.<strong> Saber construir, e acima de tudo, manter perguntas na cabeça do espectador é a principal arte de quem escreve suspense.</strong> E é uma linha tênue: <a href="http://withlasers.blogspot.com/2010/05/as-perguntas-que-lost-deixou.html" target="_blank">perguntas demais</a> confundem e aborrecem o leitor, sem falar que podem acabar em frustração se não forem satisfatoriamente respondidas no desfecho. Eu particularmente, acho muito mais provocante e envolvente uma história que deixa um final em aberto, para que eu participe da história com a minha própria imaginação. E quantas perguntas eles não trocaram por respostas rasas, quando não por sumários pontos finais?</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/di-milk-chocolate.jpg" alt="" width="400" height="271" /><p class="wp-caption-text">A Iniciativa Dharma dava um gostinho especial para a série.</p></div>
<p>O que nossos ilustres escritores lostianos fizeram foi justamente o que todo mundo faz quando já não consegue explicar nada racionalmente: parte para o mítico, o sobrenatural. Lost era a representação perfeita do gênero <em>sci-fi fantasy</em>, equilibrando bem essas duas vertentes até desandar e deixar o <em>sci-fi</em> perdido no meio do caminho, provavelmente em algum dos lapsos temporais decorrentes dos soluços espaço-temporais da ilha. Se essa historinha de céu e purgatório já não colou, imagina então o Jacob, que fez papel de figura divina da ilha, como protetor de uma espécie de fonte sagrada da vida . Perceba que essa consciência de que existia uma força poderosa na ilha já está presente desde o início, e apenas se reforçou na segunda temporada, em que apareceu a <a href="http://pt.lostpedia.wikia.com/wiki/Iniciativa_DHARMA" target="_blank">Iniciativa Dharma</a>. Tanto nesta fase quanto no final, temos essa fonte de &#8220;poder&#8221;, alvo de muita cobiça e envolta de mistérios. A diferença é que no início esse mistério dava muito mais pano para manga, e ao mesmo tempo em que nos enchia de perguntas, ia mostrando o significado e o porquê daquilo tudo, através das experiências científicas envolvendo eletromagnetismo, meteorologia, parapsicologia e zoologia (sim, eu sou uma fã da fase Dharma); enquanto no final a &#8220;grande explicação&#8221; se resumiu em dizer que todo esse poder vinha de uma gruta com uma água mágica e uma rolha que se tirada do lugar destruíria a ilha e libertaria todo o mal. Totalmente desnecessário.</p>
<p>Outro grande ponto que a série tinha conseguido desenvolver, até estragar tudo na sexta temporada, eram os personagens. A relação entre eles, a motivação de cada um e a relevância deles para a história, era tudo muito consistente. Poucas vezes tive contato com personagens tão profundos e bem construídos quanto os sobreviventes do vôo 815, assim como os Outros (afinal, Juliet e Ben figuram entre os melhores personagens da série na minha opinião, juntamente com Desmond e Faraday). Mas para que eles se perdessem (no sentido narrativo) foi um pulo. O casal Jin e Sun teve uma participação inexpressiva, Sawyer não deixou nem pálida sombra do que já foi um dia, Ben abandonou os <em>mind games</em> que o consagraram como vilão dos bons e velhos tempos de Dharma, Richard (ou Ricardus) mostrou ser nada mais que um cagão que nunca teve relevância no grande esquema da ilha, Sayid virou um zumbi (ponto), e nem Widmore cumpriu as expectativas do personagem poderoso e com moral para acabar com toda aquela história que ele parecia ser. Tudo isso para que Jack pudesse aparecer mais, e olha que ele conseguiu ficar ainda mais seboso e cansativo do que já era.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 420px"><img class=" " src="http://www.alinevalek.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/Carlton-Cuse-e-Damon-Lindelof.jpg" alt="" width="410" height="278" /><p class="wp-caption-text">Se vir esses caras na rua, pode bater. O roteirista Carlton Cuse com o roteirista e criador Damon Lindelof</p></div>
<p>Aí vai a gota d&#8217;água: o detalhe é que os roteiristas não sabiam o que estavam fazendo. Rá, e todo mundo achando que eles tinham tudo friamente calculado desde o início. Coisa nenhuma. Olha só <a href="http://www.collider.com/2010/01/12/jj-abrams-on-the-star-trek-sequel-lost-fringe-and-nbcs-undercovers/" target="_blank">essa entrevista que encontrei</a>, com JJ Abrams, um dos roteiristas e criadores da série:</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: bold;">O final da série é aquilo que você pensou que fosse ser desde o início?</span></p>
<p>JJ: Ah, de jeito nenhum! Há pequenos temas e elementos espalhados, mas a verdade é que quando começamos não sabíamos exatamente o que havia na escotilha. Tínhamos ideias, mas não sabíamos até onde poderíamos explorá-las. A noção sobre o papel dos Outros existia, mas não sabíamos exatamente o que eles significariam. Àquela altura Damon ainda não havia tido a ideia do flash forward. Ver onde chegamos e o que eles criaram é muito gratificante e algo que ninguém poderia prever no início de tudo.</p></blockquote>
<p>Certamente haviam inúmeras possibilidades de terminar melhor essa história. Mas assim como eles não puderam prever o futuro da série, também não é possível voltar no tempo e tentar consertar a lambança. E para o fim dessa era Lost, que vai deixar muita saudade de uma história bem contada, assim como muita revolta de um final mal contado, só tenho uma coisa a dizer:</p>
<p><em>See you in another life, brotha.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Microconto de Esquina</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jun 2010 15:45:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valek</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Essa é a história de Bete e Luiz: ele esbarrou de leve no cotovelo dela quando atravessaram a rua. Nunca mais se viram.
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