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Oct/10

19

Estranhos íntimos

Atenção: 18+ NSFW

Todo mundo vive alguma sacanagem que não conta para ninguém. Pelo menos uma. Aquilo que aconteceu e você só revela pra você mesmo, quando vai se masturbar. Se você é um adulto minimamente normal, você pode até não sair por aí contando sua vida sexual, mas todos esperam que você faça sexo; e sim, posições exóticas estão dentro do pacote. Mas tem pelo menos uma safadeza sua que ninguém imagina que você tenha feito. E se soubessem, você certamente seria olhado torto.

Por isso, Mari mantinha seu segredinho bem guardado. Em primeiro lugar, porque era casada. Em segundo, porque morria de tesão quando se lembrava, e sabia que, dentre todas as coisas da sua vida que compartilhava com o marido, pelo menos uma era só dela. Era o que dava a ela a sensação de ser um indivíduo, não apenas metade de um casal.

E olha que o casamento de Marilúcia não era nenhuma ditadura, e estava bem longe de ser um relacionamento fracassado. Era um casal jovem, juntos há apenas sete anos. Mari se casou na igreja, como reza a cartilha da boa esposa. Depois de algum tempo, mesmo amando seu casamento, passou a achar que a palavra esposa era sinônima de “mulher traída que faz um sexo muito mais ou menos”.

Mari tinha uma carreira estável e feliz como servidora pública. Não porque achava a coroação de uma existência trabalhar no administrativo, mas era um trabalho mais tranquilo, que não consumia muito de sua vida. Saía do escritório às seis e pronto: podia viver. Já o marido era jornalista. Frequentemente ficava até tarde na redação, e mesmo sem querer, Paulo estava trabalhando até nas horas de folga. Sempre lendo jornais, assistindo TV, navegando em blogs e portais de notícia. Afinal, a vida de um jornalista é estar bem informado.

Paulo não deixava de comparecer com a esposa, claro. Mari não tinha do que reclamar. Ela ficava impressionada daquele homem dar conta de tanta coisa ao mesmo tempo. Trabalhar o dia inteiro não tirava a disposição de Paulo na cama. Nem no sofá, ou na cozinha, ou no chuveiro. Ok, ele não era nenhuma máquina insaciável, tinha seus limites. Mas o importante é que quando fazia, deixava Mari satisfeita.

Só que ultimamente Paulo estava mais aceso. Era época de eleições e ele estava trabalhando igual a um condenado. Voltava exaurido, muitas vezes puto e querendo mandar o jornal à merda. Como as pessoas têm formas diferentes de reagir a situações extremas de stress, ao invés de chegar em casa deprê e dormir igual a uma pedra, Paulo passou a dormir menos. Bem menos.

Uma noite dessas, depois de ser bem comida e bem chupada, Mari acordou e viu o marido no computador. Meio sonolenta, virou-se para o relógio de cabeceira e viu que já eram três e meia da manhã.

“Amor, está tarde. Vem pra cama, vem.” Ele foi até a cama e deu um beijo carinhoso na testa da mulher. “Já vou, amor. Estou só terminando uma coisinha”. Ele foi até a cozinha, buscar água. Mari ficou preocupada, mas voltou a dormir. “Esse homem agora só quer saber de trabalhar”.

A cena se repetiu durante algumas noites. Paulo já apresentava grandes olheiras no rosto. Mas por outro lado, parecia mais empolgado.

Até que um dia, ele chegou com alguns papeis e mostrou para Mari. Ela não entendeu o sorriso do marido. “Anda, leia leia! Ainda não tá revisado, mas queria sua opinião.”

Ela começou a leitura e logo percebeu que não era mais um de seus textos jornalísticos. Era um conto, muito bem contado por sinal. Mas Mari arregalou os olhos quando percebeu que era um conto erótico. Bem safado, apesar de um pouco cômico. Era a história de um professor que tinha uma estranha tara: só conseguia transar com desconhecidas. Se ele conhecia a mulher, sabia onde morava, o que fazia, ou convivia com ela no trabalho, seja uma aluna ou uma colega, ele simplesmente brochava.

“Uma editora que faz parte do mesmo grupo do jornal está lançando uma revista masculina. E eles estão procurando um colunista para escrever contos eróticos. Acho que vou enviar essa história e ver se eles topam.” Paulo estava passando por um período desgastante no trabalho e tinha escrito esse conto como válvula de escape. Estava funcionando. Afinal, Paulo chegava em casa e conseguia esquecer dos pepinos do jornal.

Mari ficou feliz por ele e deu a maior força. A trepada daquela noite foi inspirada. E foi aí que o talento literário de Paulo mostrou-se forte: o conto erótico veio à cabeça de Mari enquanto ela chupava o marido, e devagarinho ela deixou aquele pensamento tomar conta dela. Começou a imaginar que aquele pau na sua boca era de um estranho. De um cara qualquer que ela nunca tinha visto antes. Então chupou com gosto, mexendo a língua de um jeito diferente. O tesão só aumentava quando percebia que ele estava indo à loucura. Esqueceu do tempo e ficou ali, dedicada. E foi tanta sua dedicação, que Paulo gozou ali mesmo, na sua boca.

Como toda boa fantasia, essa não foi esquecida tão facilmente. Ainda mais um mês depois, quando Mari viu, orgulhosa, o conto do jornalista Paulo Cavalcanti publicado na revista masculina Pecado. Guardou um exemplar em sua gaveta no escritório, e ficava excitada toda vez que pensava em transar com um completo desconhecido, como fazia o personagem da história.

Não demorou muito até Marilúcia encontrar a oportunidade perfeita para uma trepada casual. Foi almoçar em um restaurante que frequentava sempre, e naquele dia o lugar estava bem cheio. Estava sozinha quando um homem que, não tendo encontrado uma mesa vaga, aproximou-se e perguntou se podia se sentar ali. Mari assentiu que sim com a cabeça e voltou a comer. Ela achava a situação particularmente desconfortável; por isso, evitava almoçar na praça de alimentação do shopping ao lado.

Olhou para seu parceiro de mesa e começou a pensar diferente. Era um cara bem ajeitado e aparentava ser mais velho que ela. O cabelo jogado para trás já mostrava alguns fios brancos, e Mari avaliou que ele tivesse por volta dos trinta e seis, trinta e sete anos. Não mais que quarenta. Em seu crachá, ela descobriu o nome do cara: Eduardo. Nenhuma aliança nos dedos.

Mari então pegou sua bolsa, tirou sua aliança disfarçadamente e jogou lá dentro. Deu um gole no suco e tomou coragem para puxar assunto. Algo bem idiota. Teve sorte, o cara era muito simpático. Conversaram sobre o trabalho de cada um, o trânsito, o stress. Eduardo falou que nas horas vagas pedalava. “Você devia experimentar. Também ia te fazer bem!” E Mari só conseguia pensar: “hm, o que quero experimentar é outra coisa.”

Roçou seu pé na perna dele, bem de leve, por debaixo da mesa. Fez como quem não tinha a intenção, e depois jogou um charme levando as mãos ao cabelo. A conversa seguiu descontraída. Os dois foram juntos pagar a conta, e no final ela pegou o comprovante e anotou seu número no verso. “Aqui, Eduardo. Caso você queira dividir uma mesa comigo depois do expediente.”

Ela voltou ao escritório se sentindo uma piranha. “Ai meu Deus, o Paulo não pode nem imaginar uma coisa dessas!” Na hora, ligou para o marido só para saber como ele estava. Conversaram rapidamente e com carinho. Desligou e jurou a si mesma que não iria mais longe do que isso. Então deu cinco e meia. Eduardo ligou e ela mudou de ideia.

Não a leve a mal. Afinal, você também já fez alguma sacanagem que ninguém pode saber. Os dois foram para um barzinho, tomaram um chope, conversaram, mas ficaram pouco tempo. Mari deu sinais de que estava afim e Eduardo gostava da ideia de sair com uma mulher tão liberal.

Foram para o apartamento dele, mas já começaram a se agarrar no elevador. Assim que entrou, Mari levantou a blusa e fez Eduardo sentar no sofá. Ela veio por cima e colocou os seios na cara dele, para que ele beijasse, chupasse, lambesse. Mari virou-se, tirou a calça e abaixou a calcinha. Arrebitou a bunda e começou a rebolar, deixando a calça de Eduardo molhada.

Ela deslizou por entre as pernas dele e abriu o zíper como quem desembrulha um presente. Não deixava de ser uma surpresa: era o pau de um cara desconhecido, tinha a cor, textura, tamanho, tudo diferente. Inclusive o gosto. Ela começou provocando com a língua na pontinha. Depois lambeu tudo, até ficar todo molhado e deixar Eduardo louco de tesão. Chupou com vigor, como se nunca fosse ficar satisfeita.

Mari parou de repente e subiu no sofá. Ficou em pé, de pernas abertas e deu a buceta para Eduardo chupar. Ele usou a língua enquanto enfiava o dedo. Ela ainda estava curtindo quando ele resolveu colocá-la de quatro. Mari exibia sua bunda enquanto ele colocava a camisinha. Então ele meteu sem cerimônias.

Ele ainda estava de calça, e a fivela do seu cinto aberto batia de leve na bunda de Mari, acompanhando o ritmo nervoso de seu vai-e-vem. Ela aproveitou a posição para alcançar seu clitóris e se masturbar enquanto Eduardo se divertia. Logo ela gozou. Mari sentiu seu corpo inteiro esquentar.

Ao vê-la gemer como uma louca, Eduardo acelerou. Agarrava as nádegas dela com a força das unhas. Então urrou e diminuiu o ritmo de uma vez. Ele tinha gozado. Saiu de dentro da vagina e sentou no sofá, desabando. Mari gostava mesmo era de ver o sêmen. Gostava quando Paulo ejaculava em cima dela e via o gozo todo escorrendo. Mas como Eduardo ia saber disso, não é mesmo? Além do mais, Mari pensou, seria constrangedor para dois estranhos que ela fosse assim tão íntima da porra dele na primeira vez.

Foi rápido, mas Mari preferiu assim. Deu tempo de chegar em casa, tomar banho e ainda começar a preparar a janta antes do marido chegar. Acima de qualquer suspeita, como reza a cartilha da boa esposa.
Ela não sofreu com o drama da ligação no dia seguinte. Pior seria se Eduardo tivesse ligado, mas ela cuidou disso. Antes de sair do apartamento, disse ter adorado e tal, mas que não podia fazer isso de novo porque era casada. E assunto encerrado.

Bem, pelo menos até Paulo chegar, duas semanas depois, falando sobre sexo com estranhos. O do seu conto, claro. Ele mostrou à mulher vários e-mails de leitores que a redação da revista recebeu. Enquanto ele lia cada comentário, a mulher ia se contagiando com sua empolgação.

“É incrível como a gente consegue entrar no personagem, parece que estamos vivendo a história. Paulo Cavalcanti sabe como provocar as mais diversas sensações, do tesão ao riso. O cara é foda, com o perdão do trocadilho”, lia Paulo. “Ah, tem também o e-mail dessa leitora que ficou sem graça de tão excitada. E eu ri demais com esse, olha aqui!”

“Ah, amor. Eu concordo com tudo. Você escreve muito bem, merece todo esse sucesso”, respondeu Marilúcia, cheia de orgulho, beijando o marido.

“O editor da revista me quer como colunista fixo. Vou escrever putaria todo mês… e não vai ser sobre eleições! Já comecei a escrever a continuação da história, mas agora… preciso responder alguns e-mails”, disse Paulo eufórico.
Mari sorriu e foi para a cozinha. Apesar da repercussão do conto inspirador do marido, ela não voltou a fazer sexo com estranhos. Mas sempre se masturbava pensando no cinto de Eduardo batendo de leve em sua bunda, enquanto era comida de quatro. Essa era a sacanagem só dela.

E Paulo continuou com a sacanagem só dele: ser escritor de contos eróticos. Porque escrever era solitário como uma punheta; até que alguém, sabe-se lá quem, lesse suas histórias. Aí seria quase como fazer sexo com estranhos. Afinal, nessa coisa toda, o escritor acaba tendo uma relação íntima com alguém completamente desconhecido: o leitor. A diferença é que rola muito mais intimidade do que uma simples gozada na cara.

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Aug/10

19

Microconto do dia seguinte

Quando transaram, Julia gozou, apaixonada. Quando se viram no dia seguinte, foi como se nada tivesse acontecido. Julia sofria de amnésia.

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Jul/10

7

Microconto de sacanagem

Era uma esposa muito boa de cama. Dormia loucamente.

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Então era isso: eu tinha esse amigo, que tinha essa queda por mim, a gente se agarrou, e agora eu só conseguia imaginar ele na minha cama, daquele jeito que eu gosto; mas o cara era praticamente casado, e ainda me propôs um ménage com a Ana, a mulher dele. Difícil? É porque você não está no meu lugar.

Depois daquele telefonema, ele ficou sem saber se devia insistir. E eu sem saber se devia aceitar. Eu nunca transei com mulher, quanto mais com uma mulher e um homem ao mesmo tempo. Tudo bem, parecia cômodo fazer isso com a Ana e o Gustavo, que eu conhecia e tal. Mas um casal que nunca fez isso, e que sempre teve um relacionamento 100% fechado, tinha TUDO para dar errado.

Entre eu e o Gustavo continuou aquele climinha. Teve o dia em que ele estava me ajudando a revisar o planejamento de aula, e assim, como não quer nada, colocou a mão firme sobre minha perna, por debaixo da mesa. Ele queria tanto quanto eu, mas estava com medo de pular a cerca.

Aí o negócio é que eu topei. Não dava para saber se ele estava fazendo isso porque queria uma espécie de infidelidade consentida. O que importa é que eu sentia tesão por ele e ponto.

Caprichei na produção e apareci no apartamento dele, do jeito que a gente combinou. O casal me recebeu bem, como sempre. Quando cheguei, já estavam bebendo vinho e me ofereceram uma taça. Sentamos na sala e ficamos conversando, bebendo, e comendo uns belisquetes que eles tinham preparado.

Até então, nada diferente do que costumavam ser minhas visitas ao casal. Só que dessa vez, Gustavo estava bem à vontade. Começou a falar comigo cheio daquelas insinuações que antes só usava quando a mulher não estava por perto. Ao mesmo tempo, passava a mão nas pernas da Ana, fazendo o vestido dela subir ligeiramente, como se eu não estivesse ali. E eu achando tudo aquilo muito divertido.

Cheguei junto, o vinho já tinha deixado minha cabeça bem leve. Sentei perto dos dois e a gente continuou a conversa em um nível mais íntimo. Trocamos alguns toques, meus dedos passearam pelas pernas da Ana, como se eu só quisesse arrumar o vestido que o outro subiu. Gustavo acariciava minha nuca, e foi assim que me puxou para o beijo. Logo tinha mais uma língua ali no meio, e opa. Vou te contar que foi meio estranho. São duas texturas diferentes, dois ritmos diferentes. Uma mais afobada, outra se movendo mais devagar, querendo descobrir, entender, aproveitar. Cada uma brigando por um espacinho na boca do outro. Uma loucura, mas logo você acostuma e curte.

Deixei que eles continuassem a se beijar e fui explorar o Gustavo. Beijava e mordia o pescoço, não precisava nem me preocupar em não deixar vestígios do crime. Ele passava a mão por trás da minha cintura, e não demorou muito para vir encher a mão com os meus seios. Senti que Ana começou a ficar um pouco incomodada com toda aquela empolgação para cima de mim, e antes que o Gustavo se desfizesse do meu decote, peguei a mão dele e impedi que avançasse, dando umas mordidinhas carinhosas.

Trouxe Ana para perto de mim, talvez assim ela ficasse mais à vontade. Olhei bem fundo nos olhos dela e a beijei. A sensação de ser um beijo entre amigas passou rapidinho. Apesar de ser a primeira vez que eu ficava com uma mulher, senti que a gente estava bem entrosada. Quem fez as honras de colocar meus seios pra fora foi ela, tocando com a ponta dos dedos, delicadamente, de um jeito que a afobação do Gustavo não ia permitir. Tirei o vestido dela, e ao vê-la ali só de calcinha, não sabia muito bem por onde começar. Mas pelo jeito que ela reagia aos meus beijos e lambidas, eu parecia estar acertando. Ah, e o Gustavo, que nessa hora já tinha sido deixado totalmente de lado, nem estava achando ruim não.

Ela resolveu não deixá-lo sozinho nas carícias. Eu estava adorando ver, mas o que eu queria mesmo era provar. Fiquei de joelhos, tirei a calça dele e me debrucei. Ana passou os dedos entre meus cabelos, ajeitando-os para trás, porque ela queria ver direitinho eu chupando o namorado dela. O movimento dos dois continuou um tempinho lá em cima, até que ela resolveu descer e me ajudar. Nossas línguas passavam por ele de cima a baixo, e vez ou outra se encontravam. No mesmo estilo do beijo a três, Ana e eu começamos a nos beijar, enquanto ele esfregava a ponta no meio daquela confusão de línguas. Ele já estava ficando louco. Deixei ela continuar o trabalho e fui buscar a língua dele.

Gustavo me queria toda nua. Tirou minha roupa e começou a me masturbar. Não parou nem quando Ana sentou em cima dele e começou a rebolar. Depois ela cedeu a vez e ficou só observando ele me comer.

Ménage tem uma logística meio complicada, afinal de contas, o cara tem só um pau. Por outro lado, não faltam mãos e bocas para o resto. E quando você está lá, no meio de tantas possibilidades, quer experimentar tudo, ver todas as posições e testar todas as combinações; revezar é o menor dos problemas. Era tanto vai e vem, que Gustavo não aguentou mais segurar e gozou. Isso foi na vez da Ana, que logo veio para mim.

Ela estava se revelando, viu. Pudemos ficar nos curtindo, respeitando nosso tempo e descobrindo uma a outra. Gustavo aparecia com suas carícias, mas foi o toque dela que chegou onde interessava. Ana me fez gozar de um jeito que estremeci toda. E não paramos. Em seguida foi a vez dela, e pelo sorriso iluminado que ela me deu junto com o orgasmo, eu soube que poderia fazer isso a vida toda.

Ainda chegamos a descobrir outras formas de fazer a outra gozar, antes do Gustavo ficar pronto de novo e chegar no ápice da festa. A gente estava totalmente embriagada, pegando fogo, e ele nos explorou da forma que bem entendia. Metendo com força mesmo.

Foi quando resolvi fazer uma coisa que nunca achei que faria. Abri as pernas da Ana e comecei a chupar, primeiro com carinho e meio insegura. Depois lembrei do jeito que o Carlos fazia que me deixava louca e resolvi experimentar. Também funcionou com ela. Enquanto isso, o Gustavo veio por trás, aproveitando que eu estava de quatro. Deve ter sido uma cena linda. Ele transando comigo e assistindo eu chupar a mulher dele. O casal conseguia olhar um para o rosto do outro, da posição que estava.

(Como vou explicar? Ah, imagina aí.)

Ele gozou pela segunda vez, agarrado à minha cintura. Ah, e o carinho que a Ana estava fazendo na minha cabeça estava tão gostoso que ainda me demorei um pouquinho mais. Ele despencou do lado da mulher e os dois se abraçaram, satisfeitos. Ele buscou meu corpo e me abraçou também. Mas eu estava me sentindo extremamente desconfortável com isso e logo me levantei, dando um beijo na testa dele. Sabe, aquele momento era dos dois.

(Gostei bastante. Apesar de ter sido uma delícia, foi bem, BEM diferente do que já vi em filmes pornôs. Quando a gente vê, acha que é só aquela putaria mesmo. Mas a história muda quando a gente está fazendo de verdade. São pessoas, e como tudo que envolve pessoas, é complexo. Eu tive foi sorte de ter feito com eles. A coisa fluiu bem, e não sei como seria se tivesse sido com outro casal. Ou se a mulher que fizesse parte do casal fosse eu. É, seria bem diferente. Por isso, saí do apartamento do casal aquela noite com uma estranha, súbita e enorme admiração pela Ana.)

É complicado levar tudo numa boa, como se nada tivesse acontecido, depois de uma transa a três. Os sinais e insinuações do Gustavo continuaram lá, mas com um carinho diferente. Dava a impressão de que ele me incorporaria ao relacionamento se ele pudesse. Ele parou de me dar carona com tanta frequência, disse que a Ana ficava um pouco enciumada. Certa ela. Porque agora ele me desejava como nunca.

Teve o dia em que ela apareceu lá em casa. Eu tinha tirado o dia para colocar em dia as alterações no projeto final, então não estava esperando MESMO nenhuma visita. Estava até usando shorts de pijama. Fiquei surpresa, pedi desculpas pela bagunça. Mas eu estava pensando mesmo é que ia dar merda. “Pronto, veio me dizer para ficar longe do Gustavo, não quer que a gente pense que por causa daquela transa a gente é alguma coisa, etc.” Vai vendo.

Estava na bancada preparando o café enquanto a gente conversava. Ela me falou do trabalho dela, perguntou também como eu estava indo de projeto final. Toda aquela conversa que a gente sabe que era só para dar umas voltas básicas. Servi o café e ela ficou reticente, olhando para a xícara. Deu um gole e resolveu ir direto ao ponto. “Você ainda pensa naquele dia, Elisa?” Tive que ser honesta, né. Porque pensava sim. Então ela me disse que foi a primeira vez que transou com uma mulher. Disse que não sabia se eu pensava o mesmo, ou se tinha conhecido melhores, mas que achou muito bom.

Eu só pude rir. “Linda, essa também foi a minha primeira vez”, admiti. Ela pareceu respirar aliviada e riu também. Trocamos uma ideia sobre o que tinha sido a experiência para cada uma. Lembrar daquilo tudo me deixou morrendo de tesão. Então ela me vem com essa: “Seria bom repetir a dose”. Eu nem disse nada. Só a beijei com muito gosto.

Mais uma vez a teoria da infidelidade deu o ar de sua graça. Só que dessa vez, de uma forma que eu nunca imaginei que pudesse acontecer. Já deitadas no sofá, entre beijos, Ana disse que não passava pela cabeça do Gustavo que ela estava ali.

Tudo bem, ele não ia saber mesmo.

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Você pode até estranhar, mas tem uma teoria que diz que os relacionamentos, monogâmicos do jeito que a gente conhece hoje, só duram tanto tempo por causa da infidelidade. Pensa bem: em uma cidade grande como a nossa, nos tempos atuais em que é tão fácil conhecer pessoas novas, e em um relacionamento com duas pessoas minimamente normais, a chance de pelo menos um ter traído ou vir a trair o outro deve ser algo em torno de 80%. Ou seja, um relacionamento 100% fechado funciona muito bem, obrigada, mas vai ter alguém levando um chifre.

Quem me convenceu disso foi o Carlos. Acho que já te falei dele. Uma delícia de moreno. Na hora em que ele me contou a tal teoria, eu estava só de calcinha deitada do lado dele, enquanto nem passava pela cabeça do meu namorado que eu tinha acabado de transar com outro cara. Bem, aí eu tive que concordar que aquilo fazia todo sentido.

E continuou fazendo, mesmo depois de alguns meses sem namorado. Eu passei um bom tempo querendo experimentar a vida de solteira de novo, e quando finalmente pude, lembrei que nem era tão empolgante. Fora alguns encontros com o Carlos, fiquei meses sem homem. E quer saber, nem dei importância. Tinha começado como monitora do departamento de audiovisual e estava trabalhando insanamente no meu projeto final. Meu relacionamento era com a orientadora, e olhe lá.

(Ah, o Carlos? Não é nada sério. Seguinte: nós somos amigos, temos intimidade, quando eu tô afim eu ligo, ele também me procura quando bate a vontade, a gente transa, passa a noite juntos, mas às vezes saímos só para ter uma boa conversa mesmo. Além do mais, sempre compensa ter por perto um cara que sabe fazer uma boa massagem. Fica a dica.)

O lance de ter uma rotina assim tão corrida é que você acaba se apegando com mais força no que está por perto. Por exemplo, os almoços com o pessoal do estúdio nunca foram tão importantes, agora que eu ficava por lá só meio período. Na outra metade do tempo, o meu apego foi com os colegas de monitoria. Alguns eu já conhecia, tipo o Gustavo, que estudou comigo no início do curso, mas que só agora a gente tinha a oportunidade de conviver de verdade.

A gente estava morando na mesma quadra há poucos meses, e eu lembro que ele e a Ana foram os primeiros a me visitar no apartamento novo. Desde que eu os conheci eles namoram, mas já fazia um ano que eles moravam juntos. É um casal que gosta sempre de ter os amigos por perto. Vez ou outra chamam o pessoal para jantar lá, e às vezes fazem até umas festinhas com muita comida, bebida e karaokê.

(Mas onde eu quero mesmo chegar é na teoria da infidelidade. Antes era importante você saber desses dois para entender o resto da história. Você também precisa saber que apesar de ser um casal muito caloroso e atencioso com todo mundo, é um casal como qualquer outro, em um relacionamento monogâmico, 100% fechado, e tal. Quanto mais eu convivia com os dois, mais eu queria que o Carlos os conhecesse, para ele ver que a teoria tinha lá seus furos. Mas não foi bem isso que aconteceu.)

Então, o Gustavo. Não sei exatamente como foi que começou a existir entre a gente aquele campo invisível de tensão sexual. Vamos combinar que a gente não estava no ambiente mais propício para surgir aquele tipo de atração; afinal, tínhamos que ficar de um lado para o outro dos laboratórios para dar suporte às atividades. Mas quando a gente se cruzava, vinham aqueles olhares. No começo, não entendia muito bem. E aí comecei a perceber outros sinais de interesse mais incisivos, como alguns elogios, insinuações, o toque dele buscando minha mão, meu braço, ou meu rosto.

Acredite, nada mais excitante que ter um amigo gostoso, inteligente, e que te dá mole. Fiquei na minha, mas queria saber até onde ia esse chove não molha. O problema é que ficou um tempão nessa indefinição.

A gente era praticamente vizinho e com frequência ele me deixava na porta do meu prédio. Mas aquele dia ele parecia determinado a alguma coisa, ou vai ver era impressão minha. A gente estava no carro, batendo papo sobre o trabalho, como sempre. Ele começou com uma conversinha que, para quem está de fora não tem nada de mais, mas eu sabia que ali tinha coisa. Vez ou outra me tocava, fazendo parecer que não havia nenhuma intenção nisso. Ai que saco, já estava vendo que isso não ia levar a lugar nenhum.

Aproveitei quando ele tocou meu rosto, e toquei na mão dele de volta. Ele se surpreendeu, achou que eu o segurei porque não queria que me tocasse. Mas se surpreendeu ainda mais quando levei a mão dele para perto da minha boca, e com a língua bem macia, e bem lentamente, lambi seu dedo indicador. Ele esperou passar a onda de arrepio que faria sua voz tremer, e então disse firmemente: “Vem cá. Coloca essa língua dentro da minha boca.” Ele queria lamber arsênico. Ele sabia que era veneno, mas sabe como é: precisava dar uma provadinha.

E então, quando eu fui com tudo e o beijei, a teoria da infidelidade se comprovou mais uma vez. O tesão dele parecia buscar mais do que só a minha língua e o meu corpo junto do dele. Então eu disse para irmos para outro lugar. Pedi para ele subir. Ele parou e disse que até queria, mas não devia. Dei uma risadinha, mas era porque eu estava aborrecida mesmo. Crise de consciência numa hora dessas?

“Eu até queria, Elisa. Mas porra. Você é mulher da hora errada.” Tive quase certeza que ele tirou isso de uma música do Aerosmith. Nem lembro o nome, mas é aquela que fala “love is the right dress on the wrong girl”, coisa assim.

Sabendo que ele estava pensando na Ana, fui bem franca e disse: “Desculpa aí, mas não acho que tem isso de mulher da hora errada. Cara, um relacionamento não precisa ser estritamente contratual. Onde tá escrito que só vale com uma pessoa? Tô te dizendo isso porque sei como funciona. Aliás, sei que fidelidade NÃO funciona. Você é um tesão, mas é uma pena que não possa. Quando se resolver com isso, me procura.” Dei um beijo rápido e subi.

Eu não achei que isso ia mexer tanto com a cabeça dele. Umas duas semanas depois, eu estava em casa quando ele me ligou me chamando pra dar um pulo lá. Eu estranhei, porque depois que a gente ficou, ele esfriou comigo, ficou distante. E agora me chamando pra ir na casa dele? Vai entender.

Ele deu voltas até chegar onde queria. Então me perguntou: “Olha, eu ainda não tirei aquele dia da cabeça. No carro. Eu precisava mesmo saber… Saber se você ainda está afim.” Olha gato, é só dizer “pega eu”. Claro que eu não respondi assim, mas ele entendeu o recado. Aí ele vem e me diz que a Ana ia estar lá. Pronto, joguei a toalha, porque não estava entendendo mais nada.

Foi então que ele veio com a bomba: “Tem um tempo que a gente anda conversando, querendo experimentar coisas novas. Convenci ela de um ménage com outra mulher, e aí pensei em você. Ela topou na hora. Claro que ela não sabe o que aconteceu entre a gente. Mas nem vai precisar. Então, se você quiser…”

Eu comecei a rir. Quer dizer, imagina o que ele não deve ter feito para convencê-la. Na hora, fiquei curiosa mesmo para saber o que ele disse pra Ana. Deve ter dito que eu era a pessoa ideal pelo fato de ser amiga, de confiança. Aham. Ter me agarrado no carro não teve absolutamente nenhuma influência nisso.

Mas taí uma coisa que a teoria do Carlos não previa. Vai ver porque ele nunca se meteu em um triângulo onde os outros dois vértices se encontravam – do jeito que o Gustavo estava propondo. E eu, que nunca fui fã de geometria, comecei a gostar dessa história.

(continua)

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Jun/10

28

Microconto de Esquina

Essa é a história de Bete e Luiz: ele esbarrou de leve no cotovelo dela quando atravessaram a rua. Nunca mais se viram.

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Nov/09

27

Microconto do desencontro

Era uma vez um mundo com dois lados. A gente entrou junto e saiu separado: eu desencantei, ele ficou deslumbrado.

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