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Aug/10

19

Microconto do dia seguinte

Quando transaram, Julia gozou, apaixonada. Quando se viram no dia seguinte, foi como se nada tivesse acontecido. Julia sofria de amnésia.

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Jul/10

7

Microconto de sacanagem

Era uma esposa muito boa de cama. Dormia loucamente.

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Então era isso: eu tinha esse amigo, que tinha essa queda por mim, a gente se agarrou, e agora eu só conseguia imaginar ele na minha cama, daquele jeito que eu gosto; mas o cara era praticamente casado, e ainda me propôs um ménage com a Ana, a mulher dele. Difícil? É porque você não está no meu lugar.

Depois daquele telefonema, ele ficou sem saber se devia insistir. E eu sem saber se devia aceitar. Eu nunca transei com mulher, quanto mais com uma mulher e um homem ao mesmo tempo. Tudo bem, parecia cômodo fazer isso com a Ana e o Gustavo, que eu conhecia e tal. Mas um casal que nunca fez isso, e que sempre teve um relacionamento 100% fechado, tinha TUDO para dar errado.

Entre eu e o Gustavo continuou aquele climinha. Teve o dia em que ele estava me ajudando a revisar o planejamento de aula, e assim, como não quer nada, colocou a mão firme sobre minha perna, por debaixo da mesa. Ele queria tanto quanto eu, mas estava com medo de pular a cerca.

Aí o negócio é que eu topei. Não dava para saber se ele estava fazendo isso porque queria uma espécie de infidelidade consentida. O que importa é que eu sentia tesão por ele e ponto.

Caprichei na produção e apareci no apartamento dele, do jeito que a gente combinou. O casal me recebeu bem, como sempre. Quando cheguei, já estavam bebendo vinho e me ofereceram uma taça. Sentamos na sala e ficamos conversando, bebendo, e comendo uns belisquetes que eles tinham preparado.

Até então, nada diferente do que costumavam ser minhas visitas ao casal. Só que dessa vez, Gustavo estava bem à vontade. Começou a falar comigo cheio daquelas insinuações que antes só usava quando a mulher não estava por perto. Ao mesmo tempo, passava a mão nas pernas da Ana, fazendo o vestido dela subir ligeiramente, como se eu não estivesse ali. E eu achando tudo aquilo muito divertido.

Cheguei junto, o vinho já tinha deixado minha cabeça bem leve. Sentei perto dos dois e a gente continuou a conversa em um nível mais íntimo. Trocamos alguns toques, meus dedos passearam pelas pernas da Ana, como se eu só quisesse arrumar o vestido que o outro subiu. Gustavo acariciava minha nuca, e foi assim que me puxou para o beijo. Logo tinha mais uma língua ali no meio, e opa. Vou te contar que foi meio estranho. São duas texturas diferentes, dois ritmos diferentes. Uma mais afobada, outra se movendo mais devagar, querendo descobrir, entender, aproveitar. Cada uma brigando por um espacinho na boca do outro. Uma loucura, mas logo você acostuma e curte.

Deixei que eles continuassem a se beijar e fui explorar o Gustavo. Beijava e mordia o pescoço, não precisava nem me preocupar em não deixar vestígios do crime. Ele passava a mão por trás da minha cintura, e não demorou muito para vir encher a mão com os meus seios. Senti que Ana começou a ficar um pouco incomodada com toda aquela empolgação para cima de mim, e antes que o Gustavo se desfizesse do meu decote, peguei a mão dele e impedi que avançasse, dando umas mordidinhas carinhosas.

Trouxe Ana para perto de mim, talvez assim ela ficasse mais à vontade. Olhei bem fundo nos olhos dela e a beijei. A sensação de ser um beijo entre amigas passou rapidinho. Apesar de ser a primeira vez que eu ficava com uma mulher, senti que a gente estava bem entrosada. Quem fez as honras de colocar meus seios pra fora foi ela, tocando com a ponta dos dedos, delicadamente, de um jeito que a afobação do Gustavo não ia permitir. Tirei o vestido dela, e ao vê-la ali só de calcinha, não sabia muito bem por onde começar. Mas pelo jeito que ela reagia aos meus beijos e lambidas, eu parecia estar acertando. Ah, e o Gustavo, que nessa hora já tinha sido deixado totalmente de lado, nem estava achando ruim não.

Ela resolveu não deixá-lo sozinho nas carícias. Eu estava adorando ver, mas o que eu queria mesmo era provar. Fiquei de joelhos, tirei a calça dele e me debrucei. Ana passou os dedos entre meus cabelos, ajeitando-os para trás, porque ela queria ver direitinho eu chupando o namorado dela. O movimento dos dois continuou um tempinho lá em cima, até que ela resolveu descer e me ajudar. Nossas línguas passavam por ele de cima a baixo, e vez ou outra se encontravam. No mesmo estilo do beijo a três, Ana e eu começamos a nos beijar, enquanto ele esfregava a ponta no meio daquela confusão de línguas. Ele já estava ficando louco. Deixei ela continuar o trabalho e fui buscar a língua dele.

Gustavo me queria toda nua. Tirou minha roupa e começou a me masturbar. Não parou nem quando Ana sentou em cima dele e começou a rebolar. Depois ela cedeu a vez e ficou só observando ele me comer.

Ménage tem uma logística meio complicada, afinal de contas, o cara tem só um pau. Por outro lado, não faltam mãos e bocas para o resto. E quando você está lá, no meio de tantas possibilidades, quer experimentar tudo, ver todas as posições e testar todas as combinações; revezar é o menor dos problemas. Era tanto vai e vem, que Gustavo não aguentou mais segurar e gozou. Isso foi na vez da Ana, que logo veio para mim.

Ela estava se revelando, viu. Pudemos ficar nos curtindo, respeitando nosso tempo e descobrindo uma a outra. Gustavo aparecia com suas carícias, mas foi o toque dela que chegou onde interessava. Ana me fez gozar de um jeito que estremeci toda. E não paramos. Em seguida foi a vez dela, e pelo sorriso iluminado que ela me deu junto com o orgasmo, eu soube que poderia fazer isso a vida toda.

Ainda chegamos a descobrir outras formas de fazer a outra gozar, antes do Gustavo ficar pronto de novo e chegar no ápice da festa. A gente estava totalmente embriagada, pegando fogo, e ele nos explorou da forma que bem entendia. Metendo com força mesmo.

Foi quando resolvi fazer uma coisa que nunca achei que faria. Abri as pernas da Ana e comecei a chupar, primeiro com carinho e meio insegura. Depois lembrei do jeito que o Carlos fazia que me deixava louca e resolvi experimentar. Também funcionou com ela. Enquanto isso, o Gustavo veio por trás, aproveitando que eu estava de quatro. Deve ter sido uma cena linda. Ele transando comigo e assistindo eu chupar a mulher dele. O casal conseguia olhar um para o rosto do outro, da posição que estava.

(Como vou explicar? Ah, imagina aí.)

Ele gozou pela segunda vez, agarrado à minha cintura. Ah, e o carinho que a Ana estava fazendo na minha cabeça estava tão gostoso que ainda me demorei um pouquinho mais. Ele despencou do lado da mulher e os dois se abraçaram, satisfeitos. Ele buscou meu corpo e me abraçou também. Mas eu estava me sentindo extremamente desconfortável com isso e logo me levantei, dando um beijo na testa dele. Sabe, aquele momento era dos dois.

(Gostei bastante. Apesar de ter sido uma delícia, foi bem, BEM diferente do que já vi em filmes pornôs. Quando a gente vê, acha que é só aquela putaria mesmo. Mas a história muda quando a gente está fazendo de verdade. São pessoas, e como tudo que envolve pessoas, é complexo. Eu tive foi sorte de ter feito com eles. A coisa fluiu bem, e não sei como seria se tivesse sido com outro casal. Ou se a mulher que fizesse parte do casal fosse eu. É, seria bem diferente. Por isso, saí do apartamento do casal aquela noite com uma estranha, súbita e enorme admiração pela Ana.)

É complicado levar tudo numa boa, como se nada tivesse acontecido, depois de uma transa a três. Os sinais e insinuações do Gustavo continuaram lá, mas com um carinho diferente. Dava a impressão de que ele me incorporaria ao relacionamento se ele pudesse. Ele parou de me dar carona com tanta frequência, disse que a Ana ficava um pouco enciumada. Certa ela. Porque agora ele me desejava como nunca.

Teve o dia em que ela apareceu lá em casa. Eu tinha tirado o dia para colocar em dia as alterações no projeto final, então não estava esperando MESMO nenhuma visita. Estava até usando shorts de pijama. Fiquei surpresa, pedi desculpas pela bagunça. Mas eu estava pensando mesmo é que ia dar merda. “Pronto, veio me dizer para ficar longe do Gustavo, não quer que a gente pense que por causa daquela transa a gente é alguma coisa, etc.” Vai vendo.

Estava na bancada preparando o café enquanto a gente conversava. Ela me falou do trabalho dela, perguntou também como eu estava indo de projeto final. Toda aquela conversa que a gente sabe que era só para dar umas voltas básicas. Servi o café e ela ficou reticente, olhando para a xícara. Deu um gole e resolveu ir direto ao ponto. “Você ainda pensa naquele dia, Elisa?” Tive que ser honesta, né. Porque pensava sim. Então ela me disse que foi a primeira vez que transou com uma mulher. Disse que não sabia se eu pensava o mesmo, ou se tinha conhecido melhores, mas que achou muito bom.

Eu só pude rir. “Linda, essa também foi a minha primeira vez”, admiti. Ela pareceu respirar aliviada e riu também. Trocamos uma ideia sobre o que tinha sido a experiência para cada uma. Lembrar daquilo tudo me deixou morrendo de tesão. Então ela me vem com essa: “Seria bom repetir a dose”. Eu nem disse nada. Só a beijei com muito gosto.

Mais uma vez a teoria da infidelidade deu o ar de sua graça. Só que dessa vez, de uma forma que eu nunca imaginei que pudesse acontecer. Já deitadas no sofá, entre beijos, Ana disse que não passava pela cabeça do Gustavo que ela estava ali.

Tudo bem, ele não ia saber mesmo.

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Você pode até estranhar, mas tem uma teoria que diz que os relacionamentos, monogâmicos do jeito que a gente conhece hoje, só duram tanto tempo por causa da infidelidade. Pensa bem: em uma cidade grande como a nossa, nos tempos atuais em que é tão fácil conhecer pessoas novas, e em um relacionamento com duas pessoas minimamente normais, a chance de pelo menos um ter traído ou vir a trair o outro deve ser algo em torno de 80%. Ou seja, um relacionamento 100% fechado funciona muito bem, obrigada, mas vai ter alguém levando um chifre.

Quem me convenceu disso foi o Carlos. Acho que já te falei dele. Uma delícia de moreno. Na hora em que ele me contou a tal teoria, eu estava só de calcinha deitada do lado dele, enquanto nem passava pela cabeça do meu namorado que eu tinha acabado de transar com outro cara. Bem, aí eu tive que concordar que aquilo fazia todo sentido.

E continuou fazendo, mesmo depois de alguns meses sem namorado. Eu passei um bom tempo querendo experimentar a vida de solteira de novo, e quando finalmente pude, lembrei que nem era tão empolgante. Fora alguns encontros com o Carlos, fiquei meses sem homem. E quer saber, nem dei importância. Tinha começado como monitora do departamento de audiovisual e estava trabalhando insanamente no meu projeto final. Meu relacionamento era com a orientadora, e olhe lá.

(Ah, o Carlos? Não é nada sério. Seguinte: nós somos amigos, temos intimidade, quando eu tô afim eu ligo, ele também me procura quando bate a vontade, a gente transa, passa a noite juntos, mas às vezes saímos só para ter uma boa conversa mesmo. Além do mais, sempre compensa ter por perto um cara que sabe fazer uma boa massagem. Fica a dica.)

O lance de ter uma rotina assim tão corrida é que você acaba se apegando com mais força no que está por perto. Por exemplo, os almoços com o pessoal do estúdio nunca foram tão importantes, agora que eu ficava por lá só meio período. Na outra metade do tempo, o meu apego foi com os colegas de monitoria. Alguns eu já conhecia, tipo o Gustavo, que estudou comigo no início do curso, mas que só agora a gente tinha a oportunidade de conviver de verdade.

A gente estava morando na mesma quadra há poucos meses, e eu lembro que ele e a Ana foram os primeiros a me visitar no apartamento novo. Desde que eu os conheci eles namoram, mas já fazia um ano que eles moravam juntos. É um casal que gosta sempre de ter os amigos por perto. Vez ou outra chamam o pessoal para jantar lá, e às vezes fazem até umas festinhas com muita comida, bebida e karaokê.

(Mas onde eu quero mesmo chegar é na teoria da infidelidade. Antes era importante você saber desses dois para entender o resto da história. Você também precisa saber que apesar de ser um casal muito caloroso e atencioso com todo mundo, é um casal como qualquer outro, em um relacionamento monogâmico, 100% fechado, e tal. Quanto mais eu convivia com os dois, mais eu queria que o Carlos os conhecesse, para ele ver que a teoria tinha lá seus furos. Mas não foi bem isso que aconteceu.)

Então, o Gustavo. Não sei exatamente como foi que começou a existir entre a gente aquele campo invisível de tensão sexual. Vamos combinar que a gente não estava no ambiente mais propício para surgir aquele tipo de atração; afinal, tínhamos que ficar de um lado para o outro dos laboratórios para dar suporte às atividades. Mas quando a gente se cruzava, vinham aqueles olhares. No começo, não entendia muito bem. E aí comecei a perceber outros sinais de interesse mais incisivos, como alguns elogios, insinuações, o toque dele buscando minha mão, meu braço, ou meu rosto.

Acredite, nada mais excitante que ter um amigo gostoso, inteligente, e que te dá mole. Fiquei na minha, mas queria saber até onde ia esse chove não molha. O problema é que ficou um tempão nessa indefinição.

A gente era praticamente vizinho e com frequência ele me deixava na porta do meu prédio. Mas aquele dia ele parecia determinado a alguma coisa, ou vai ver era impressão minha. A gente estava no carro, batendo papo sobre o trabalho, como sempre. Ele começou com uma conversinha que, para quem está de fora não tem nada de mais, mas eu sabia que ali tinha coisa. Vez ou outra me tocava, fazendo parecer que não havia nenhuma intenção nisso. Ai que saco, já estava vendo que isso não ia levar a lugar nenhum.

Aproveitei quando ele tocou meu rosto, e toquei na mão dele de volta. Ele se surpreendeu, achou que eu o segurei porque não queria que me tocasse. Mas se surpreendeu ainda mais quando levei a mão dele para perto da minha boca, e com a língua bem macia, e bem lentamente, lambi seu dedo indicador. Ele esperou passar a onda de arrepio que faria sua voz tremer, e então disse firmemente: “Vem cá. Coloca essa língua dentro da minha boca.” Ele queria lamber arsênico. Ele sabia que era veneno, mas sabe como é: precisava dar uma provadinha.

E então, quando eu fui com tudo e o beijei, a teoria da infidelidade se comprovou mais uma vez. O tesão dele parecia buscar mais do que só a minha língua e o meu corpo junto do dele. Então eu disse para irmos para outro lugar. Pedi para ele subir. Ele parou e disse que até queria, mas não devia. Dei uma risadinha, mas era porque eu estava aborrecida mesmo. Crise de consciência numa hora dessas?

“Eu até queria, Elisa. Mas porra. Você é mulher da hora errada.” Tive quase certeza que ele tirou isso de uma música do Aerosmith. Nem lembro o nome, mas é aquela que fala “love is the right dress on the wrong girl”, coisa assim.

Sabendo que ele estava pensando na Ana, fui bem franca e disse: “Desculpa aí, mas não acho que tem isso de mulher da hora errada. Cara, um relacionamento não precisa ser estritamente contratual. Onde tá escrito que só vale com uma pessoa? Tô te dizendo isso porque sei como funciona. Aliás, sei que fidelidade NÃO funciona. Você é um tesão, mas é uma pena que não possa. Quando se resolver com isso, me procura.” Dei um beijo rápido e subi.

Eu não achei que isso ia mexer tanto com a cabeça dele. Umas duas semanas depois, eu estava em casa quando ele me ligou me chamando pra dar um pulo lá. Eu estranhei, porque depois que a gente ficou, ele esfriou comigo, ficou distante. E agora me chamando pra ir na casa dele? Vai entender.

Ele deu voltas até chegar onde queria. Então me perguntou: “Olha, eu ainda não tirei aquele dia da cabeça. No carro. Eu precisava mesmo saber… Saber se você ainda está afim.” Olha gato, é só dizer “pega eu”. Claro que eu não respondi assim, mas ele entendeu o recado. Aí ele vem e me diz que a Ana ia estar lá. Pronto, joguei a toalha, porque não estava entendendo mais nada.

Foi então que ele veio com a bomba: “Tem um tempo que a gente anda conversando, querendo experimentar coisas novas. Convenci ela de um ménage com outra mulher, e aí pensei em você. Ela topou na hora. Claro que ela não sabe o que aconteceu entre a gente. Mas nem vai precisar. Então, se você quiser…”

Eu comecei a rir. Quer dizer, imagina o que ele não deve ter feito para convencê-la. Na hora, fiquei curiosa mesmo para saber o que ele disse pra Ana. Deve ter dito que eu era a pessoa ideal pelo fato de ser amiga, de confiança. Aham. Ter me agarrado no carro não teve absolutamente nenhuma influência nisso.

Mas taí uma coisa que a teoria do Carlos não previa. Vai ver porque ele nunca se meteu em um triângulo onde os outros dois vértices se encontravam – do jeito que o Gustavo estava propondo. E eu, que nunca fui fã de geometria, comecei a gostar dessa história.

(continua)

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Jun/10

28

Microconto de Esquina

Essa é a história de Bete e Luiz: ele esbarrou de leve no cotovelo dela quando atravessaram a rua. Nunca mais se viram.

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Nov/09

27

Microconto do desencontro

Era uma vez um mundo com dois lados. A gente entrou junto e saiu separado: eu desencantei, ele ficou deslumbrado.

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