Preguiça de ler

Preguiça de ler

Redatores são constantemente lembrados, seja por recomendações sérias de seus diretores de criação, ou por zoações amigáveis de seus duplas diretores de arte, que as pessoas têm preguiça de ler. “As pessoas não leem. Diminui esse texto, resume aquele ali, dá uma enxugada no título, etc.” Este post bem que podia ser um mimimi de quem ainda acredita que a gente não escreve texto de apoio à toa, que as pessoas lêem sim; eu até queria, mas não vou escrever sobre isso. Preciso concordar que sim, as pessoas têm preguiça de ler. E não falo isso gratuitamente. Tirei isso de um fato recente, do qual muitos de vocês já devem ter ouvido falar.

O livro de português “Viver e Aprender” (parte da coleção didática criada para o Ensino de Jovens e Adultos) virou notícia e assunto na internet. A mídia alardeou que o MEC teria comprado livros que ensinam os alunos a falarem “errado”. O polêmico trecho diz que a pessoa pode falar “os livro”, desde que saiba que, dependendo da situação, pode sofrer preconceito linguístico. Foi o suficiente para o mundo desabar. Absurdo! A educação vai ser nivelada por baixo! Estão acabando com o português! Imagina se o jeito dessa

Tesão e trabalho

Tesão e trabalho

Isso de ser redator não é para quem gosta de escrever. E para a gente começar a conversar, você precisa ter bem claro na cabeça que uma coisa é ser redator; outra é gostar de escrever. Acontece de alguém entrar nessa e pertencer aos dois conjuntos (nossa, eu não uso esse termo desde as aulas de matemática na primeira série). Mas uma hora, esse alguém: a) de tanto ser redator, deixa de gostar de escrever; ou b) por gostar tanto de escrever, desiste de ser redator. Bem, estou há pouco tempo na profissão. Então tudo o que posso dizer é que ainda estou na fase de ser redatora e gostar de escrever.

Por que são duas coisas bem diferentes? Basicamente, gostar de escrever significa tesão. É aquele prazer em criar as próprias histórias, dar vida aos seus personagens, escrever o quanto e o quê vier na telha. Claro que envolve boas doses de sofrimento e angústia criativa. Mas ainda assim, você faz pelo seu prazer. Algo bem egoísta mesmo. Foda-se as regras, estruturas e técnicas. Quem gosta de escrever, escreve primeiro para si mesmo.

Redator não: escreve sob demanda. Escreve o que o cliente quer, muitas vezes sobre coisas que

Somos multilineares

Somos multilineares

Chega um certo período no semestre em que fica difícil manter a regularidade na postagem. Mas o que eu mais queria era voltar a escrever por aqui, isso me ajudaria bastante a escrever no trabalho; ando passando por muitos bloqueios ultimamente. Esses dias encontrei um texto antigo do qual nem lembrava mais ter escrito. Resolvi compartilhar aqui no blog, mesmo sendo tão autobiográfico. Já fica o aviso que é um texto pessoal e um pouco extenso. Continue a ler por sua conta e risco.


Não importa quantas vezes eu já tenha visto aquelas fotos. É sempre como ver algo que já faz parte de um outro mundo, não apenas outra época. Aquela Aline de dois anos brincando na areia era uma eterna curiosa quanto à natureza dos adultos. Eram criaturas confusas que ela não conseguia entender, embora se preocupasse bastante com o que eles poderiam pensar dela. Essa Aline de hoje já não tem tanto interesse assim. Vê o quanto todos eles (inclusive ela) não são lá grandes coisas.

Aquela Aline, de olhos puxadinhos quando sorria, cabelo curtinho, anelado e revolto, não cresceu. Ela não se transformou em outra pessoa. Ela não se transformou na Aline que ganhou um

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