AlineValek

Dicas para quem lê muito na internet

18 de March 2013 por Valek

Neu eu acredito ainda, mas resolvi gravar um vídeo. Como o fim do Google Reader está próximo, recebi algumas dicas de como se virar sem ele e resolvi compartilhar com vocês. Como continuar acompanhando uma infinidade de blogs e sites? Como continuar tendo uma leitura dinâmica e prática na internet?

Testei algumas opções e mostro três delas para ajudar você a se decidir: The Old Reader, BlogLovin e o Feedly. Se você está usando outro leitor de feeds e gostando, deixe sua experiência nos comentários! :)

Ah, aproveita e assina o feed do meu blog, vai.

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Feito é melhor que perfeito

12 de April 2012 por Valek

Just do it, sério.

Seja lá de onde surgem as ideias, elas parecem cair em várias cabeças ao mesmo tempo. E é claro que se a ideia é boa, não gostamos de desperdiçá-la. Vamos carregando ela no colo, como se fosse um tesouro, esperando o momento certo e as condições ideais de colocá-la em prática. Precisamos trabalhar nela indefinidamente até que ela fique perfeita, até que nós mesmos estejamos perfeitos para poder executar essa preciosidade. Temos todo o tempo do mundo. Afinal, a ideia é boa demais para ser feita logo, certo?

Lembre-se do início do texto: a ideia pode ser boa, mas, com certeza, outra pessoa também já pensou na mesma coisa. Pode ser que essa outra pessoa seja mais prática que você e pule essa etapa de punheta eterna que é lapidar uma ideia. Imagine que ela faça primeiro o que você acreditava que precisava de tempo e cuidado para começar a ser feito. E aí? Vai reclamar para o papa?

Isso acontece sempre. E o perfeccionista sempre fica chupando dedo.

Conversando com um amigo publicitário, ele me contou que tinha tido uma ideia genial para um de seus jobs. A ideia era simples, mas era realmente boa. O problema é que não foi aprovada, disseram que precisava ser melhor trabalhada. Ainda não era “do caralho”. Daí que, semanas depois, o cliente concorrente foi lá e fez a mesma ideia. Ganhou prêmio e tudo.

E você achando que era original.

Ontem mesmo conversei com um amigo que está sempre cheio de ideias para escrever, mas ele nunca acha que as ideias estão boas o suficiente. Ou ele pensa em como aquilo pode ser escrito de forma genial, ou desiste, achando que é besteira escrever aquilo. Resultado: não coloca as ideias no papel. Se colocasse, já tinha dado um livro.

O que fez primeiro, fez mal feito. Mas e agora? Está feito do mesmo jeito.

Outro amigo teve uma ideia para um livro de fantasia, mas descobriu que fizeram um filme com a mesma história. E o pior: o filme era horrível. Não duvido que ele ainda possa escrever algo genial, mas já pensou? Criar uma história brilhante e no fim alguém dizer “nossa, não é que parece aquele filme que eu vi na Sessão da Tarde dia desses?”

A nossa capacidade para achar que uma ideia não é boa o suficiente é praticamente infinita. Alguns acham bonito esse processo eterno de lapidar uma ideia, de preferência protegendo-a a sete chaves, como se aquela pessoa que teve a ideia fosse a primeira e única no mundo a ter pensado naquilo.

Bonito mesmo é quem encara o desafio de fazer. Vai dar certo? Só fazendo pra saber. Se der errado, deu. A vida continua, você supera, aposto que consegue ter ideias tão boas ou ainda melhores. Mas pelo menos foi feito – e existe um mérito enorme em fazer algo virar realidade.

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É ritmo, é ritmo de prova

03 de December 2009 por Valek

Sempre quando acontece um alinhamento de planetas, algo muito ruim está para acontecer e castigar a Terra. Imagine então quando acontece um alinhamento de provas, todas na mesma semana. Como a autora que vos fala está passando por uma difícil semana (que os deuses queiram que seja a última do semestre), só quando esse tormento terminar vou poder prometer, do mesmo jeito que as Casas Bahia, “dedicação total a você”.

Mas hoje eu não podia fugir desse assunto, afinal, hoje à noite tem prova. Mas, sério, juro que eu não entendo: o quê exatamente na palavra PROVA tem o poder de deixar as pessoas em pânico?

“Não entre em pânico”. Se eu tivesse um conselho, e apenas um, para dar a quem está prestes a fazer alguma prova, este seria o conselho. O bom e velho Douglas Adams já sabia bem disso. Afinal, prova nada mais é que o meio que os professores usam para saber se vão se livrar ou não logo de você. Se você vai às aulas, lê os livros e textos indicados, ao menos entende por que você está estudando aquela disciplina, não há razões para ter medo de uma prova que só vai (como diz o nome) PROVAR que você sabe mesmo. Agora, se você passou o semestre inteiro sem aprender nada e nem sabe o que estava fazendo ali, também não adianta desesperar. Você não vai aprender na véspera o que você não aprendeu o semestre inteiro. Então relaxa e goza, você já está fodido mesmo.

E toda vez é sempre a mesma coisa. Você tenta ler, revisar (ou em casos extremos, aprender) de última hora a matéria que vai cair, e na hora do “vamos ver” acaba caindo exatamente aquela questão que foi ignorada justo por ser tão boba. E exatamente por ser tão boba, é a que você mais vai se enrolar para tentar explicar.

Mas aí vai outro conselho valioso: nunca subestime um professor. Você não sabe mais do que ele (e mesmo se souber, é ele que ainda dá as cartas). Então se você não souber uma questão, não tente enrolar para tentar na sorte conseguir pelo menos uma “meio certa”. Só enrole se a sua capacidade de enrolação e persuasão for inversamente proporcional à sua capacidade de aprendizagem que o trouxe até essa situação deplorável. E por mais que eu saiba que eu consiga escrever uma resposta genuinamente enganadora, sei que professor tem um sensor que detecta cara-de-pau quando diante de um. Por isso, quando não dá mesmo, é preferível ser honesto consigo mesmo e aceitar que você é um loser.

Questão: Explique como acontece a compressão do formato MP3 e fale sobre amostragem, escolha de frequência, etc, etc, etc.

(após muito tempo sem saber como escapar dessa…)

Resposta: Ok, essa eu não sei.

Eu perco o ponto mas não perco a piada. Mas eu entrei em pânico? Nãããão.

E aí me lembro de uma vez que estava discutindo com um amigo sobre isso, e ele me respondeu que as pessoas ficam naturalmente desesperadas porque a prova é um momento onde precisam mostrar que são melhores e não podem ficar para trás. Ele até tem razão. Mas se você está com medo, é porque você já ficou para trás.

PS: Não parece nem um pouquinho contraditório para nenhum de vocês que a prova, que tem como objetivo PROVAR se você aprendeu, permita que você estude especificamente para responder o que ela quer que você responda? Devia ser considerado trapaça, não acham? A não ser que a prova seja só um mecanismo banal de aprovar / reprovar. (…) Hm. Melhor eu dar uma olhada no conteúdo então.

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Desafio Redator

30 de November 2009 por Valek

Antigamente, todo mundo queria estar na “crista da onda”, mas hoje a moda é mesmo estar na Wave. Só que o Google, pelo menos por enquanto, está liberando o acesso a esta “inovadora” ferramenta apenas para alguns poucos escolhidos. Já faz algumas semanas que entrei para este “seleto” grupo de usuários iniciais, mas foi só dia desses que recebi do Google alguns convites para distribuir para quem eu quisesse. Antes que as pessoas começassem a me pedir achando que é festa de Cosme e Damião, pensei em algo mais interessante para a distribuição.

Então surgiu o Desafio Redator. Qual era o objetivo da brincadeira: criar títulos para a imagem abaixo. Os mais persuasivos e criativos ganhavam convites para o Google Wave (e alguns do novo Orkut que estava comigo dando sopa).

Não imaginei que tanta gente ia participar e que a brincadeira ia render tantos títulos (entre os interessantes e os que fariam meu diretor de criação se jogar pela janela); a página do desafio recebeu cerca de 590 visitas em apenas 1 dia. Antes mesmo de anunciar os vencedores, já estavam me sugerindo que eu comentasse as ideias, e decidi usar o blog (novinho em folha) pra isso. Fiz abaixo uma seleção de alguns títulos para detonar comentar.Então, vamos nelson que a hora é elson.

@MichaelGalli

1 em cada 5 redatores usam a primeira idéia


Já vou começar com a ideia que mais se destacou. Quando a brincadeira começou, os títulos tendiam primeiro para ideias mais institucionais e de conscientização, que utilizavam a fórmula “1 em cada 5″. Algo bem foto-legenda mesmo. E aí aparece alguém com a mesma ideia, mas usando uma “gracinha” metalinguística voltada para o escopo do próprio desafio: o universo do redator. Foi impossível não deixar escapar uma risadinha. O cara fez um título bem “primeira ideia”, justamente para falar sobre redatores que ficam na primeira ideia, satirizando até mesmo a situação manjadíssima da foto-legenda – do qual ele também faz uso. E por isso consegue despertar uma reação. E é esse o objetivo do redator ao escrever um título: encontrar uma maneira de impactar quem está lendo.

Entretanto, essa frase tem um erro gritante de português, e por isso foi desclassificada. O mesmo erro também foi encontrado em vários outros títulos que seguiram a fórmula “1 em cada 5″:


@caviloos

1 de cada 5 brancos gostam de BlackMusic


O erro está na concordância verbal; afinal, ninguém diz “A cada 5 brancos, 1 gostam de Black Music” ou “A cada 5 redatores, 1 usam a primeira ideia”. O certo seria “1 em cada 5 redatores usa a primeira ideia” (e atenção, “ideia” não leva mais acento). Redator pode até ficar na primeira ideia, mas nunca pode descuidar do português.

@ericssonbarbosa

O aborto apaga vidas.

@rafanoris

Uma em cada 5 crianças que navegam pela internet é alvo de pedófilos.

@ericssonbarbosa

Preserve o meio ambiente, evite as queimas desordenadas.


Aqui, alguns exemplos de como as pessoas acham que escrever para conscientização é simples. Embora a imagem possua inúmeras possibilidades, tiveram que forçar um pouco mais a cabeça para chegar em títulos que vendessem produtos. Isso acontece porque escrever mensagens de conscientização é ficar na zona de conforto. Parece que basta colocar “aborto”, “pedófilos”, ou “preserve o meio ambiente” em um título para despertar alguma reação nas pessoas.

É claro que não dá pra passar batido por esses temas, mas um texto precisa ir um pouco além para conseguir despertar uma reação sincera das pessoas. A gente escuta tanto sobre “preservar o meio ambiente”, que a frase já está esvaziada de sentido. Não significa mais muita coisa. E aí está o desafio do redator: como ir além disso? É preciso ter uma sensibilidade muito aguçada e saber bem sobre o que está falando para mexer com o emocional do público. E tudo o que temos quando apelamos para o fácil são mensagens superficiais, que, quando não estão dizendo da forma errada, não dizem absolutamente nada.

@???????

cotas: uma retratação em forma de preconceito. Diga NÃO as cotas.


Vou manter anônimo o autor dessa pérola, por razões bem óbvias. Lembra o que eu falei aqui em cima? Duvido seriamente que o animal que escreveu esse título sequer saiba o que está falando. Além do texto apelando para o fácil, da estrutura óbvia, da mensagem vazia (que não diz nada além do evidente preconceito do autor), temos uma falta de noção e sensibilidade que por si só já valiam um prêmio. Tudo bem você ser contra as cotas, não desconsiderei seu título por discordar do seu ponto de vista. Você pode até defender a volta da sociedade escravocrata, por que não? Se quiser, pode até vender a ideia do nazismo e do extermínio em massa, que por mim tudo bem. Mas querido, você vai precisar ir muito, muito além disso e escrever algo mais inteligente. Continue estudando. A propósito, já ouviu falar de Goebbels?

@hi_tanpopo

tenha senso de equipe, e compartilhe suas idéias. ou vai queimar seus neurônios sozinho?!

@ericssonbarbosa

Alub: Aqui quem queima neurônios se destaca.


Aqui, temos duas linhas de pensamento bem bacanas. Depois de escrever bastante, o Ericsson consegue desenvolver um título mais vendedor, para um cursinho de pré-vestibular, demonstrando que um redator não pode parar nas (cinquenta, cem) primeiras ideias para chegar a um título melhor. Onde quer que as boas ideias estejam, é preciso muita caminhada para chegar até elas. E o que diferencia os bons (e criativos) publicitários do resto é justamente essa distância percorrida: os fracos ficam no meio do caminho.

No título da Júlia, temos um bom conteúdo, mas pouca forma. Esse é outro aspecto importante: o refinamento do texto. Cortar, trocar, reescrever, arredondar, pensar na melhor estética – sem piedade. Um longo e disforme “tenha senso de equipe, e compartilhe suas ideias. ou vai queimar seus neurônios sozinho” pode ser lapidado e enxuto até atingir uma forma de “Compartilhe ideias. Não queime neurônios sozinho” ou “Quem trabalha em equipe não queima neurônios sozinho”, e ainda pode melhorar.

@AlexCastroLLL

Dar uma e brochar é normal. Tome viagra e dê a segunda, a terceira, a quarta…


A ilustre participação do Alex Castro apócrifo também é um bom exemplo de um texto que precisa de refinamento para chegar a uma forma mais persuasiva. Uma forma de resolver seria “Mantenha o fogo depois da primeira” ou “Continue aceso na segunda, terceira, quarta…”. Assim é possível manter o humor, acrescentar a persuasão, deixar o nome do produto (Viagra) só na assinatura, e fugir de termos como “dar uma” e “brochar”, que de tão explícitos e óbvios tiram o tesão da interpretação.

Por isso redatores fogem de títulos “foto-legenda”. É brochante.

@thiago_ir

Pior que ficar de cabeça quente e se queimar, é ter que reconhecer que estava errado e se curvar aos outros.

@Ramostm

Aqueles dias te deixam desconcertada e de cabeça quente? Novo íntimos absorve 4x mais que os absorventes comuns. Íntimos

@LandNick

Desculpem amigos, mas perdi a cabeça por aquela mulher!


Aqui, alguns exemplos de títulos redundantes com a imagem. O que mais observei nessa brincadeira foi a necessidade das pessoas ficarem explicando a imagem. Título não é feito para explicar a imagem. Não podemos esquecer que a imagem também fala; logo, imagem e texto devem ter vozes próprias. O engraçadinho @3df (que até fez uns textos bem bacanas) deu um bom exemplo de como tirar o tesão do leitor com um título foto-legenda: “Cinco palitos de fósforos, sendo o da direita queimado”.

Mais uma coisa importante: isso de usar pergunta em título é coisa de Polishop. “Aqueles dias te deixam desconcertada e de cabeça quente?” Céus… Que os deuses da propaganda não permitam que alguém escreva isso em um anúncio de verdade, e o atinjam com um raio antes disso. Como já diria minha professora de Redação, Raquel Cantarelli, quando você usa uma pergunta em um título, se a resposta para ele for “não”, você já perdeu um público que não vai nem terminar de ler o anúncio. Com um ajuste simples, já ficaria bem melhor: “Para dias que te deixam de cabeça quente” e na assinatura: “Intimus. Absorve 4x mais que os outros absorventes”.

Lembrando que a assinatura é tão importante quanto o título. Até a marca do produto é um importante elemento para o sentido da mensagem.

@eduardodosreis

Quanto mais você deseja se parecer com os outros, mais você se queima. Tenha estilo, use fulanimdetal.

@mbselmy

Como Publicitário, ele é um ótimo Bombeiro. Assina: PA (Publicitários Anônimos)

@MichaelGalli

Quem age por impulso no mercado de hoje não dura muito tempo. (Marketing Galli’s S/A – Consultoria)


No título do Eduardo, temos uma mensagem que nos diz que a gente se queima quando tenta parecer com os outros (ideia boa, mas lembra da dica de refinamento de texto?). No final, diz que ter estilo mesmo só usando a…? E aí hesita em assinar usando uma marca de verdade. Se tivesse assinado como, sei lá, Levi’s, ele conseguiria fechar a mensagem com um sentido mais completo. Quando estiver criando um anúncio, nunca subestime a capacidade da marca em falar por si só. Basta folhear alguns anuários para perceber isso.

O título assinado pelos Publicitários Anônimos traz uma mensagem de humor relacionado ao dia-a-dia do publicitário, que às vezes tem que trabalhar “apagando incêndios” para os clientes da agência. É possível até ter uma dupla interpretação da imagem a partir do texto: o fósforo seria o job apagado pelo publicitário apagador de incêndio, ou seria o próprio publicitário, esgotado, cansado dessa penosa tarefa? Daí a importância da assinatura para fechar o sentido do título, que nesse caso também precisa de um refinamento.

O Michael parece saber mais do que ninguém da importância da assinatura; afinal, usou para autopromoção. Além do inteligente oportunismo, conseguiu um título consistente, que consegue ir além e trazer um novo sentido para a imagem, falando bem o que se propõe a dizer. Não é o tipo de título que apela para o emocional ou para o humor explícito, mas é o tipo de texto que desperta um estalo do lado esquerdo do cérebro: o hemisfério da razão.

@Mayara_Regia

2009 está no fim. A quem você dará poder nos próximos quatro anos? Eleições 2010.

E para finalizar os comentários, um dos melhores títulos, na minha opinião. Conseguiu surpreender por abordar um tema dentro da linha de conscientização que exige um pouco mais do que somente apelar para o fácil, além de abordá-lo em um momento bastante oportuno, às vésperas de ano de eleição.

Fiquei bastante satisfeita com a experiência, e parece que muita gente também gostou de exercitar a criatividade. Já estão me perguntando quando será o próximo Desafio Redator. Embora eu ainda tenha um bocado de convites para o Google Wave, acho que vou ter que pensar em outra premiação; mas tão logo espero poder contar novamente com o entusiasmo de todos vocês para mais uma rodada de muitas ideias, títulos e comentários. Porque um bom redator não fica na primeira ideia – e nem no primeiro desafio.

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