Assovio se responde com assovio

Assovio se responde com assovio

Era só Júnia colocar os pés na rua para saber que ia se aborrecer. Por que a certeza? Porque ela era mulher, claro. Júnia não conseguia passar por uma simples calçada sem ouvir assovios e gracejos como “ô lá em casa”, “ai se eu te pego”, “nossa que delícia”, e outras tantas frases mais elaboradas e criativas que nunca foram exclusivas de pedreiros.

Mas toda mulher, no fundo, no fundo, gostava – era o que o mundo dizia. Júnia não tinha chegado tão no fundo assim, talvez por isso achasse um saco. Mas não era chato como um ônibus que não parava quando ela dava sinal, porque isso ela conseguia superar. Era chato como um testemunha de jeová batendo na sua casa às oito da manhã de um sábado para falar um monte de asneira que você não queria ouvir. Júnia achava que era tão invasivo quanto.

E Júnia não era nada demais, ela achava. Cabelo comprido, olhos, nariz, boca, dois braços, duas pernas e um par de seios, pequenos, mas ainda assim eram dois. Para sua infelicidade, cantadas não eram uma exclusividade das gostosonas. E nem das garotas que desfilavam de minissaia e decote pelas ruas. Mas essas não