Viver com gatos

Aurélio: Meaw can do it

Tenho preconceito com quem tem gatos. Posso não conhecer bem a pessoa, não saber o que ela faz da vida, ou até mesmo sua opinião sobre os mais importantes tópicos políticos e ideológicos; mas se, antes de tudo isso, descubro que ela tem gatos, pressuponho que ela só pode ser uma boa pessoa.

Gatos moldam o cárater.

É preciso ter muita paciência ou desapego para viver com um gato. Você compra uma caminha acolchoada e põe em um cantinho, mas ele vai escolher dormir em cima da geladeira. Você vai estar trabalhando quando ele decide que o teclado do computador é o lugar mais confortável para uma soneca. Mas experimenta arrumar a casa: ele resolve que não quer mais dormir e prefere correr em cima do lixo que você acabou de varrer.

Não que eles sejam insensíveis, nós é que estamos acostumados demais com coisas que podemos controlar. É claro que eles entendem quando dizemos “saia já daí” ou “não faça isso”, o negócio é que eles preferem ignorar.

Minha capacidade de gostar quase automaticamente de alguém que vive com gatos também tem a ver com solidariedade.