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Sep/10

5

Coisas de menino


Post escrito para o Concurso de Blogueiras da Lola

Só descobri mesmo que eu era menina aos 5 anos. Vou te contar que foi uma descoberta espantosa; mas não foi assim, do nada. Eu já suspeitava que eu fosse menina. Eu gostava de rosa, usava cabelo Chanel, e já tinha ouvido falar de uma tal perereca que talvez tivesse tudo a ver com o caso.

A culpa é toda dela.

“Meninos fazem karatê. Meninas fazem balé.” Resumindo, foi assim que descobri. Eu estava no Jardim I, toda besta com a abertura das aulas extra-classe, aquelas atividades que a escola cria para manter a pirralhada ocupada e os pais despreocupados. Claro que eu fiquei doida para fazer karatê. Eu era pequena, mas não era boba. Assistia desenho animado e sabia da grande aplicação prática que a luta teria quando eu tivesse idade para entrar para a Liga da Justiça. Ok, nem tanto. Mas parecia ser divertido e as roupas eram mais legais.

Lembrei minha mãe do início das aulinhas e ela disse algo sobre comprar o vestido. Protestei, dizendo que queria mesmo era fazer karatê, mas ela respondeu de cara: “Ah, não senhora. Nem pensar”. E eu ali, sem entender por que não podia. Sabe criança que insiste? Então. Aí ela explicou: “meninos fazem karatê. Meninas fazem balé.”

Ai que saco. Preferia estar dando porrada em alguns meninos.

Só nesse episódio descobri o que significava ter uma vagina. Não fiquei revoltada. O mundo caiu na hora, mas na semana seguinte, eu já estava toda serelepe no balé com meu collant cor-de-rosa (embora não deva ter feito as aulinhas por mais de um mês). Na verdade, a partir dali, comecei a me acostumar com a condição de portadora de uma vagina. Comecei a me acostumar em não ter muita opção.

Eu na infância

Então era isso: eu soube exatamente o momento em que me descobri menina. Mas não posso dizer o mesmo da descoberta do meu feminismo. Quer dizer, como é que isso aparece? Bem que eu queria dizer que sou feminista desde criancinha, mas isso foi um processo. E teve muito mais a ver com a inocência de achar que eu podia fazer o que eu quisesse, do que com a frustração de não poder fazer.

Apesar de ter sido criada em uma família conservadora e cristã (e por consequência, altamente machista, onde era minha a obrigação da louça suja e das camas desarrumadas, nunca do meu irmão), passei longe de ser a mocinha ideal. Alguma coisa deu errado.

(As Barbies estavam lá, fazendo parte da minha formação, e mesmo assim, alguma coisa deu errado. Talvez porque eu soubesse que eu é que as manipulava – e não o contrário. Nas minhas brincadeiras, onde eu já mostrava algum talento para desenvolver histórias mirabolantes, Barbies e Cavaleiros do Zodíaco faziam parte da mesma história, inclusive com as bonecas desempenhando papel de heroínas. Eu sei, eu sei. Assistia desenho demais.)

Quem disse que RPG não é coisa de menina?

O negócio é que quanto mais eu crescia, mais me sentia à vontade no universo de coisas predominantemente masculinas. Quadrinhos, super-heróis, animes, vídeo-games, heavy metal. Eu sempre era a única jogadora do meu grupo de RPG. Meu sonho era trabalhar na Marvel, e eu já produzia meus próprios quadrinhos.

Dessa vez, ninguém precisava me dizer “meninos fazem quadrinhos, meninas fazem comida”. Eu já sabia. Mas fazer o quê, se eu tinha talento para histórias e nenhuma para culinária?

Experimenta dizer que mulher não pode alguma coisa.

E então, um dia resolvi ser publicitária. Trabalharia na área de criação, onde ainda havia muito mais homens do que mulheres. Mais uma vez, ninguém me disse “meninos fazem criação, meninas fazem atendimento”, apesar da grande maioria das mulheres desempenharem esse papel (sórdido) na publicidade.

Posso dizer que uma coisa continuou a mesma, da época do RPG aos tempos atuais: sempre fui vista como uma igual. E acho que aí está a origem do meu feminismo. Não no fato de ser discriminada, mas no fato de ser aceita em um universo que não foi feito para as mulheres, e ainda assim, ser tratada como igual. E por que não seria? Afinal, minha vagina pouco tem a ver com a minha capacidade de fazer as coisas. Fora os orgasmos múltiplos, é claro.

Ainda não acabou

Mesmo não seguindo a cartilha da boa moça, descobri que podia ser aceita – e o melhor: fazendo o que eu realmente gostava. Essa era uma descoberta realmente espantosa. Definiu a minha vida! Mas se isso era tão bom, não entendia por que ainda havia uma sociedade que ensinava que meninos fazem karatê e meninas fazem balé.

Foi quando conheci o blog da Lola e da Marjorie (não necessariamente nessa ordem). Com elas, minha visão de mundo se expandiu. Fiquei mais sensível ao que antes parecia invisível. Comecei a entender que tudo fazia parte de uma construção social, cuja função era manter todos em seus devidos lugares. Percebi que era uma grande besteira acreditar que as coisas eram assim só porque deus quis.

Acredito que as coisas podem ser diferentes. Que homens e mulheres possam ser o que bem entenderem. Que a igualdade que eu experimentei com as pessoas do meu meio possa ser vivida na sociedade como um todo. Aí um dia não vai importar se você tem ou não uma perereca, porque nesse dia (e espero que seja logo) ninguém mais vai ensinar o que é coisa de menino e o que é coisa de menina. Se você também acha isso, parabéns. Você também é um goddamn feminista.

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May/10

8

Somos multilineares

Chega um certo período no semestre em que fica difícil manter a regularidade na postagem. Mas o que eu mais queria era voltar a escrever por aqui, isso me ajudaria bastante a escrever no trabalho; ando passando por muitos bloqueios ultimamente. Esses dias encontrei um texto antigo do qual nem lembrava mais ter escrito. Resolvi compartilhar aqui no blog, mesmo sendo tão autobiográfico. Já fica o aviso que é um texto pessoal e um pouco extenso. Continue a ler por sua conta e risco.




Não importa quantas vezes eu já tenha visto aquelas fotos. É sempre como ver algo que já faz parte de um outro mundo, não apenas outra época. Aquela Aline de dois anos brincando na areia era uma eterna curiosa quanto à natureza dos adultos. Eram criaturas confusas que ela não conseguia entender, embora se preocupasse bastante com o que eles poderiam pensar dela. Essa Aline de hoje já não tem tanto interesse assim. Vê o quanto todos eles (inclusive ela) não são lá grandes coisas.

Aquela Aline, de olhos puxadinhos quando sorria, cabelo curtinho, anelado e revolto, não cresceu. Ela não se transformou em outra pessoa. Ela não se transformou na Aline que ganhou um irmão bebê e começou uma coleção invejável de Barbies. Essa daí simplesmente surgiu. E após essa, uma Aline que brincava de Lego, de Power Rangers com os amigos do prédio, assistia desenho animado, e que a mãe cortava a franja bem reta e curta, no alto da testa. E após essa, uma Aline que ganhou uma irmã caçula, se mudou para a Ocidental e não tinhamais nada a ver com todas as outras. Ela não era adorável nem tinha todos aqueles amiguinhos. Era uma pré-adolescente de rosto estranho, corpo desajeitado, de conceitos pouco definidos, reprimida, pouco habilidosa, mas tentava se encontrar. E de onde surgiu a Aline que abusava da maquiagem, arrumou namorado, andava de preto, cheia de colares e anéis, curtia lá seu rock meio punk, meio hard rock, meio grunge, meio sei lá o quê? Por todos os deuses, de onde essa doida surgiu? Onde ela estava na história até agora?

E então essa criatura cheia de rebeldia, com uma visão nada resignada de mundo, deixou outras Alines entrarem na história. Uma Aline de cabelão preto e muito comprido. Uma Aline que de tanto ficar em casa, ganhou um tom amarelo e pálido na sua pele antes tão morena. Uma Aline que não suportava ouvir Nirvana, embora uma Aline que tivesse vindo antes adorasse. Teve até uma Aline que estudava pra concursos públicos e tentava passar na UnB pra Artes Plásticas. Outra que não se esforçava muito para arrumar um bom emprego, e fazia uns freelas de graça só pra ganhar experiência. Uma Aline que teve alguns namorados por longos períodos de tempo, e que por conta disso aprendeu muito, mas tornou-se desagradável e irremediável em muitos aspectos. Uma Aline que viu, através do irmão que começou a experimentar a fase da rebeldia, que esse negócio de ir contra a família não levava a lugar nenhum.

E veio outra, que foi contratada por uma empresa de TI e logo virou assistente do gerente de projetos, passando a coordenar e receber tarefas importantes. Esta passou na faculdade, e diferente de uma Aline que quase fez Artes Plásticas, e de outra que queria fazer História, e de outra (coitada) que tentou Desenho Industrial, essa foi bem-sucedida e tinha tudo a ver com Publicidade. Essa Aline, que conheceu o Marcos no primeiro semestre e se tornou a melhor amiga dele, também não é a mesma que um dia deu a louca e resolveu beijá-lo, na casa dele. Essa é a Aline sortuda que conseguiu um bom namorado. A outra, a “apenas amiga”, esquivou do beijo que ele tentou roubar um dia, e ficou sozinha.

A Aline que assumiu a partir daí, apareceu meio que sem ninguém perceber. Era meio desesperada, meio histérica, envolvida demais com tudo que fazia. Ela tinha boas idéias, era engajada, cheia de projetos, mas com pouquíssimo tempo para se dedicar aos amigos. Sim, um dia até houve uma Aline que escrevia cartas, participava de fóruns, e veja só, até tinha melhores amigas. Mas a seguinte perdeu o contato com muitas pessoas, porque não concordava com o egoísmo com o qual eles a tratavam. Também não se sentia confortável quando percebia que eles estavam, na verdade, se dirigindo a uma Aline que ficou pra trás na história há um tempão, que não gostava mais das mesmas coisas que eles, nem via mais graça nas piadas que eles acham o máximo. Não dá para exigir que uma Aline fique por tempo indeterminado, a história precisa continuar.

Quais Alines virão daqui em diante? Virá uma que se dedica a escrever, ou uma que é uma chefe megera, ou ainda uma que é uma mãe divertida e cheia de coisas pra ensinar? Quais Alines virão?

Passei pelas fotos como quem agradece a cada uma daquelas escritoras (pequenas ou grandes) pela parcela de contribuição que trouxeram à história, seja pelos altos, seja pelos baixos. E olho para aquela pequenininha, que nem dez meses tinha, no colo da mãe magrela que lhe dava mamadeira, e penso em lhe dizer: “Você ficou com a melhor parte da história. Seria tão ruim se você tivesse que largar tudo isso e vir aqui viver os meus problemas; mas venha me visitar de vez em quando, para que eu não me esqueça que é da sua história que eu estou cuidando agora.”

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Ilustra do @gui_jotapê

Assim que Onde Vivem os Monstros (no original, Where the Wild Things Are) entrou em cartaz no cinema, resolvi me adiantar e dar uma lida no livro em uma dessas vezes em que tive que matar o tempo no shopping até a hora do almoço. Fui até a seção infanto-juvenil (definitivamente minha favorita) e peguei o livro de Maurice Sendak, em uma edição mais nova do original escrito em 1963. Ilustrações, de fato, encantadoras. Já quem achou que Avatar de James Cameron não tem história, ia ficar um bocado decepcionado. A história do livro de Sendak é no máximo um pretexto para as ilustrações. Conta as aventuras de Max, um menino desobediente que é mandado de castigo para o quarto por fazer bagunça. Começa a imaginar um mundo cheio de monstros onde ele possa reinar e agir como um, mas volta ao seu quarto a tempo de encontrar seu jantar quentinho. Um livro que você lê em dois minutos. Ok, em cinco, se der atenção a cada desenho. Mas não se pode exigir uma história muito elaborada de um livro feito para crianças em fase de alfabetização – e nisso, cumpre muito bem seu papel. É um livro que daria ao meu filho, sem dúvidas.

capa do livro

Então fiquei ansiosa para ver que tipo de limonada Spike Jonze faria deste limão. As imagens da prévia já haviam mostrado que o visual do filme seria tão fascinante quanto o do livro: monstros corpulentos, peludos, de feições monstruosamente simpáticas. Mas só quando estava devidamente acomodada na poltrona do cinema, é que percebi que a beleza da ambientação do filme ia muito além. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Geralmente, não presto muita atenção a este detalhe, não sou uma pessoa muito ligada ao sentido da audição. Mas  as músicas saltavam do filme, cantadas por vozes infantis tão sinceras, tão reais, dando ainda mais motivos para eu me envolver na história. E que história.

Max, interpretado por Max Records, é um caçula cheio de energia e imaginação ignorado por sua irmã mais velha, e que acaba tendo que se virar brincando sozinho. A cena dele brincando na neve e dando ordens à cerca me lembrou bastante o Calvin, outro garoto solitário e hiperativo que tem como único amigo imaginário um urso de pelúcia. A história sugere (entre outras inúmeras coisas que deixa apenas na sugestão) que o pai dele já está morto. A mãe de Max é uma mulher visivelmente cansada, que se desdobra no trabalho e passa por dificuldades em mantê-lo. Mas ainda assim é o único refúgio de Max – e ele, o dela. É para quem ele conta suas histórias, faz suas dancinhas engraçadas, é para quem guarda um lugar no seu refúgio contra a lava imaginária.

E então, quando sente essa sua zona de segurança ameaçada ao ver sua mãe se envolvendo com um homem, se rebela. É uma cena memorável a que veste sua fantasia de lobo, sobe em cima da mesa e grita “Feed me, woman!”. A mãe tenta controlá-lo (se já tivesse assistido Super Nanny saberia como lidar com isso), mas o garoto grita, esperneia e lhe morde com força. Quando percebe o que fez, fica desesperado e sai correndo pela rua, chorando, uivando e gritando. A mãe nunca consegue alcançá-lo. É dada uma enorme carga dramática a um momento do livro que se resumia ao castigo.

É de barco que ele chega aonde vivem os monstros. O mais curioso é que as criaturas têm nomes comuns (pelo menos para americanos), e não falam nenhum tipo de idioma estranho. Exceto pela aparência, falam e se comportam como nós – ou melhor, como nossas crianças. Isso fica bem claro quando Max, para se salvar de ser devorado por eles, os intimida dizendo que tem poderes e conta histórias de como explodiu a cabeça de vikings malvados. É engraçado como os monstros acreditam ingenuamente em cada palavra do garoto e até o nomeiam como seu Rei. É a beleza da mesma ingenuidade que levam as crianças a acreditarem com veemência nas histórias de fantasia que contamos a elas.

O filme não dá respostas prontas. De certa forma, é você quem cria sua história. Há muito espaço para você imaginar, e isso é o mais gostoso do filme. Ele no máximo sugere, e vai se desenvolvendo sobre o relacionamento de Max com seus novos amigos (ou súditos), baseado em diálogos incríveis e intensos justamente por serem singelos, com a simplicidade que a infância tem.

"There's one in all of us"

Mas é importante observar que cada personagem tem características muito marcantes e que nos revelam as muitas facetas de Max: Carol é o rebelde e impulsivo, o que levou o garoto a se identificar com o monstrão logo de cara. Judith é ranzinza, mal-humorada e meio agressiva, o que me levou a me identificar com ela logo de cara. Ira é o criativo, gosta de fazer buracos nas árvores como forma de expressão artística. Tem o Alexander, muito carente, sempre ignorado pelos outros. O Douglas é um grande companheiro; se você pudesse levar só uma coisa a uma ilha deserta, com certeza seria ele. Há também o touro, ele sequer chega a ser apresentado ao garoto;  é observador e tem um quê de melancólico. E há a KW. Ela desperta um sentimento diferente em Carol, o que nos leva a acreditar que eles já tiveram uma forte relação que agora se encontra em crise.

Como eu já disse, Max chega ao mundo dos monstros na metade dessa história: Carol está revoltado porque as coisas mudaram, e parece que isso só aconteceu depois que KW foi embora (por um motivo que ainda não cheguei a entender muito bem, mas tem a ver com corujas). Carol explica a Max: “Antes todos costumavam ficar juntos. Sabe, é como se você estivesse perdendo seus dentes um a um. Eles vão ficando bem separados, e quando você percebe, já não tem mais nenhum”. Isso me fez pensar na KW como algo de materno, e na relação entre ela e Carol como um equivalente à relação de Max e sua mãe. A zona de segurança. O refúgio.

E crescer se trata de deixar esse refúgio. Max está passando por uma fase de crescimento, e o que acontece no mundo dos monstros tem muito a ver com isso. “As coisas eram mais simples quando brincávamos de guerra de lama”, diz Ira. E ele tem toda a razão. Não era bem mais simples quando você não tinha que se preocupar com seu extrato bancário, com o fato de estar no cheque especial e não conseguir sair dele? As coisas não eram mais simples quando você podia se vestir de lobo e fingir ter poderes? Ou quando você não tinha que lidar com grandes responsabilidades como faculdade, trabalho, ou cuidar de uma família?

A crise que Max passa quando deixa sua casa surge do conflito de crescer e ter que deixar seu refúgio.  No mundo dos monstros, seu reinado é baseado em bagunça, inventar brincadeiras novas, construir uma grande fortaleza onde só acontece o que querem que aconteça. Um reinado para viver como criança com toda intensidade; mas não era o suficiente. Ser rei representa uma grande responsabilidade. O rei é responsável pelo sentimento dos seus amigos monstros, por cuidar deles, fazer com que sejam felizes. Quando percebe que não é capaz de tamanha responsabilidade, Max entende que não é um rei, e que nem tem grandes poderes. Que é só um menino normal vestindo roupa de lobo.

Um amigo disse que o filme é uma análise do comportamento infantil, e que seria mais fácil entender vendo dessa forma. Já eu digo que esse é um filme sobre imaginação (a do garoto e a nossa também), e que as coisas ficam ainda mais interessantes tendo isso em mente.

É um filme muito bonito, envolvente, e pode parecer esquisito se você estiver esperando uma história infantil convencional (ou qualquer tipo de história convencional). Não basta descrever, buscar as minhas interpretações e mostrá-las para dizer o quanto o filme é interessante. Recomendo que assistam e busquem suas próprias interpretações (se vierem aqui dividi-las comigo ficarei ainda mais feliz). Só há uma forma para descobrir afinal, onde vivem os monstros: ir você mesmo encontrar os seus.

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