Microconto de vizinhança

Ela achou que, se não dava para ouvir vozes no apartamento ao lado, também não iam ouvi-la gemendo um pouco mais alto na hora do sexo. O vizinho era mudo, mas escutava bem.

Ela achou que, se não dava para ouvir vozes no apartamento ao lado, também não iam ouvi-la gemendo um pouco mais alto na hora do sexo. O vizinho era mudo, mas escutava bem.

Deixava suas contas atrasarem mesmo com o relógio adiantado em cinco minutos.
Minimalista, cortou tudo desnecessário. Até o apêndice.
Deixou as palavras engatilhadas, mas o que disparou foi o gatilho do bom senso. Bang!

(imagem via tumblr: bittersweet-nightmares)
Quando transaram, Julia gozou, apaixonada. Quando se viram no dia seguinte, foi como se nada tivesse acontecido. Julia sofria de amnésia.
Era uma esposa muito boa de cama. Dormia loucamente.
Aquele atendimento fazia bem mais que só encaminhar email do cliente: ele sempre acrescentava um URGENTE no final.
Eram tantos feeds que ele parou de ler a vida.
Essa é a história de Bete e Luiz: ele esbarrou de leve no cotovelo dela quando atravessaram a rua. Nunca mais se viram.
Ela não ia precisar da ajuda do vendedor. O que ela queria mesmo era ser escolhida ao acaso por algum livro.