TAG | sobre escritores

Post sobre Lost tá sempre em tempo. Certo, Faraday?

O que posso dizer sobre Lost sem ser, de cara, passional demais? Foram seis anos de uma história que fez jus ao seu nome do início ao fim. Começou com personagens perdidos em uma ilha, que depois ficaram perdidos no tempo, fazendo a série perder audiência, sem antes deixar os fãs perdidos no meio de tanto mistério, terminando com roteiristas mais perdidos que todo mundo até agora – e com o sentimento que a gente perdeu tempo assistindo.

A série dividiu opiniões e foi uma divisora de águas, sendo a percursora de uma mudança na forma de pensar e consumir entretenimento. Ok, até pode não ser um bom exemplo de fechamento de narrativa, que definitivamente não correspondeu a todo o potencial que a série possuía no início, mas sem dúvidas Lost foi um dos cases mais bem sucedidos de transmedia storytelling. Não tiro a razão de quem esbraveja contra a habilidade narrativa dos condutores da história (até porque faço parte do time que nutre um sentimento de revolta desde que começou a última temporada), mas é inquestionável: há algum mérito em fazer com que uma pessoa permaneça ligada a uma série televisiva durante cinco anos consecutivos e VIVA (sim, viva, e não apenas assista) uma história com tanta intensidade durante todo esse tempo.

Elenco de Lost reunido

Não vou chover no molhado e ficar discorrendo longamente sobre cada furo da sexta temporada e sobre o nível juvenil da narrativa, coisa que o Gravataí já fez melhor aqui e aqui. Só quero expor uma análise dos pontos principais, sob a perspectiva da narrativa (além de deixar claro que detestei e que não houve um momento em que não pensei que a autoria do roteiro houvesse sido passada para um grupo de adolescentes com sério déficit de neurônios. Essa de purgatório e igrejinha no final para irem juntos para o céu não colou. Por mim, se os jovens da Caverna do Dragão se cruzassem com os heróis de Lost para todos irem juntos para casa, o final ia ser muito mais convincente).

Apesar de já estar meio capenga na quinta temporada, acho que a história podia ter terminado por ali mesmo, com a explosão da bomba H. Não ia ter respondido metade do que a sexta temporada tentou porcamente fazer, mas ia ser um final digno. E convenhamos, ia fazer mais sentido.

What lies in the shadow of statue? Taí uma pergunta que seria melhor não ter respondido. Jacob? Não, obrigada.

Acredito que o maior erro dos roteiristas foi tentar explicar todos os mistérios que haviam criado para a ilha. A pressão devia estar forte para o lado deles, pois o dinheiro está sempre no banco do motorista e os produtores executivos precisavam chamar de volta os espectadores, com a promessa de que todos teriam as respostas que queriam. Tá certo que era uma expectativa geral, todo mundo assistia o capítulo seguinte na esperança de encontrar uma explicaçãozinha que seja, mas as coisas eram melhores quando NÓS, os espectadores, chegávamos nas respostas. Na sexta temporada, o caminho se inverteu, e foram as respostas que começaram a chegar até nós, de uma forma bem forçada, diga-se de passagem. Saber construir, e acima de tudo, manter perguntas na cabeça do espectador é a principal arte de quem escreve suspense. E é uma linha tênue: perguntas demais confundem e aborrecem o leitor, sem falar que podem acabar em frustração se não forem satisfatoriamente respondidas no desfecho. Eu particularmente, acho muito mais provocante e envolvente uma história que deixa um final em aberto, para que eu participe da história com a minha própria imaginação. E quantas perguntas eles não trocaram por respostas rasas, quando não por sumários pontos finais?

A Iniciativa Dharma dava um gostinho especial para a série.

O que nossos ilustres escritores lostianos fizeram foi justamente o que todo mundo faz quando já não consegue explicar nada racionalmente: parte para o mítico, o sobrenatural. Lost era a representação perfeita do gênero sci-fi fantasy, equilibrando bem essas duas vertentes até desandar e deixar o sci-fi perdido no meio do caminho, provavelmente em algum dos lapsos temporais decorrentes dos soluços espaço-temporais da ilha. Se essa historinha de céu e purgatório já não colou, imagina então o Jacob, que fez papel de figura divina da ilha, como protetor de uma espécie de fonte sagrada da vida . Perceba que essa consciência de que existia uma força poderosa na ilha já está presente desde o início, e apenas se reforçou na segunda temporada, em que apareceu a Iniciativa Dharma. Tanto nesta fase quanto no final, temos essa fonte de “poder”, alvo de muita cobiça e envolta de mistérios. A diferença é que no início esse mistério dava muito mais pano para manga, e ao mesmo tempo em que nos enchia de perguntas, ia mostrando o significado e o porquê daquilo tudo, através das experiências científicas envolvendo eletromagnetismo, meteorologia, parapsicologia e zoologia (sim, eu sou uma fã da fase Dharma); enquanto no final a “grande explicação” se resumiu em dizer que todo esse poder vinha de uma gruta com uma água mágica e uma rolha que se tirada do lugar destruíria a ilha e libertaria todo o mal. Totalmente desnecessário.

Outro grande ponto que a série tinha conseguido desenvolver, até estragar tudo na sexta temporada, eram os personagens. A relação entre eles, a motivação de cada um e a relevância deles para a história, era tudo muito consistente. Poucas vezes tive contato com personagens tão profundos e bem construídos quanto os sobreviventes do vôo 815, assim como os Outros (afinal, Juliet e Ben figuram entre os melhores personagens da série na minha opinião, juntamente com Desmond e Faraday). Mas para que eles se perdessem (no sentido narrativo) foi um pulo. O casal Jin e Sun teve uma participação inexpressiva, Sawyer não deixou nem pálida sombra do que já foi um dia, Ben abandonou os mind games que o consagraram como vilão dos bons e velhos tempos de Dharma, Richard (ou Ricardus) mostrou ser nada mais que um cagão que nunca teve relevância no grande esquema da ilha, Sayid virou um zumbi (ponto), e nem Widmore cumpriu as expectativas do personagem poderoso e com moral para acabar com toda aquela história que ele parecia ser. Tudo isso para que Jack pudesse aparecer mais, e olha que ele conseguiu ficar ainda mais seboso e cansativo do que já era.

Se vir esses caras na rua, pode bater. O roteirista Carlton Cuse com o roteirista e criador Damon Lindelof

Aí vai a gota d’água: o detalhe é que os roteiristas não sabiam o que estavam fazendo. Rá, e todo mundo achando que eles tinham tudo friamente calculado desde o início. Coisa nenhuma. Olha só essa entrevista que encontrei, com JJ Abrams, um dos roteiristas e criadores da série:

O final da série é aquilo que você pensou que fosse ser desde o início?

JJ: Ah, de jeito nenhum! Há pequenos temas e elementos espalhados, mas a verdade é que quando começamos não sabíamos exatamente o que havia na escotilha. Tínhamos ideias, mas não sabíamos até onde poderíamos explorá-las. A noção sobre o papel dos Outros existia, mas não sabíamos exatamente o que eles significariam. Àquela altura Damon ainda não havia tido a ideia do flash forward. Ver onde chegamos e o que eles criaram é muito gratificante e algo que ninguém poderia prever no início de tudo.

Certamente haviam inúmeras possibilidades de terminar melhor essa história. Mas assim como eles não puderam prever o futuro da série, também não é possível voltar no tempo e tentar consertar a lambança. E para o fim dessa era Lost, que vai deixar muita saudade de uma história bem contada, assim como muita revolta de um final mal contado, só tenho uma coisa a dizer:

See you in another life, brotha.

, , ,

Em crise.

Vira e mexe estou às voltas com as mesmas crises de sempre. Não as crises políticas, tampouco as financeiras – embora estas sejam responsáveis pela metade dos problemas de todo mundo -, mas as crises autorais. Aquelas, de deixar escritores em desespero. Se eu pelo menos fosse um, o quadro não estaria tão ruim.

Cheguei a uma fase em que o menor dos problemas é o backspace teimando em diminuir, retroceder, fazer desaparecer as linhas escritas com tanto suor, tanto sofrimento. Sequer existe algo para ser apagado. Se fosse em outros tempos, teria o estranho prazer em encher minha lixeira com papéis amassados, que eu arrancaria da máquina de escrever depois de surrar no papel  palavra por palavra, com aquele tec tec que encheria toda a sala – e minha cabeça. Hoje as teclas estão todas aqui e cada um dos dedos já sabe seu lugar, mas olho para elas e a tela continua vazia.

Quer dizer, e todas aquelas histórias que eu tinha? Todos aqueles assuntos? Tem uma hora em que simplesmente acaba? E aí depois de todo esse tempo sem escrever, volto assim, de mãos vazias, e tudo o que resta para compartilhar é essa coisa meio confessional – e confesso: isso nunca fez meu estilo -, mas só porque não quero deixar essa tela em branco. Só porque não posso deixar mais um dia em branco.

Achei que sendo redatora eu estaria mais perto de trabalhar com o que eu gosto. Mas, ao mesmo tempo em que crio e escrevo bastante, acho que nunca estive tão distante de trabalhar com o que eu gosto. Publicidade não é tesão o tempo inteiro. Acho que literatura menos ainda – exceto se você for um badalado escritor que ganhe dinheiro fácil, tipo Paulo Coelho ou Stephenie Meyer. Mas a questão é que na publicidade o meu escrever está condicionado ao que o cliente quer, ao que ele precisa. E no meu esforço de chegar a ser uma boa redatora (já que falta aquele talento maroto, aquele talento raiz, que imagino ter sido um belo atalho na vida dos grandes e premiados redatores), eu me anulei no mais importante: deixei de escrever para mim mesma. Deixei as minhas histórias de lado para me empenhar em escrever histórias para marcas. Continuo entretendo o público, contando histórias. Mas não as minhas.

Não que seja um problema escrever sob essas circunstâncias. Eu escolhi publicidade, afinal. Acho que se eu tivesse escolhido qualquer outra coisa, tipo Letras, eu seria uma puta pedante chata e limitada. Mas acho que essa coisa de ser “artista” equilibra as coisas. Saber que posso sentar aqui e contar uma história, e saber que haverá alguém do outro lado para ler, e saber que o que eu escrever não vai precisar ser aprovado por ninguém antes disso acontecer.

Tipo agora. Vê se um troço todo “meu querido diário” como esse seria aprovado, se não fosse meu desespero em escrever alguma coisa. Qualquer coisa. Mas se tem uma coisa que aprendi com um amigo foi nunca me desculpar por nada que eu escreva ou publique. Porque decidi que vou escrever sem pudor, sem escrúpulos, sem vergonha. Soltar o braço. É isso ou me conformar em não saber mais o som que o teclado faz quando digito furiosamente, sem parar.

Agora se me dão licença, preciso acordar cedo amanhã. A redatora ainda tem um monte de jobs esperando por ela.

, ,

Velharia uma ova! Ainda escreve que é uma beleza!

Essa é a frase mais memorável do pistoleiro Roland Gilead, no livro “A Torre Negra” de Stephen King, que faz referência às coisas que não podemos esquecer para nos mantermos íntegros em um mundo já sem valores. E hoje tomo essa frase emprestada para homenagear o culpado pelo meu potencial à inclinação literária, desde que eu era apenas um faceiro zigotinho.

Hoje é aniversário do meu pai, artista e poeta que o tempo não vai conseguir derrubar (e espero que a rotina de trabalho também não!). Como eu não conseguiria escrever nada à sua altura, resolvi compartilhar com vocês uma de suas poesias, que expressa bem o seu estilo único de escrita. Aqui vocês podem conhecer outros poemas e entender porque tenho tanto orgulho do meu velho!

O Criador

… em meio as reticências,
entre parênteses e colchetes;
saem meus poemas:
( sabedorias )
para todas almas;
que exclamam,
que interrogam,
por tão pequenos mistérios.

8º)- [ [..olhe para o céu
(esse teto azul)
veja as formas, algumas sequer imagina...
outras porém busque enxerga-las.
... ali, bem além... há um infinito
que o Homem não alcança.
Olhe profundamente pelo corpo
e encontre a essência que o move.
E saiba que... dos olhos para cima há ‘um’ além,
dos olhos para dentro ‘outro’ além,
(esse... pode desvenda-lo até o limite do seu fim).
(... daí todo bem, todo mal, toda crença, toda sapiência,
qualquer ato criado, qualquer filosofia, qualquer mistério...
e todo segredo resolvido),
fluirá para o Todo
de onde uma criação oculta
(continuada)
dos espaços inacabados... (ainda se realiza);
[ já que a arte de criar para quem cria nunca se finda.]

… olhe para o Universo,
(esse espaço único) entre EU e você
e saiba das formas acima ou abaixo,
que SOU uma delas!
Não me pergunte,
Quem? Qual?

[ irá imagina-la após o seu fim.]

… Sendo assim, continuarei a SER ( aquele teto azul )
(tão indefinido… tão infinito.)

… e só, além de mim, estará você … muito além.
Tudo que criei não foi totalmente para o fim.
Criatura, agora olhe para mim! ]]

… em meio
as reticências,
entre parênteses e colchetes,
tantas almas
reenganam
por tão misterioso segredo:
( O CRIADOR, a criatura. )

Élsio Soares

, ,

Gaiman e Moore

A estreia de Avatar, de James Cameron, e seu consequente sucesso de bilheteria trouxe uma série de críticas por ser um filme “sem história”. Mas como esse é um assunto tão last month, não pretendo entrar muito nesse mérito, embora eu acredite que é preciso saber separar uma história que eu não goste de uma história que non ecziste. E francamente, a história de Avatar está ali. Não é a mais original, uma história que se diga “noooossa que genial, até gozei!!”, mas a história não só existe como está acompanhada da construção de um universo exuberante e completo para que ela acontecesse.

Já disse que não é sobre isso que pretendo falar, né?

Apenas mencionei pois foi justamente isso que me lembrou de uma entrevista do Alan Moore que encontrei na época em que Watchmen estava sendo adaptado para o cinema, e até cheguei a postar em meu antigo blog, o Histórias Esquecidas.

Junto dela, também encontrei uma entrevista originalmente publicada na Inglaterra pela revista Knave, em 1900-e-eu-não-tinha-nascido-ainda, feita pelo Neil Gaiman (sim, o próprio) em sua época de jornalista (ninguém é perfeito), que contava como entrevistado ninguém menos que Alan Moore, criador de Constantinte, Monstro do Pântano, V de Vingança, A Liga Extraordinária, e tantos outros. Dispensando os óbvios comentários sobre o quanto o cara é foda, segue a entrevista em que Moore criticou a adaptação cinematográfica de Watchmen.

Concordam? Discordam? Acham que hoje em dia as pessoas estão mais exigentes em relação às histórias que veem no cinema? Ou que na verdade estão ainda mais preguiçosas, esperando que o filme já lhes dê as histórias prontas? A caixa de comentários é toda de vocês! ;)

Entrevista de Moore para a Wired, em tradução livre:

“(…)Acredito nos testes de Pentagon no final dos anos 80, em que os quadrinhos foram considerados o melhor meio de transmitir informação para alguém de uma forma que irão reter e se lembrar. Eu pessoalmente sinto – e isso é só uma besteira de hippie pseudo-cientista – sinto isso porque a unidade de circulação do que costuma ser chamado o lado esquerdo do nosso cérebro é a palavra. O lado esquerdo do nosso cérebro é relativo à nossa fala e à racionalidade. A unidade de linguagem para o lado direito do nosso cérebro, pelo contrário, seria a imagem, afinal, o lado direito é preverbal.

Talvez seja por causa da combinação de palavras e imagens numa forma de leitura que os quadrinhos têm este poder único. Agora, é claro, filmes são uma combinação de palavras e imagens, mas têm uma estrutura e um modo de trabalho completamente diferente.

Uma das minhas grandes objeções aos filmes, é porque são imersivos demais, e acho que isso nos transforma em pessoas preguiçosas e sem imaginação. A absurda duração que o cinema moderno e suas capacidades de computação gráficas conseguem alcançar para salvar a audiência de incomodar a si mesma de imaginar alguma coisa por si próprias, provavelmente causará um efeito de limitação na imaginação das massas. Você não tem que fazer nada. Com um quadrinho, você tem que fazer um bocado mais. Mesmo tendo figuras lá para você, você terá que preencher todas as lacunas entre os painéis, terá que imaginar as vozes dos personagens. Você terá um bocado de trabalho nisso; não tanto quanto um livro sem ilustrações, mas ainda assim, terá muito trabalho.

Parece que a audiência exige que tudo seja explicado para eles, que tudo seja fácil. E eu não acho que isso seja uma boa cultura. Eu me lembro do King Kong de Willis O’Brien e de outros artistas que tornaram coisas como essa possíveis. Sim, eu sabia como isso era feito. Mas parece tão maravilhoso. Hoje em dia, eu vejo um milhão de Orcs correndo pelas colinas e fico entediado. Não fico nem um pouco impressionado. Porque, francamente, eu poderia pegar qualquer um passando na rua que conseguiria criar os mesmos efeitos se dessem a ele meio milhão de dólares para fazê-lo. Isso remove a arte e a imaginação e coloca o dinheiro no banco do motorista, e eu acho que é uma equação bem lógica – em que há uma relação inversa entre dinheiro e imaginação.

A maioria dos filmes que vejo parecem ter o mesmo nível de desaprovação que esperam no nível da exibição pirotécnica. É tudo “ooh” e “ah”. Essas parecem ser as únicas respostas apropriadas à maioria dos filmes modernos. Acho que estamos entrando em um período de reavaliação cultural. Espero que seja verdade, porque acredito que se não estivermos, estamos em um período de condenação cultural. Temos que repensar essa coisa toda, e acredito que repensar nossa cultura é parte disso. Eu realmente espero que sim.”

, , , ,

No capítulo anterior, propus um exercício de memória que consistia em tentar lembrar, em 1 minuto, do máximo de nomes de artistas de quadrinhos que fosse possível. Através dessa brincadeira foi possível constatar algo que é fato no mercado editorial de quadrinhos: o pouco espaço que as mulheres têm, em relação aos homens, como criadoras e produtoras.

Mas existem mais mulheres nesse negócio do que a gente imagina (tanto que tive que dividir o post em dois). Aqui, continuo apresentando algumas das artistas que vão figurar no projeto da Marvel previsto para março, a GIRL COMICS, e ainda falo das brasileiras dentro do universo dos quadrinhos.

Começando com Jill Thompson, uma velha conhecida da minha prateleira. Escritora e ilustradora, a grande maioria de seus trabalhos tem alguma relação com o mestre Neil Gaiman, ora ilustrando as histórias escritas por ele, ora ilustrando e escrevendo histórias dentro do universo por ele criado.

Ela tem uma lista gigantesca e invejável de trabalhos: participou de algumas edições de “Sandman”, trabalhou na série “Livros da Magia”, “Orquídea Negra”, “Dead Boys Detectives”, “Vidas Breves” até em “Monstro do Pântano”, sem falar, é claro, do clássico e incrível “Morte – A Festa”. Fez vários trabalhos para a Darkhorse, Marvel, e tem sua própria série publicada pela Sirius Entertainment: “Scary Godmother”, adaptada para uma animação que Jill editou, dirigiu, produziu, assinou direção de arte, pintura de background, etc, etc. Ufa!

"Garotas podem ser o que quiserem! Até personificações antropomórficas de aspectos do Universo!"

Valerie D’orazio trabalhou como editora de várias séries da DC, como “Aquaman”, “Catwoman”, “Arkhan Asylum”, “Liga da Justiça”, “Crise de Identidade”, e vários outros. Mas é em seu trabalho para a Marvel, “Cloak and Dagger” (a dupla Manto e Adaga) que atuou como escritora; além de ter seu próprio livro, chamado “Memórias de uma Super-Heroína Ocasional”. Destaca-se principalmente por ser presidente da associação Friends of Lulu, que trabalha para promover as garotas na indústria de quadrinhos, como produtoras e leitoras. Não deixem de conhecer, elas até organizam Prêmios Anuais!

Aí vai outra ilustradora que trabalha bastante: Colleen Coover, artista com uma lista imensa de trabalhos já realizados para a Marvel, entre eles, inúmeras edições da série “X-men: First Class”. Vale a pena dar uma olhada na galeria dela, seu estilo é inconfundível; além do mais, ela é famosa por suas histórias lésbicas de apelo erótico (cuidado com o link).

Outras artistas que vão estar no GIRLS COMICS: Molly Crabapple , Ming Doyle e Carla Speed McNeil.

Se tem um lugar em que as mulheres não precisam se preocupar com um espaço reduzido de atuação em comparação com os homens, é o Japão. Por mais que a terra do sol nascente já tenha sido (e ainda seja, em alguns aspectos) muito machista e conservador, as artistas de lá não são tolhidas como no ocidente, onde desde cedo a gente aprende que super heróis e quadrinhos são “coisas de menino”. Isso acontece porque o mercado editorial do Japão é bem diferente, devido a uma cultura de leitura muito bem difundida. Logo, existe mangá com linguagem específica para todo tipo de público: crianças, adolescentes, adultos, sejam eles do sexo masculino ou feminino.

A grande maioria das consagradas artistas do Japão atua dentro da modalidade Shoujo (mangá para meninas), com um estilo de desenho mais delicado e com histórias que acabam focando no romance entre personagens e em conflitos emocionais (sem deixar de lado elementos como fantasia, aventura, drama e comédia). Essa é a marca registrada das meninas do estúdio Clamp, por exemplo, com sucessos como “Sakura Card Captors”, “Tsubasa Chronicles”, e “xxxHolic”.

É claro que isso não é uma regra, e a gente consegue encontrar histórias de estilo bem diferente assinadas por mulheres. Como é o caso de Shiori Teshirogi, autora da série “Lost Canvas”, de Cavaleiros do Zodíaco.

Ainda podemos encontrar mulheres altamente bem-sucedidas neste ramo, como Rumiko Takahashi, autora de “Inu-Yasha” e “Ranma ½”: seus mangás são sucesso de vendas, e é a terceira mulher mais rica de todo o Japão. É praticamente a J.K. Rowling oriental.

Vindo para o Brasil, a gente encara o outro lado do mundo e o outro extremo da situação: o próprio mercado de quadrinhos tem pouco espaço no “mainstream”, que é dominado por publicações estrangeiras. Para trabalhar com quadrinhos no Brasil, seja homem ou mulher, é preciso muita coragem para enfrentar um cenário cheio de adversidades, onde é preciso ralar em dobro para alcançar reconhecimento.

Apesar disso, temos importantes nomes para a produção nacional, como Maurício de Sousa, Henfil, Angeli, Laerte, Rafael Grampá, Fábio Moon, Gabriel Bá, Marcelo Cassaro, etc, etc. Mas por aqui, as diferenças se acentuam.

Na lista de indicados ao prêmio HQ Mix de 2009, entre os inúmeros nomes, apenas três eram de mulheres: Adriana Brunstein, indicada a melhor roteirista, Pryscila Vieira e Cibele Santos, indicadas a melhor tira nacional, com “Amely” e “Mulher de 30”, respectivamente. Será que está faltando um toque feminino em nossa produção nacional?

Calma lá, ainda temos outras boas representantes brasileiras nos quadrinhos: Erica Awano e Petra Leão, por exemplo. As duas já trabalharam juntas no que considero a melhor série brasileira de quadrinhos, a história de fantasia medieval “Holy Avenger”; a primeira como desenhista, e a segunda como roteirista de três edições especiais.

Depois de participar deste e de outros bem-sucedidos trabalhos no Brasil, Erica Awano se tornou um talento do tipo exportação, trabalhando para editoras gringas em projetos mega relevantes como a adaptação de quadrinhos do universo de Warcraft, e a série “The Complete Alice in Wonderland”, adaptação com roteiro de Leah Moore (filha do mestre Alan Moore).

Petra Leão, além de roteiros para nacionais como “Holy Avenger”, “Capitão Ninja”, “Dado Selvagem” e “Mercenários”, publicou no mercado americano sua série “Victory”, tornando-se a primeira mulher brasileira a publicar quadrinhos nos Estados Unidos. Atualmente é roteirista da “Turma da Mônica Jovem”, um inovador lançamento da editora de Maurício de Sousa.

Neste post tentei reunir algumas representantes femininas do universo dos quadrinhos, e inevitavelmente, deixei alguns nomes de fora (como de importantes artistas que o Doug lembrou nos comentários do post anterior).

Para finalizar, gostaria de chamar a atenção a um aspecto importante, que é possível observar especialmente em relação ao pouco espaço e reconhecimento dado às nossas artistas, no contexto brasileiro: este é um reflexo do espaço que não é dado à mulher, de uma forma geral, em uma sociedade expressamente machista.

As mulheres acabam sendo reféns de dois lados de uma mesma situação. Elas têm menos reconhecimento e menos espaço para produzirem seus trabalhos em uma área dominada por homens; e em razão dessa dominação masculina, são reféns de estereótipos femininos criados por eles para atender o ideal de um público também composto, em sua maioria, por homens. Afinal, faz parte do apelo ao público desta mídia utilizar personagens femininas que habitam o imaginário masculino, com atributos físicos e vestimentas que, na vida real, são rejeitados pela sociedade. Que dureza ser mulher, han.

Ainda bem que temos heroínas que já conquistaram seu espaço e vêm mostrando que, para produzir quadrinhos, não faz diferença ser homem ou mulher – desde que se tenha talento – e que as mulheres possuem muitos poderes, mas felizmente, a invisibilidade está deixando de ser um deles.

PS: Encontrei um artigo bem completo sobre o assunto. Quem quiser ler mais sobre, clica aqui. ;D

, ,

Se você é um dos aficcionados por quadrinhos que, assim como eu, cresceu em meio a um universo que vai além apenas do ato da leitura, então você está apto para um pequeno exercício mental que quero propor: marque 1 minuto em seu relógio, e dentro deste tempo tente lembrar-se do máximo possível de nomes de artistas que trabalharam em personagens e histórias geniais no mundo dos quadrinhos. Pronto? Pode começar.

Agora que o tempo acabou, responda: de quantos nomes conseguiu se lembrar? 10 nomes é uma boa média. Entre eles, aposto que a maioria – ou todos – que você conseguiu se lembrar é de homens. Mas e quanto às mulheres? Seria preciso uma forcinha extra para chegar a algum nome.

Sem dúvidas, a mulher é um elemento dos quadrinhos que não pode faltar para seu principal público consumidor: os homens. Mas, como você já deve ter imaginado pelo exercício de memória acima, não é exatamente dessas mulheres nos quadrinhos que este post trata (até porque seria possível citar mais de 20 boas personagens femininas em menos de 1 minuto). O título se refere, na verdade, às heroínas que estão por trás da criação das histórias em quadrinhos: as roteiristas, ilustradoras, produtoras, e por que não, as leitoras.

Há algum tempo, a Marvel anunciou para 2010 uma novidade que vai atingir diretamente cada uma dessas integrantes do mercado editorial de quadrinhos, e em consequência, o próprio universo das mulheres. A editora irá lançar a GIRL COMICS, uma minissérie feita exclusivamente por mulheres. E isso significa mulheres desenhando, escrevendo, letreirizando, arte-finalizando, produzindo, editando, TUDO. Não é sensacional? A primeira edição está sendo planejada para março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, e aos 30 anos de fundação do National Women’s History Project e da primeira aparição da Mulher Hulk.

Jeanine Schaefer, a editora da minissérie, falou um pouco sobre esse projeto inovador (minha tosca tradução):

Eu definitivamente penso que mulheres e garotas vão buscar [a minissérie], mas não porque fizemos uma combinação do que poderia fazer mulheres gostarem de quadrinhos. Estou esperando que seja encorajador ver tantas mulheres que estão ganhando a vida em quadrinhos, e a ideia é reforçar que quadrinhos possam ser (e já são) tanto para elas quanto são para os homens.

Para um mercado em que a mulher já alcança alguma expressividade como consumidora (mesmo que o público dominante ainda seja o masculino, assim como os homens também estão no domínio do meio de criação e produção), este projeto da Marvel representa um grande passo para a democratização da produção cultural.

Abaixo, vocês conhecem algumas das autoras e artistas que vão trabalhar no projeto GIRL COMICS – assim, da próxima vez que você fizer o exercício de memória, irá ter alguns nomes femininos para citar! ;D

► Quem leu quadrinhos entre os anos 80 e 90 certamente já leu algo de Ann Nocenti. Foi a sucessora de Frank Miller no roteiro de “Demolidor”. Entre diversos trabalhos para a DC e ainda alguns para a Marvel, foi roteirista de “Someplace Strange“, com a participação de John Bolton, um dos meus ilustradores preferidos.

► Kathryn Immonen já participou de roteiros em “Ultimate X-Men” e “Ultimate Spiderman”, mas seus principais projetos para a Marvel foram “Runaways” (traduzido para o Brasil como “Fugitivos”), em parceria com a ilustradora Sarah Pichelli; e uma série com uma personagem originalmente criada em 1944, “Patsy Walker: Hellcat”, com arte da capa produzida por seu marido, Stuart Immonen, outro grande destaque da editora.

► Marjorie Liu era advogada recém-formada quando percebeu que não gostava da coisa e queria mesmo era ser escritora. Seus principais trabalhos para a Marvel são: “Dark Wolverine”, que conta a história do filho de Logan; e “NYX: No Way Like Home”, uma bem sucedida série de jovens mutantes desgarrados.

► Aí vai um nome que você não pode esquecer se for fã de quadrinhos: Trina Robbins. Essa é figuraça importante na história dos quadrinhos americanos e na participação das mulheres nesse mercado. Tem vários trabalhos notáveis como roteirista, escreve há mais de 30 anos e é responsável pela criação da roupa de Vampirella, além de ter feito a arte a lápis das histórias da Mulher Maravilha nos anos 80. Trabalhou em um jornal feminista underground lá pelos anos 60. Foi ela que lançou os primeiros quadrinhos só para mulheres, chamado “Ain’t me, Babe Comix”. Tem uma extensa bibliografia de não-ficção voltada para o tema da mulher nos quadrinhos – seria bom encontrar alguma dessas obras no Brasil.

► Além de atuar como roteirista, Amanda Conner também é ilustradora e já teve inúmeros trabalhos publicados pela Marvel, DC e outras editoras. É dela o traço da série “Birds of Prey”, da DC (no Brasil, “Aves de Rapina”), “Power Girl”, além de ser responsável pela arte de “SuperGirl” e “Superman: Lois Lane”, além de vários outros trabalhos. E para inveja de muito marmanjo, Vampirella já passou por suas talentosas mãos muitas vezes.

► Outra grande roteirista, Devin Grayson, fez diversos trabalhos para a DC, como: “Novos Titãs”, “Asa Noturna”, “Superman”, “Os Titãs”, algumas edições de “Batman Chronicles”, “Batman Legends of Dark Knight” e outras muitas histórias envolvendo o homem-morcego.

Fez também alguns trabalhos para a Marvel, entre eles “Black Widow” e “Black Widow: Break Down” (Grayson tem os créditos de ter escrito uma das melhores histórias da Marvel que já li, com a ruivíssima e mortal Viúva Negra, definitivamente minha heroína favorita). Tem tantos trabalhos publicados que nem dá pra listar tudo aqui. É abertamente bissexual e o trabalho dela é muito apreciado pela mídia gay.

No próximo post, listo as outras mulheres que são figuras de peso no cenário americano de quadrinhos, e também uma comparação com outros mercados editoriais desse segmento, como o japonês e o brasileiro. E é claro: vou falar da mulher como consumidora de quadrinhos.

Continua…

, ,

“Um texto só é um texto se ele oculta ao primeiro olhar, ao primeiro encontro, a lei da sua composição e a regra de seu jogo”

Derrida

Uma das muitas frases que me marcaram na leitura do livro “Jornalismo e Literatura – a sedução da palavra”, uma coletânea com material de vários autores (organizada por Gustavo de Castro e Alex Galeno) trazendo intrigantes e importantes relações sobre o escrever jornalístico e o escrever literário.

Recomendo.

[Publicado originalmente em 23 de março de 2009]

, , ,

[Publicado originalmente em 18 de janeiro de 2009]

Definitivamente não foi uma escolha minha. Se fosse, eu teria escolhido algo que me fizesse sentir bem, algo que eu conseguisse fazer mantendo uma freqüência regular que não me machucasse com tanta exigência. Mas aí, quando me perguntaram o quê eu realmente queria fazer (já que eu reclamava tanto disso), não soube exatamente o que responder.

Na última festa que fui, reuni-me com alguns novos amigos. Foi mais interessante ficar ouvindo as histórias que eles tinham para contar do que arriscar uma participação mais central. Não é meu forte contar histórias sobre mim, e é o que se espera nesse tipo de confraternização. Enquanto eu estava ali ouvindo, e tomando nota mental de qualquer detalhe que pudesse ser interessante usar depois, percebi que estou mais envolvida com isso do que eu realmente gostaria.

Muito prazer, meu nome é Aline. E sou uma escritora.

Talvez eu sempre soubesse disso, mas como geralmente é uma coisa estranha de se dizer, algo estranho de se declarar (ao menos que você já tenha pelo menos um Best Seller publicado), foi algo que tive que assumir (dolorosamente) com o tempo, especialmente com um diálogo que tive há algum tempo.

-Eu não sou muito boa nisso. Não sou boa o suficiente para ganhar dinheiro com isso. Muitas outras pessoas fazem design melhor do que eu. Muitas pessoas fazem desenho profissional de uma forma que eu nunca vou conseguir. Eu ia achar muito legal trabalhar como redatora ou na parte de planejamento, mas ainda é muito cedo para que eu consiga.

-Então… O que você realmente quer fazer?

Aquela era uma pergunta difícil, mesmo para uma pessoa que sempre acreditou ser movida por suas melhores convicções. Mas não era uma pergunta tão simplista que iria me pegar. Não mesmo.

-Quero trabalhar para mim mesma. – Naquela hora até pareci triunfante. Cheguei até a acreditar que era a resposta que eu precisava encontrar para a minha vida decadente e sem estilo fazer algum sentido.

-Ah, mas isso é muito vago. Trabalhar pra você mesma fazendo o quê? Desenhando? Criando para publicidade? Escrevendo? Fazendo projetos? Você tem que saber o que você quer.

Quase perguntei de volta se ele sabia o que queria. Ser versátil às vezes é dureza, e ele também sabe disso. Eu pensei em responder que o queria mesmo era escrever. Poder viver disso. Eu ainda não sei exatamente como é possível viver disso sem precisar ser muito famosa… Mas foi o que pensei na hora, não me recriminem ainda.

-Talvez eu devesse ser só dona de casa.

Essa conversa acabou mais ou menos por aí. Mas as outras conversas continuaram dentro de mim, enquanto na festa eu invejava a forma como as pessoas pareciam tão misteriosas e inteligentes contando histórias daquela forma, fumando como se fosse um ato sexual. Eu apenas prestei atenção, ouvia as histórias, soltava comentários assertivos pouco relevantes, apenas porque fazia parte de ouvir.

Comecei a me sentir incomodada com algo em mim. Como se eu fosse uma farsante. De tudo que eu sabia sobre escritores, era quase certo que fumar fazia parte do processo criativo (ou era algo como uma afirmação pessoal necessária para intimidar as idéias certas). Então… era isso. Eu não conseguia me dizer escritora, pois, além de escrever, eu precisava fumar, beber, ou consumir algum outro tipo de droga qualquer, e ter histórias para contar quando outras pessoas estivessem lá para ouvir. Céus, nem café eu bebo. Além do mais, sempre acreditei que um bom escritor devia ter pelo menos um gato (Neil Gaiman adora falar dos seus, por exemplo), mas de alguma forma, isso ia contra os meus princípios.

E além do mais… o que eu andava escrevendo nos últimos tempos? Alguma coisa? Revirei meus arquivos e vi uma série de pastas com tudo o que restou de coisas antigas, muitas jamais lidas por ninguém além do meu olhar crítico e reprovador, que costuma deletar dois parágrafos enquanto escrevo um. É uma média desanimadora.

Mas eu precisava fazer algo a respeito. Alguém que não fuma, não consegue contar histórias em festas, não consegue se dizer escritora (muito menos outra coisa qualquer), não bebe café, não tem um gato e não consegue acabar suas histórias precisa tomar atitudes drásticas.

A primeira delas foi me apresentar como uma escritora, bem ali, no início do post. Já que não há melhor forma de definir alguém que escreve (seja lá o que for) como escritor. Então não me julguem mal; não tenho nenhum Best Seller publicado.

Jurei para mim mesma no início do ano (seres humanos de recesso não podem ser considerados aptos para ponderar o que devem ou não fazer em promessas de ano novo) que iria ser menos criteriosa e escrever qualquer história de merda que me viesse à cabeça (eu já comecei uma, e não me lembrava que eu conseguia digitar tão rápido até escrevê-la numa noite qualquer).

Daí o blog, que nesta questão é praticamente uma regra de três (a solução para todos os problemas), surge como o escape de todas essas idéias, para que o fim delas não se resuma a ficarem esquecidas e intocadas em uma pasta no meu computador. Com isso, abro mão do meu olhar crítico e reprovador para adotar o olhar crítico e reprovador de terceiros, que não é necessariamente melhor, mas pelo menos não apaga dois parágrafos a cada um que eu escrevo.

Depois dessa experiência, não sei se poderei dizer que sou escritora com tanta ênfase. Não sei se poderei dizer que amo fazer isso. Definitivamente, não foi uma escolha minha (acostumem-se, adoro repetir frases durante os textos), e não é algo que eu considere prazeroso. Escrever é um ato de angústia, é trabalhoso moldar a imaginação esteticamente para que possa ser transmitida aos outros, é um saco se sentar na frente do computador com um monte de idéias na cabeça que você não vai conseguir definir. E é ainda pior quando você não fuma para pelo menos manter alguma pose de criativo; acredite.

Mas se quiserem me convidar para festas, sim, eu vou com todo prazer.

N.A [1]: Essa na foto não sou eu. Créditos da foto aqui.

, , ,

Voltar ao topo