TAG | vida de redatora

Jun/10

30

Briefing de Microconto

Aquele atendimento fazia bem mais que só encaminhar email do cliente: ele sempre acrescentava um URGENTE no final.

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Em crise.

Vira e mexe estou às voltas com as mesmas crises de sempre. Não as crises políticas, tampouco as financeiras – embora estas sejam responsáveis pela metade dos problemas de todo mundo -, mas as crises autorais. Aquelas, de deixar escritores em desespero. Se eu pelo menos fosse um, o quadro não estaria tão ruim.

Cheguei a uma fase em que o menor dos problemas é o backspace teimando em diminuir, retroceder, fazer desaparecer as linhas escritas com tanto suor, tanto sofrimento. Sequer existe algo para ser apagado. Se fosse em outros tempos, teria o estranho prazer em encher minha lixeira com papéis amassados, que eu arrancaria da máquina de escrever depois de surrar no papel  palavra por palavra, com aquele tec tec que encheria toda a sala – e minha cabeça. Hoje as teclas estão todas aqui e cada um dos dedos já sabe seu lugar, mas olho para elas e a tela continua vazia.

Quer dizer, e todas aquelas histórias que eu tinha? Todos aqueles assuntos? Tem uma hora em que simplesmente acaba? E aí depois de todo esse tempo sem escrever, volto assim, de mãos vazias, e tudo o que resta para compartilhar é essa coisa meio confessional – e confesso: isso nunca fez meu estilo -, mas só porque não quero deixar essa tela em branco. Só porque não posso deixar mais um dia em branco.

Achei que sendo redatora eu estaria mais perto de trabalhar com o que eu gosto. Mas, ao mesmo tempo em que crio e escrevo bastante, acho que nunca estive tão distante de trabalhar com o que eu gosto. Publicidade não é tesão o tempo inteiro. Acho que literatura menos ainda – exceto se você for um badalado escritor que ganhe dinheiro fácil, tipo Paulo Coelho ou Stephenie Meyer. Mas a questão é que na publicidade o meu escrever está condicionado ao que o cliente quer, ao que ele precisa. E no meu esforço de chegar a ser uma boa redatora (já que falta aquele talento maroto, aquele talento raiz, que imagino ter sido um belo atalho na vida dos grandes e premiados redatores), eu me anulei no mais importante: deixei de escrever para mim mesma. Deixei as minhas histórias de lado para me empenhar em escrever histórias para marcas. Continuo entretendo o público, contando histórias. Mas não as minhas.

Não que seja um problema escrever sob essas circunstâncias. Eu escolhi publicidade, afinal. Acho que se eu tivesse escolhido qualquer outra coisa, tipo Letras, eu seria uma puta pedante chata e limitada. Mas acho que essa coisa de ser “artista” equilibra as coisas. Saber que posso sentar aqui e contar uma história, e saber que haverá alguém do outro lado para ler, e saber que o que eu escrever não vai precisar ser aprovado por ninguém antes disso acontecer.

Tipo agora. Vê se um troço todo “meu querido diário” como esse seria aprovado, se não fosse meu desespero em escrever alguma coisa. Qualquer coisa. Mas se tem uma coisa que aprendi com um amigo foi nunca me desculpar por nada que eu escreva ou publique. Porque decidi que vou escrever sem pudor, sem escrúpulos, sem vergonha. Soltar o braço. É isso ou me conformar em não saber mais o som que o teclado faz quando digito furiosamente, sem parar.

Agora se me dão licença, preciso acordar cedo amanhã. A redatora ainda tem um monte de jobs esperando por ela.

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Feb/10

27

Redatora de Varejo

Alguém tem que fazer o trabalho sujo.

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Não importa que o ano já esteja experimentando seus derradeiros momentos, agora que o calendário quase se esgota; a gente só tem a sensação que o ano acaba mesmo com uma daquelas manjadíssimas retrospectivas (ou com a tal maratona de São Silvestre, um clássico dos 31’s de dezembro).

Por mais que eu não seja exatamente do tipo que adoooora um reveillón, que se veste de branco com uma roupa íntima colorida pra chamar dinheiro, que sai por aí estourando champanhes, comendo lentilhas e cumprindo as mais desvairadas simpatias, sinto que alguns rituais têm lá seu gostinho quando cumpridos. É como usar uma espada, com um golpe limpo, preciso e cruel, para arrancar a cabeça daquela criatura que já agoniza, somente à espera de seu golpe de misericórdia. Okay, okay, dramatizei demais. Mas vocês entenderam a essência da coisa, né?

E como esse ano passou voando, rápido e certeiro como uma mensagem de 140 caracteres, nada mais justo que uma retrospectiva à moda do Twitter. Vai aí a seleção dos meus tweets sobre os assuntos mais relevantes do ano. Separei por categorias, caso você seja um daqueles leitores “new generation” que não conseguem ler nada com mais de 140 toques. Sirva-se! (meus comentários aparecem em negrito, assim ó)

Adeus ano velho!!!


#Acontecimentos Memoráveis

1. Na minha cabeça, só consigo aplicar às palavras “ideia” e “linguiça” as novas regras ortográficas.

2.    Opaaa! Dia do desenhista que emoção! (15 de abril, marquem em seus calendários!)

3.    Só sei de uma coisa: um país com nível de escolaridade tão baixo não devia estimular seus profissionais a não fazer faculdade. #prontofalei (sobre a queda do diploma de jornalismo)

4.    Não acredito. Agora até meu pai @elsiosoares tem twitter. O que tá acontecendo com esse mundo?

5.    Parece que a morte de um astro é mais relevante que um golpe de estado. Enqto isso, em #Honduras… http://migre.me/2YEX

6.    A onda conservadora e a batata da onda. Agora só posso comer o salgadinho rosa? http://migre.me/3s2d

7.    Feliz Dia do Escritor! 25 de julho! \o/ (via @robertodenser)

8.    Pela primeira vez, entrei no cheque especial! Sem dúvidas, um momento inesquecível.

9.    Comercial das havaianas: homem sendo objetificado sexualmente e idosa falando de sexo. Não precisou de mais nada para incomodar as pessoas.

10.  Que tipo de roupa um HOMEM precisaria usar para causar a mesma confusão que a “puta” da Uniban? #pense

11.   Meu irmão sobre #Rio2016: “Foda-se, tanto faz. O mundo vai acabar em 2012 mesmo” XD

12.   Copa do Mundo e Olimpíadas inspiram um patriotismo vesgo nas pessoas. #prontofalei

13.   Só alguém com mentalidade muito medieval pra querer dar à internet o mesmo tratamento de rádio e TV nas eleições.

14.   Parece que finalmente estou no GWave, mas não faço ideia de como mexer nisso…

15.   Remember, remember, the 5th november… RT @dbastos saudemos o dia de guy fawkes tentando explodir alguma coisa. todos. agora. comigo.

16.   Eu vi e adorei o ensaio da Playboy com a @youngporra. Minha foto favorita é a que ela está dentro de uma gaiola, vestindo só um corselete…

17.    Qual é o retardo de pessoas que lutam pelo direito de discriminar e ofender gays, sendo contra o PL 122?

18.   I´m an oldschool retweeter! RT @RenataLocutora Eu fico mesmo é com RT raiz, o RT moleque, o RT arte!

19.   Dia mundial de combate à AIDS e ao preconceito. #red (o dia em que o Twitter se pintou de vermelho por uma causa nobre)

20.   Justo no dia em que o #iesb pode ir pelos ares em um atentado contra #Ahmadinejad eu não estarei presente. Tsc. (dia da visita do malucão iraniano ao Brasil)

21.   O que está acontecendo com essas blogueiras que ficam com crise de identidade e fecham seus blogs? Pô…

#Universo publicitário

22. Huahauhau! Calvin explicando muito bem meu processo criativo: http://tinyurl.com/6ptx64 (via @radfahrer)

23. Semana literalmente punk: job de campanha na agência, apresentação do seminário de semiótica, e trabalho final da Funyl. Espero sobreviver.

24. Resultado da semana tensa: Campanha aprovada na agência. Ganhar primeiro lugar na Funyl. Sucesso total no seminário de Semiótica.

25. “Ai ai… Quando vão entender que viral é EFEITO, e não causa – e que não é sinônimo de mal-feito?” Luli Radfahrer

26. O engraçado de ser publicitária: minha mãe não faz a mínima ideia do que eu realmente faço.

27. Ser publicitário é como ser puta. Você trabalha até tarde da noite e seus pais não sabem direito o que vc faz. (essa é do @mr_numbersix)

28. A Bees tem cada ideia de jirico pro IESB, que eu não sei quem é pior: quem cria, quem aprova, ou quem perde um tweet falando dessa merda.

29. Chico Buarque by publicitários: (sen-sa-cio-nal XD) http://filli.blogspot.com/2009/09/desconstrucao.html (ser retuitada pelo Marcelo Serpa: acho que vai até pro meu currículo, hein!)

30. Eu já sei o que acontece quando me dizem: “Vou te passar um job que você vai adorar…”

31. Saber escrever textos curtos e simples é uma arte. No meu caso, uma arte abstrata.

32. A retórica aristotélica é meu pastor e nada me faltará.

33. Jingle bells, Jingle bells. Acabou o título. #JobDeNatal

34. Depois do filme “Atividade Paranormal” tô pronta para fazer muitos jobs fantasmas.

35. Esse negócio de só escrever sob demanda cansa. E muito. #BloqueioMental


#Vida Acadêmica

36. Você acha que pessoas que fazem pesquisas são chatas?

37. Acabo de me tornar mãe. Esse Relatório Final de Pesquisa foi um verdadeiro parto.

38. Eu estava doida pro semestre acabar… mas agora que está acabando, começo a me sentir um pouquinho vazia.

39.    Pra ele não esquecer RT @caviloos: ALINE, GRAVA ISSO EU VOU SER UM ALUNO EXEMPLAR SEMESTRE QUE VEM (e não é que ele cumpriu mesmo?)

40. Menções na faculdade: SS (super star) MS (muita sorte) MM (mais ou menos). Com 3 Super Stars e 2 Muita Sorte, acho que tô bem esse semestre. (mas no seguinte acabei tirando 1 Super Star e 4 MS, de “Muita Sacanagem”)

41. Passei a manhã lendo sobre Semiótica. É impressionante. (mais impressionante ainda é como alguns professores conseguem acabar totalmente com o interesse dos alunos por uma matéria. Dá-lhe, Rita!)

42.    Complicado isso do IESB demitir os professores…

43. Dúvida. Depois de toda a reviravolta no IESB no final do semestre passado, será que pelo menos o prédio continuará lá quando eu voltar?

44. RT @caviloos “Eu odeio o pessoal da minha sala”

45. Eu já disse hoje que odeio as pessoas da minha sala? … Ah, tá.

46. Hoje eu constatei empiricamente que cursar faculdade definitivamente não confere a ninguém inteligência e senso crítico.

47. Tive um insight incrível esse final de semana, que, se não acabar virando meu TCC, vai pelo menos chegar a ser meu pré-projeto. (e vai virar mesmo, me aguardem!!)

48.    Perto da hora de ir para a facul, bate o desânimo. Chego lá e tenho que ouvir cada boçalidade de alguns primatinhas semi-evoluídos. Pff.

49. “Oi, Aline! Ainda não fiz a dissertação de ética, tava pensando em pegar a sua que o prof gostou e mudar o contexto pra entregar pra ele.” – Ajudem-me a criar uma boa resposta pra esse animal.

50. Ao animal que me pediu a dissertação para “mudar o contexto” e entregar para o prof, respondi o email com cópia para TODO MUNDO DA SALA.

51. Uma professora que fala “tipologia” em vez de “tipografia” TRÊS VEZES SEGUIDAS não merece o meu respeito.

52.   Rita Brasil, favor desista de ser professora. Obrigada.

53.   Lição do FDS: A faculdade é um jogo feita apenas para os professores vencerem – não importa o que aconteça.

54. Oficialmente, acabou o semestre mais tenebroso da minha vida acadêmica. Quinto semestre, aí vou eu.

#Polêmicas

55. A imprensa é anacrônica mesmo. Daí a crise. Não percebem q é mt + interessante termos acesso direto à fonte sem precisar deles.

56.    Não tem jeito. Sou fã assumida desse cara, cada vez mais. Ele tinha que ser presidente pelo menos uma vez: @cris_buarque

57. Se existem coisas como coronelismo na nossa política, a culpa é só nossa. Mais do que tuitar, é preciso saber votar e exercer cidadania.

58. Tá certo, já passou da hora dos dinossauros do poder serem extintos. Tirem o Sarney, mas pensem em quem vão deixar entrar agora, PORRA.

59. Mais do que lutar por #forasarney, temos que lutar para que Educação Política seja parte do Ensino do nosso país desde cedo. #prontofalei

60. No blog da Lola: “Meu maior anseio como mulher não é ter filhos, mas sim ser uma mãe capaz de criá-los de uma forma a respeitar o próximo”

61. É impossível haver democracia em um Estado que privilegia a Igreja. Me lembra Idade Média. #foravaticano

62. Ai, que preguiça desse mundo escroto misógino do caralho. [literalmente]

63.   “Não adianta ser sujeito na hora de escolher, se o CONTEXTO pode te transformar em vítima da sua própria escolha.” #lingerieday

64. O mais engraçado é sermos todos miscigenados, fazermos piadas como se fôssemos brancos, e acharmos que ainda assim não existe raça.

65.    Racistas que não se acham racistas: “Se você não vê o problema, então VOCÊ É O PROBLEMA.” (by @AlexCastroLLL)

66. Bom saber que se um cara me dopar e me violentar agora só vai pegar no máximo 2 anos de cadeia. http://bit.ly/p6fgm (via @tuliovianna)

67.   Defender cotas SÓ p pobres é ignorar a diferença gritante entre um pobre branco e um pobre negro. http://migre.me/5kxq

68. Por que RAIOS uma análise política de candidatas a presidenciáveis tem que descer ao nível de “essa dá medo” ou “essa não dá tesão”?

69. “Os resultados nos fazem refletir que a criminalização do aborto está condenando mulheres negras à morte”

70. “A desigualdade leva à religião, e quanto mais religiosas as sociedades, mais desiguais são”

71. Incrível. Pessoas que conseguem acreditar em deus, mas não conseguem acreditar na probabilidade da existência de vida em outros planetas.

72. “A principal função da liberdade de expressão é: sem ela, como saberíamos quem são os idiotas?” Alex Castro

73. Não assumimos que somos privilegiados para continuar acreditando que vivemos em uma meritocracia.

#Cinema

74. Ontem fui assistir UP. O filme é genial, com certeza um dos melh… ESQUILO! …melhores filmes já feitos na história da animação.

75. Hoje assisti ao filme Terra Fria, com Charlize Theron. Quero ver quem é macho de assistir e não sentir o mínimo de empatia pela personagem.

76. Inglorious Basterds: o que posso dizer? Foda. \m/ Não recomendado para maricas.

77. Besouro: super bem produzido, roteiro sem hipocrisia, excelente abordagem sobrenatural, cenas de luta perfeitas. Recomendo! ;)

78. Oh Ewya, por que não nasci em Pandora? #Avatar #QueroSerNavi


#Coisas da Autora

79. A prisão dos 140 caracteres. É agora ou nunca que aprendo a ser pontual ao escrever: ninguém tem todo o tempo e todo o espaço do mundo…

80. “Não te considero uma igual, porque não quero me comparar a uma mulher. Para sermos iguais, você precisa ser homem”: http://migre.me/DbP

81.    All men are caught in an inescapable network of mutuality. Martin Luther King Jr. (essa vai até pra minha apresentação de Sociedade em Rede)

82. Já teve a sensação de que a sua vida é um tetris?

83. Para alguns, organizar os emails e deletar todo o lixo da caixa de entrada é inútil. Para mim, é quase uma terapia.

84.   Quero ser Wikipedista!

85. O Skoob é o meu novo orkut.

86. “Iniciar um blog signfica q um dia ele será abandonado sem comida e sem assunto. Não me tome como exemplo. Jamais abandone seu blog” by @3df

87. Agora eu sou uma quatro olhos! ^^

88. Eu não esperava que meu Desafio Redator valendo convites pra o Gwave e Orkut ia render tanta participação e ideias! http://twitpic.com/quzy4

89. Hoje é dia de Punk’d em massa… Até meus chefes caíram! Putz! (você pode ler mais sobre o incrível caso do aniversário falso aqui)


#Lado Negro da Força

90. Sabe quando a incompetência das pessoas é tão grande que te dá PREGUIÇA ao invés de raiva?

91. Julho só me lembra uma coisa: inferno astral. Mas dia 29 acaba. Queiram os deuses que sim.

92. Caralho, esse nerdcast é muito retardado. Não tenho paciência.

93. Pro inferno essa TIM. “Sem fronteiras” é o abuso desse plano maldito.

94. Estou cada vez mais adepta da misantropia.

95. Se você me acha megera, estúpida, arrogante, ranzinza e intolerante… é, você tem razão. #prontofalei

96. Vou começar a distribuir #unfollow na vida real também.

97. Não passo adiante algo que alguém me PEDIU para divulgar. Sou só eu que sou assim?

98. Pq maldade dá tanto prazer? #SithFeelings (dizem que isso se chama Schadenfreud)

99. Que foi? Se não gostou de algo que eu falei, dá unfollow. Não tuito para fracos.

100. Que os deuses me dêem paciência. Porque se me derem força, eu vou quebrar esse fucking computador em pedaços.

101. Bons tempos eram aqueles de pura selvageria onde você resolvia os assuntos com uma pessoa enfiando um machado no crânio dela.

102. “As pessoas acham que ser um supergênio é divertido, mas não sabem quão difícil é tolerar todos os idiotas do mundo” (Calvin & Haroldo)

103. Pessoas com QI de caramujo deviam ser banidas do Twitter. Unfollow e block é pouco.

104. Frustração é o nome do ano de 2009 para mim. Abs a todos os envolvidos.


Por pouco e seriam 140 momentos de 2009 em 140 caracteres. Mas resolvi parar no 104 antes de encher a paciência de vocês. Se achou pouco, é só me seguir aqui, ué. E nem adianta vir de mimimi, vocês já estão avisados: não tuíto para fracos!

That’s all, folks. A gente se vê em 2010, com post novo e tudo! ;)

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Antigamente, todo mundo queria estar na “crista da onda”, mas hoje a moda é mesmo estar na Wave. Só que o Google, pelo menos por enquanto, está liberando o acesso a esta “inovadora” ferramenta apenas para alguns poucos escolhidos. Já faz algumas semanas que entrei para este “seleto” grupo de usuários iniciais, mas foi só dia desses que recebi do Google alguns convites para distribuir para quem eu quisesse. Antes que as pessoas começassem a me pedir achando que é festa de Cosme e Damião, pensei em algo mais interessante para a distribuição.

Então surgiu o Desafio Redator. Qual era o objetivo da brincadeira: criar títulos para a imagem abaixo. Os mais persuasivos e criativos ganhavam convites para o Google Wave (e alguns do novo Orkut que estava comigo dando sopa).

Não imaginei que tanta gente ia participar e que a brincadeira ia render tantos títulos (entre os interessantes e os que fariam meu diretor de criação se jogar pela janela); a página do desafio recebeu cerca de 590 visitas em apenas 1 dia. Antes mesmo de anunciar os vencedores, já estavam me sugerindo que eu comentasse as ideias, e decidi usar o blog (novinho em folha) pra isso. Fiz abaixo uma seleção de alguns títulos para detonar comentar.Então, vamos nelson que a hora é elson.

@MichaelGalli

1 em cada 5 redatores usam a primeira idéia


Já vou começar com a ideia que mais se destacou. Quando a brincadeira começou, os títulos tendiam primeiro para ideias mais institucionais e de conscientização, que utilizavam a fórmula “1 em cada 5″. Algo bem foto-legenda mesmo. E aí aparece alguém com a mesma ideia, mas usando uma “gracinha” metalinguística voltada para o escopo do próprio desafio: o universo do redator. Foi impossível não deixar escapar uma risadinha. O cara fez um título bem “primeira ideia”, justamente para falar sobre redatores que ficam na primeira ideia, satirizando até mesmo a situação manjadíssima da foto-legenda – do qual ele também faz uso. E por isso consegue despertar uma reação. E é esse o objetivo do redator ao escrever um título: encontrar uma maneira de impactar quem está lendo.

Entretanto, essa frase tem um erro gritante de português, e por isso foi desclassificada. O mesmo erro também foi encontrado em vários outros títulos que seguiram a fórmula “1 em cada 5″:


@caviloos

1 de cada 5 brancos gostam de BlackMusic


O erro está na concordância verbal; afinal, ninguém diz “A cada 5 brancos, 1 gostam de Black Music” ou “A cada 5 redatores, 1 usam a primeira ideia”. O certo seria “1 em cada 5 redatores usa a primeira ideia” (e atenção, “ideia” não leva mais acento). Redator pode até ficar na primeira ideia, mas nunca pode descuidar do português.

@ericssonbarbosa

O aborto apaga vidas.

@rafanoris

Uma em cada 5 crianças que navegam pela internet é alvo de pedófilos.

@ericssonbarbosa

Preserve o meio ambiente, evite as queimas desordenadas.


Aqui, alguns exemplos de como as pessoas acham que escrever para conscientização é simples. Embora a imagem possua inúmeras possibilidades, tiveram que forçar um pouco mais a cabeça para chegar em títulos que vendessem produtos. Isso acontece porque escrever mensagens de conscientização é ficar na zona de conforto. Parece que basta colocar “aborto”, “pedófilos”, ou “preserve o meio ambiente” em um título para despertar alguma reação nas pessoas.

É claro que não dá pra passar batido por esses temas, mas um texto precisa ir um pouco além para conseguir despertar uma reação sincera das pessoas. A gente escuta tanto sobre “preservar o meio ambiente”, que a frase já está esvaziada de sentido. Não significa mais muita coisa. E aí está o desafio do redator: como ir além disso? É preciso ter uma sensibilidade muito aguçada e saber bem sobre o que está falando para mexer com o emocional do público. E tudo o que temos quando apelamos para o fácil são mensagens superficiais, que, quando não estão dizendo da forma errada, não dizem absolutamente nada.

@???????

cotas: uma retratação em forma de preconceito. Diga NÃO as cotas.


Vou manter anônimo o autor dessa pérola, por razões bem óbvias. Lembra o que eu falei aqui em cima? Duvido seriamente que o animal que escreveu esse título sequer saiba o que está falando. Além do texto apelando para o fácil, da estrutura óbvia, da mensagem vazia (que não diz nada além do evidente preconceito do autor), temos uma falta de noção e sensibilidade que por si só já valiam um prêmio. Tudo bem você ser contra as cotas, não desconsiderei seu título por discordar do seu ponto de vista. Você pode até defender a volta da sociedade escravocrata, por que não? Se quiser, pode até vender a ideia do nazismo e do extermínio em massa, que por mim tudo bem. Mas querido, você vai precisar ir muito, muito além disso e escrever algo mais inteligente. Continue estudando. A propósito, já ouviu falar de Goebbels?

@hi_tanpopo

tenha senso de equipe, e compartilhe suas idéias. ou vai queimar seus neurônios sozinho?!

@ericssonbarbosa

Alub: Aqui quem queima neurônios se destaca.


Aqui, temos duas linhas de pensamento bem bacanas. Depois de escrever bastante, o Ericsson consegue desenvolver um título mais vendedor, para um cursinho de pré-vestibular, demonstrando que um redator não pode parar nas (cinquenta, cem) primeiras ideias para chegar a um título melhor. Onde quer que as boas ideias estejam, é preciso muita caminhada para chegar até elas. E o que diferencia os bons (e criativos) publicitários do resto é justamente essa distância percorrida: os fracos ficam no meio do caminho.

No título da Júlia, temos um bom conteúdo, mas pouca forma. Esse é outro aspecto importante: o refinamento do texto. Cortar, trocar, reescrever, arredondar, pensar na melhor estética – sem piedade. Um longo e disforme “tenha senso de equipe, e compartilhe suas ideias. ou vai queimar seus neurônios sozinho” pode ser lapidado e enxuto até atingir uma forma de “Compartilhe ideias. Não queime neurônios sozinho” ou “Quem trabalha em equipe não queima neurônios sozinho”, e ainda pode melhorar.

@AlexCastroLLL

Dar uma e brochar é normal. Tome viagra e dê a segunda, a terceira, a quarta…


A ilustre participação do Alex Castro apócrifo também é um bom exemplo de um texto que precisa de refinamento para chegar a uma forma mais persuasiva. Uma forma de resolver seria “Mantenha o fogo depois da primeira” ou “Continue aceso na segunda, terceira, quarta…”. Assim é possível manter o humor, acrescentar a persuasão, deixar o nome do produto (Viagra) só na assinatura, e fugir de termos como “dar uma” e “brochar”, que de tão explícitos e óbvios tiram o tesão da interpretação.

Por isso redatores fogem de títulos “foto-legenda”. É brochante.

@thiago_ir

Pior que ficar de cabeça quente e se queimar, é ter que reconhecer que estava errado e se curvar aos outros.

@Ramostm

Aqueles dias te deixam desconcertada e de cabeça quente? Novo íntimos absorve 4x mais que os absorventes comuns. Íntimos

@LandNick

Desculpem amigos, mas perdi a cabeça por aquela mulher!


Aqui, alguns exemplos de títulos redundantes com a imagem. O que mais observei nessa brincadeira foi a necessidade das pessoas ficarem explicando a imagem. Título não é feito para explicar a imagem. Não podemos esquecer que a imagem também fala; logo, imagem e texto devem ter vozes próprias. O engraçadinho @3df (que até fez uns textos bem bacanas) deu um bom exemplo de como tirar o tesão do leitor com um título foto-legenda: “Cinco palitos de fósforos, sendo o da direita queimado”.

Mais uma coisa importante: isso de usar pergunta em título é coisa de Polishop. “Aqueles dias te deixam desconcertada e de cabeça quente?” Céus… Que os deuses da propaganda não permitam que alguém escreva isso em um anúncio de verdade, e o atinjam com um raio antes disso. Como já diria minha professora de Redação, Raquel Cantarelli, quando você usa uma pergunta em um título, se a resposta para ele for “não”, você já perdeu um público que não vai nem terminar de ler o anúncio. Com um ajuste simples, já ficaria bem melhor: “Para dias que te deixam de cabeça quente” e na assinatura: “Intimus. Absorve 4x mais que os outros absorventes”.

Lembrando que a assinatura é tão importante quanto o título. Até a marca do produto é um importante elemento para o sentido da mensagem.

@eduardodosreis

Quanto mais você deseja se parecer com os outros, mais você se queima. Tenha estilo, use fulanimdetal.

@mbselmy

Como Publicitário, ele é um ótimo Bombeiro. Assina: PA (Publicitários Anônimos)

@MichaelGalli

Quem age por impulso no mercado de hoje não dura muito tempo. (Marketing Galli’s S/A – Consultoria)


No título do Eduardo, temos uma mensagem que nos diz que a gente se queima quando tenta parecer com os outros (ideia boa, mas lembra da dica de refinamento de texto?). No final, diz que ter estilo mesmo só usando a…? E aí hesita em assinar usando uma marca de verdade. Se tivesse assinado como, sei lá, Levi’s, ele conseguiria fechar a mensagem com um sentido mais completo. Quando estiver criando um anúncio, nunca subestime a capacidade da marca em falar por si só. Basta folhear alguns anuários para perceber isso.

O título assinado pelos Publicitários Anônimos traz uma mensagem de humor relacionado ao dia-a-dia do publicitário, que às vezes tem que trabalhar “apagando incêndios” para os clientes da agência. É possível até ter uma dupla interpretação da imagem a partir do texto: o fósforo seria o job apagado pelo publicitário apagador de incêndio, ou seria o próprio publicitário, esgotado, cansado dessa penosa tarefa? Daí a importância da assinatura para fechar o sentido do título, que nesse caso também precisa de um refinamento.

O Michael parece saber mais do que ninguém da importância da assinatura; afinal, usou para autopromoção. Além do inteligente oportunismo, conseguiu um título consistente, que consegue ir além e trazer um novo sentido para a imagem, falando bem o que se propõe a dizer. Não é o tipo de título que apela para o emocional ou para o humor explícito, mas é o tipo de texto que desperta um estalo do lado esquerdo do cérebro: o hemisfério da razão.

@Mayara_Regia

2009 está no fim. A quem você dará poder nos próximos quatro anos? Eleições 2010.

E para finalizar os comentários, um dos melhores títulos, na minha opinião. Conseguiu surpreender por abordar um tema dentro da linha de conscientização que exige um pouco mais do que somente apelar para o fácil, além de abordá-lo em um momento bastante oportuno, às vésperas de ano de eleição.

Fiquei bastante satisfeita com a experiência, e parece que muita gente também gostou de exercitar a criatividade. Já estão me perguntando quando será o próximo Desafio Redator. Embora eu ainda tenha um bocado de convites para o Google Wave, acho que vou ter que pensar em outra premiação; mas tão logo espero poder contar novamente com o entusiasmo de todos vocês para mais uma rodada de muitas ideias, títulos e comentários. Porque um bom redator não fica na primeira ideia – e nem no primeiro desafio.

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Nov/09

27

Inaugurando

Mais um semestre chegando ao fim. Significa que muita coisa aconteceu desde maio, mais ou menos no final do semestre passado, quando resolvi me mudar do blog que achei que já estava na hora de evoluir e virar algo maior, tamanho o carinho que tomei pelo projeto.

Vejamos: de lá pra cá, virei usuária compulsiva do twitter; entrei no quarto semestre da faculdade crente que ia ser ótimo, quando na verdade eu estaria prestes a enfrentar o período acadêmico mais tenebroso da minha vida; comecei a estagiar de redatora em uma agência de publicidade, coisa que eu achei que não estaria disposta a enfrentar tão cedo (e apesar das dificuldades, tenho sobrevivido); tive várias ideias e comecei vários projetos, que assim como meu portfólio, não conseguiram avançar muita coisa; fiz uma campanha que ganhou o primeiro lugar na Funyl (e até pensei em virar Atendimento depois da apresentação que fiz); já decidi qual será o meu projeto de conclusão de curso e já comecei a pesquisar; decidi definitivamente que vou seguir carreira acadêmica e já estou fazendo planos para um mestrado em Teorias da Comunicação; entrei no cheque especial pela primeira vez e nunca mais saí; fiquei mais ranzinza e escrota; comecei a usar óculos (já tava passando da hora) e, vejam só, cheguei até a frequentar academia por um tempo.

Muita coisa aconteceu, hein. Menos o tal do blog para o qual eu queria tanto me mudar. Até que, em um belo fim de semana sem muita coisa para fazer, o Marcos, que entre outras coisas é diretor de arte, webdesigner e meu namorado, resolveu fazer esse esse blog nascer de cesariana mesmo, custe o que custasse. Só tenho a agradecê-lo por tanto entusiasmo, paciência (tentar fazer algo comigo ao lado opinando não é fácil), e pelas horas quebrando a cabeça com o wordpress para conseguir montar um blog cheio de recursos legais, do jeitinho que eu queria.

Agora com tudo pronto, voltar a escrever “de verdade” vai ser um baita desafio (já que escrever eu escrevo todos os dias, afinal eu trabalho com isso). Não espero que eu vá conseguir, de início, manter um ritmo bacana de postagem, mas com as férias da faculdade chegando, vou ter um bom período para começar a desenvolver esse ritmo e não parar mais (diferente do que aconteceu com a academia, eu espero). Afinal, como uma amiga sabiamente me disse, tenho que continuar alimentando a fonte da criatividade escrevendo com liberdade, se preciso sempre criar sob demanda.

Aos estimados leitores que colecionei em meu blog anterior e aos novos leitores e visitantes, sintam-se em casa e não reparem a bagunça. Espero que o amontoado de ideias, opiniões e posts que vocês encontrarem por aqui consigam despertar aquela coceirinha em seus respectivos cérebros, e sejam bem mais do que “Histórias Esquecidas”. ;)

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PS: Nos próximos dias, vou publicar os melhores posts do blog antigo, no melhor estilo “retrospectiva 2009″ que todo mundo adora quando chega o final de ano.

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