Páginas: Pardos


Páginas de livros que encontrei por aí e me causaram faíscas.


Foto de um livro aberto nas páginas de um poema entitulado Pardos. Ao lado, a ilustração de uma mulher indígena sobre fundo vermelho, com pinturas brancas no rosto, usando uma roupa de escamas branca e um brinco de concha.
Foto da página do poema:

Pardos
Natú

Pardos. Filhas de lugar nenhum. Descendentes de ninguém. Herdeiros de nada. Guerreiros de causa alguma. Destinados a defender o legado de uma cultura que não existe.

Perceba, sua pele não se assemelha mais à terra que ao papelão?

Vê que o sol não brilha no papel do jeito que irradia sob tua superfície?

Se não te deixam lembrar quem tu é, de fato não pode lembrar porque veio.

O Limbo suga a luta!

O gado anda em círculos fechados pelo controle humano e nosso povo dança em espirais que se abrem à liberdade do infinito. 

E do que seria capaz a massa parda se descobrisse que pode também dançar, cantar e plantar?

O que poderia esse povo curar sabendo que não veio do nada, mas do todo?

Eliane Potiguara prenuncia: Brasil, o que faço com minha cara de índia?
Fotografia da capa do livro: O texto Festival Desenho Vivo escrito em forma circular sobre a foto de duas mãos em preto e branco. Uma com a palma virada para a frente e outra com as costas das mãos viradas para frente.

Texto e ilustração de Natú Vieira. Do catálogo do Festival Desenho Vivo, CCBB Brasília, 2021.

Escritora e apresentadora. Conto histórias em livros e no podcast Bobagens Imperdíveis.

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