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A que horas as ideias chegam?

Minhas melhores ideias chegam nos breves cochilos. Naquela moleza noturna depois de um dia inteiro com corpo e mente empenhando-se em resolver os mais variados problemas. Elas chegam quando as luzes estão baixas, quando a consciência passa pela portinha para se despedir. São essas as ideias que encostam no inconsciente e portanto adquirem uma substância especial, um sabor (ou saber) diferente.

Também costumam ser boas porque vêm naquele momento em que até posso manuseá-las com a mente e experimentar que formas podem adquirir, mas vou ter preguiça de levantar e anotar, endurecendo-as em palavras; desse modo, a ideia vai mole comigo para a cama e dorme em meu travesseiro, onde fermenta enquanto eu sonho.

Quando acordo para anotar, ela está amadurecida. Então a jogo no papel e ela pode ganhar o aspecto e o brilho do início da manhã.

Por isso, o melhor companheiro para as primeiras horas do dia é o papel. Um livro para ler, um caderno para escrever. As telas que brilham por luz própria precisam vir depois, para que essa luminosidade (que nos absorve por completo quando fisgam nosso olhar) não rompa a membrana frágil que embala uma ideia recém-nascida.


Qual a melhor hora para criar? É de manhã, quando a mente está descansada? É na energia da tarde? Ou na sonolência da noite? Quantas horas são necessárias por dia para escrever ou desenhar ou pintar ou compor uma música? Qual o melhor momento para se dedicar a pensar? E qual o mais recomendado para começar a fazer?

A resposta é que não há uma resposta certa. Cada pessoa funciona de uma forma diferente. O importante é encontrar uma rotina ou processo que se adeque a você.

Este episódio do meu podcast Bobagens Imperdíveis trata sobre isso. Nele, conto a rotina criativa de diversos artistas, das corridas diárias do escritor Murakami ao diário de Sylvia Plath, para descobrirmos quão diversas podem ser as rotinas e, em meio a isso, refletirmos sobre como funciona nosso próprio processo.


Mais sobre criatividade

Edição da zine Bobagens Imperdíveis sobre criatividade e processo criativo, com ilustrações, histórias em quadrinhos, textos e dicas.

Escritora, ilustradora, ilusionista. Conto quem eu sou um livro por vez.

2 comments On A que horas as ideias chegam?

  • Oi Aline! Minhas melhores ideias também parecem surgir nesse momento entre a consciência e a inconsciência, naquela névoa gostosa antes do sono. Mas muitas vezes, no dia seguinte, a ideia em questão não amadureceu como acontece com vc: termino esquecendo! Alguma dica pra evitar essa perda de boas ideias?

    • Pode parecer contraditório, mas esquecer faz parte do processo. Esquecer não é igual a perder. A ideia esquecida continua em algum canto da sua mente, coberta de camadas de inconsciente. Às vezes, ela fermenta. Cresce. As boas acabam voltando. Às vezes é preciso fazer uma escavação, resgatá-la do fundo da mente. Se a ideia se perdeu, talvez não fosse tão boa assim. Mas exercitar a memória e manter cadernos é como eu me preparo para resgatar o máximo de ideias possível ;)

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